Bolsonaro tenta blindar Flávio e conter crise após laços com banqueiro investigado
Crise no entorno do PL envolve conversas sobre recursos para o filme “Dark Horse” e reacende debate interno sobre alternativas para 2026.
A Câmara dos Deputados informou ao Supremo Tribunal Federal que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) viajou ao Bahrein e aos Estados Unidos sem autorização formal da Casa para missão oficial. A resposta foi enviada ao ministro Flávio Dino, relator de uma apuração sobre emendas parlamentares destinadas a uma entidade ligada à produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Câmara dos Deputados informou ao Supremo Tribunal Federal que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) viajou ao Bahrein e aos Estados Unidos sem autorização formal da Casa para missão oficial.
Foto: Roberto Castro/ Mtur
No documento encaminhado ao STF, a Câmara afirmou que Frias apresentou pedidos para viagens ao Bahrein, entre 12 e 18 de maio, e aos Estados Unidos, de 19 a 21 de maio, mas que as solicitações ainda estavam em fase de apreciação. Mesmo sem a conclusão da análise, o parlamentar deixou o país.
A cobrança de Dino ocorreu depois de tentativas frustradas de notificar o deputado para prestar esclarecimentos sobre o envio de R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à Go Up Entertainment, produtora responsável pelas gravações de “Dark Horse”. Frias é apontado como produtor-executivo do filme, ainda não lançado.
O caso chegou ao Supremo por meio de representação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que questiona possível desvio de finalidade na aplicação de recursos públicos. Frias nega irregularidades e afirma haver parecer da Advocacia da Câmara sem indicação de vícios formais nas emendas.
Em entrevista ao SBT News, o deputado afirmou que esteve no Bahrein para tratar de investimentos no Brasil e que, nos Estados Unidos, buscava prospectar investimento na área de segurança pública. Ele também disse que retornaria ao Brasil nos próximos dias e que está disposto a prestar contas.
A apuração sobre as emendas ganhou repercussão após a revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar as gravações da cinebiografia. Flávio negou ter combinado qualquer vantagem indevida e afirmou que os recursos tratados eram privados.
O caso segue em análise no STF. Até o momento, a informação oficial é que os pedidos de missão internacional de Mário Frias permaneciam sem aval formal da Câmara, enquanto o ministro Flávio Dino cobra esclarecimentos sobre a viagem e sobre a destinação das emendas parlamentares.