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Em menos de dois meses, o chamado caso Master levou o Banco Central (BC) a decretar a liquidação de sete instituições financeiras, todas com algum tipo de ligação com o grupo controlado pelo empresário Daniel Vorcaro ou com operações sob investigação da Polícia Federal (PF).
Com a liquidação do Will Bank, anunciada mais recentemente, o movimento consolida a sétima intervenção do BC no âmbito do caso, hoje alvo de inquérito da PF que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Todas as empresas diretamente associadas a Vorcaro entraram em processo de liquidação extrajudicial.
Com todas as empresas do empresário Daniel Vorcaro sob liquidação, FGC estima impacto bilionário e PF mantém investigações.
Foto: Reprodução.
No conglomerado Master, as instituições diretamente relacionadas ao empresário são três: o Banco Master, o Letsbank e o Will Bank. Com a liquidação dessas três casas, todas as instituições financeiras ligadas de forma direta a Vorcaro passaram a estar sob liquidação.
As primeiras medidas foram adotadas em novembro de 2025, quando o BC decretou a liquidação das principais instituições do grupo Master. No mesmo dia, também foi liquidado o Letsbank, então comandado por Maurício Quadrado, ex-sócio do Master e um dos alvos de busca e apreensão na segunda fase da operação Compliance Zero, cumprida pela PF em 14 de janeiro.
Em 18 de novembro, o BC determinou a liquidação extrajudicial das seguintes instituições ligadas ao grupo Master: Banco Master S/A; Banco Master de Investimento S.A.; Banco Letsbank S.A.; Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários; e Banco Master Múltiplo S.A.
Na sequência, em 15 de janeiro, foi a vez da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., anteriormente conhecida como Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., também entrar em liquidação.
Por fim, o BC decretou a liquidação da Will Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento, o Will Bank, completando o ciclo de sete instituições alcançadas pelas intervenções no período.
Além dos bancos e corretora ligados a Vorcaro, a Reag também acabou liquidada extrajudicialmente por ato do BC, assinado pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo. A corretora estava no centro de uma expansão acelerada e sob o foco de investigações da PF.
No escopo das investigações, a PF apontou que fundos administrados pela corretora têm ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), em operação deflagrada em 2025. O fundador da instituição, João Carlos Mansur, também é alvo da investigação no âmbito da operação Compliance Zero.
Entre 2020 e 2025, o patrimônio sob gestão da Reag deu um salto expressivo: passou de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões, uma multiplicação de quase 14 vezes. As apurações indicam ainda que a corretora pode ter sido usada para inflar ou ocultar riscos do Banco Master, em meio a uma tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB), operação que acabou vetada pelo BC.
Em meio ao avanço das investigações da PF, fundos ligados à própria corretora adotaram, junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sigilo sobre suas carteiras, omitindo temporariamente o detalhamento dos ativos. O período de confidencialidade foi definido em seis meses, conforme revelado pelo Metrópoles.
A liquidação do Will Bank elevou a pressão sobre o Fundo Garantidor
de Créditos (FGC), que já se prepara para desembolsar R$ 40,6 bilhões em razão da liquidação do Banco Master. Com a nova intervenção, o impacto potencial sobre o fundo pode se aproximar de R$ 50 bilhões.
Dados do IFData, sistema do Banco Central que consolida informações contábeis das instituições financeiras, mostram que a Will Financeira mantinha R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo na data-base de setembro de 2025, último balanço disponível. Em nota, o FGC informou que esse valor foi posteriormente reduzido para R$ 6,3 bilhões.
Esses depósitos se referem principalmente a Certificados de Depósito Bancário (CDBs), títulos emitidos por bancos para captar recursos do público, com prazo determinado para resgate e remuneração via juros.
Por serem passivos das instituições financeiras, esses recursos precisam ser devolvidos aos investidores e contam com a proteção do FGC, até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Entretanto, como o Will Bank integrava o conglomerado Master, o cálculo da cobertura passa a considerar a soma de exposições dentro do grupo, o que pode reduzir o valor efetivamente pago em alguns casos.
Segundo o BC, o fato de as instituições fazerem parte do mesmo conglomerado financeiro significa que determinados clientes já podem ter atingido o teto de garantia em outras liquidações, afetando o montante a receber agora.
Especificamente, os clientes que adquiriram produtos elegíveis a garantia do FGC antes da aquisição pelo Banco Master, em 30/08/2024, têm a garantia preservada. A partir de 01/09/2024, nos casos em que o cliente possua produtos em ambas as instituições, os valores serão consolidados por CPF ou CNPJ, respeitando o limite de R$ 250 mil. Caso o credor já tenha recebido o valor limite da garantia de R$ 250 mil na liquidação das instituições Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, não haverá valores adicionais a receber do FGC, uma vez que todas as instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro
FGC