Após queda histórica, preço do ovo volta a subir em BH e deve pressionar bolso do consumidor
Pentes com 20 unidades chegaram a custar menos de R$ 8 nas primeiras semanas de janeiro em Belo Horizonte, mas cotações para distribuidores já avançaram cerca de 60% e tendência é de nova alta com Quaresma e exportações em ritmo aquecido
23/01/2026 às 16:20por Redação Plox
23/01/2026 às 16:20
— por Redação Plox
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Quem fez compras em Belo Horizonte nas primeiras semanas de janeiro percebeu um alívio no bolso: o preço do ovo despencou em vários supermercados. A reportagem encontrou pente com 20 unidades por menos de R$ 8 em alguns estabelecimentos da capital, um valor bem abaixo do que vinha sendo praticado no fim de 2025.
Pixabay
Apesar disso, o cenário de ovos mais baratos não deve durar muito, e o produto já dá sinais de encarecimento nas gôndolas.
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP) mostra que, entre 7 e 14 de janeiro, o preço do ovo subiu cerca de 60% para os distribuidores. Mesmo com essa arrancada recente, as médias de janeiro ainda estão abaixo das registradas em dezembro e também inferiores às de um ano antes.
Oscilação recente e comparação com outros períodos
De acordo com os dados do Cepea, o valor comercializado na última terça-feira (20/1) está 3,4% menor que o de 19 de dezembro e 27% maior que o registrado em 7 de janeiro. Na comparação com a mesma data em 2025, o ovo segue 19% mais barato, o que indica perda de força dos preços em relação ao padrão observado no ano passado.
Por que o ovo costuma ficar mais barato em janeiro
A analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Nathália Rabelo, reforça que a queda de preços no começo do ano é um movimento recorrente ligado ao comportamento do consumidor.
Segundo ela, em dezembro, o pagamento do 13º salário e as festas de fim de ano mudam o foco da compra de proteínas: o consumidor passa a priorizar carnes bovinas, frango e peru, reduzindo temporariamente a demanda por ovos. Com isso, a oferta de ovos no mercado aumenta e os preços recuam.
Nathália avalia ainda que 2026 fugiu ao padrão, porque os preços caíram além do habitual. Ela aponta que, em 2022, foi a última vez em que o mercado observou níveis tão baixos. Entre os fatores que podem ter acentuado a queda, a especialista cita elementos que vêm pressionando o setor desde o ano passado, como o próprio aumento na produção.
Tendência é de alta com a proximidade da Quaresma
A expectativa, porém, é de reversão desse movimento. Nathália explica que a tendência de alta já observada pelo Cepea deve ganhar força nos próximos dias, impulsionada principalmente pela proximidade da Quaresma. No período, muitas pessoas reduzem ou eliminam o consumo de carne bovina, suína e de aves, recorrendo ao ovo como alternativa de proteína mais em conta.
Além do fator sazonal ligado à religiosidade, o mercado externo também entra na conta. O setor vive um momento de demanda aquecida fora do país, mesmo após o chamado “tarifaço” dos Estados Unidos, que eram o principal destino das exportações brasileiras de ovos. As novas tarifas reduziram esse fluxo específico, mas o Brasil conseguiu abrir outros mercados, e o volume exportado voltou a crescer.
Esse avanço nas vendas ao exterior pode ter reflexos na oferta doméstica, o que tende a pressionar as cotações. Em um cenário de exportação mais forte e aumento da demanda interna na Quaresma, a expectativa do setor é de elevação nos preços ao consumidor ao longo das próximas semanas.