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As buscas pelos irmãos Agatha Isabelly, de seis anos, e Michel Allan, de quatro, completaram 20 dias nesta sexta-feira (23), sem que as crianças tenham sido localizadas. O caso, ocorrido no início de janeiro em uma comunidade quilombola na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão, ganhou repercussão nacional e mobiliza uma das maiores operações de resgate já realizadas na região.
Mãe e padrasto de crianças passam a ser considerados suspeitos de desaparecimentos em Bacabal (
Foto: Reprodução)
O desaparecimento aconteceu no dia 4 de janeiro, no território quilombola São Sebastião dos Pretos. Naquele dia, Agatha e Michel brincavam em uma área de mata acompanhados do primo, Anderson Kauã, de oito anos. As crianças estavam sob os cuidados da avó materna, enquanto a mãe e o padrasto viajavam para São Luís. De lá, o homem seguiria para Curitiba a trabalho.
De acordo com o relato de Anderson, o grupo tentou ir até um pé de maracujá próximo à casa da avó, mas foi impedido por um tio. Em seguida, as crianças teriam entrado na mata e se perdido. Horas depois, ao notar a ausência dos netos, a avó iniciou as buscas por conta própria e ainda chegou a ouvir respostas das crianças no meio da mata, o que levou familiares e moradores da comunidade a passarem a noite procurando por elas.
No dia seguinte ao desaparecimento, a prefeitura de Bacabal pediu apoio ao governo estadual. A partir daí, equipes da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Guarda Municipal e Força Estadual passaram a atuar de forma integrada na região, com uso de cães farejadores e helicópteros do Centro Tático Aéreo. A estrutura montada no quilombo também incluiu ambulâncias do Samu, equipes de assistência social e suporte logístico.
No quarto dia de buscas, Anderson Kauã foi encontrado com vida a cerca de quatro quilômetros do ponto onde havia sido visto pela última vez. O menino apresentava arranhões, sinais de desnutrição severa e havia perdido cerca de dez quilos. Ele foi levado ao Hospital Geral de Bacabal, onde permaneceu internado por quase duas semanas antes de receber alta médica.
Após o resgate do primo, os esforços se concentraram na localização de Agatha e Michel. Equipes oficiais e voluntários encontraram peças de roupas infantis na mata, mas parte desses itens acabou descartada pela Polícia Civil por não pertencer às crianças desaparecidas. Em meio à pressão por resultados, o prefeito de Bacabal anunciou uma recompensa de R$ 20 mil por informações que ajudem a esclarecer o paradeiro dos irmãos.
Com o avanço dos dias e a ausência de pistas decisivas, o perímetro de buscas foi ampliado para uma área de 54 km², dividida em 45 quadrantes, com uso de tecnologia de geolocalização para evitar repetição de trechos já vistoriados.
Mais de 60% dessa área já foi vasculhada, incluindo lagos, grutas e trechos do rio Mearim. A varredura conta com mergulhadores do Corpo de Bombeiros e, em etapa posterior, com apoio da Marinha do Brasil.
A operação também foi marcada pela morte da cadela Iara, da Companhia de Busca com Cães do Corpo de Bombeiros do Ceará, durante o deslocamento para a área de buscas. O episódio gerou comoção entre as equipes envolvidas.
Autoridades estaduais e municipais informam que os trabalhos seguem sem prazo para encerramento e classificam a operação como uma das mais complexas da história recente do Maranhão. Em pronunciamentos públicos, o governador do estado vem reforçando que a força-tarefa continuará enquanto houver expectativa de encontrar as crianças.
Nesta quinta-feira (22), o prefeito de Bacabal voltou a atualizar o andamento das buscas e reiterou o compromisso das autoridades com as famílias. Até agora, mais de mil pessoas, entre agentes de segurança e voluntários, já participaram da operação na região do quilombo São Sebastião dos Pretos.