Dólar e Ibovespa abrem a semana de olho em Focus, desemprego e nova disputa tarifária nos EUA

Mercados acompanham revisão da projeção de inflação para 2026, queda do desemprego no Brasil e decisão da Suprema Corte que limitou tarifas de Trump, que reagiu anunciando nova taxa global.

23/02/2026 às 08:53 por Redação Plox

O dólar abriu a sessão desta segunda-feira (23) atento ao cenário interno e externo, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia as negociações às 10h.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik

Dólar e Ibovespa: desempenho recente

No pregão de sexta-feira (20), após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre as tarifas impostas pelo governo americano, o Ibovespa avançou 1,06% e encerrou aos 190.534 pontos, superando pela primeira vez a marca dos 190 mil pontos. No câmbio, o dólar recuou 0,98%, cotado a R$ 5,1758, o menor patamar desde maio de 2024.

No acumulado, o dólar registra:

  • Acumulado da semana: -1,02%;
  • Acumulado do mês: -1,37%;
  • Acumulado do ano: -5,70%.

Já o Ibovespa soma:

  • Acumulado da semana: +2,18%;
  • Acumulado do mês: +5,06%;
  • Acumulado do ano: +18,25%.

No Brasil, economistas reduziram de 3,95% para 3,91% a projeção de inflação para 2026, registrando o sétimo recuo consecutivo. A estimativa consta no boletim Focus, divulgado pelo Banco Central com base em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

Suprema Corte dos EUA barra tarifaço de Trump

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, na sexta-feira (20), que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais do país, medida conhecida como “tarifaço”.

Por 6 votos a 3, a maioria dos juízes concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não autoriza o presidente a criar tarifas de forma unilateral. Trump sustentava que a lei de 1977 permitia esse tipo de ação em situações excepcionais.

O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh ficaram vencidos. Roberts apontou que o governo precisa de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço, com base em precedente da própria Suprema Corte.

A decisão atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, consideradas o núcleo da estratégia tarifária do governo americano. Outras cobranças, como as aplicadas sobre aço, alumínio e fentanil, seguem em vigor.

Trump reage e anuncia nova ofensiva tarifária

Em reação ao revés na Suprema Corte, o presidente dos Estados Unidos criticou a decisão e anunciou uma nova taxa global de 10% sobre importações.

Em declaração a jornalistas, Trump afirmou que há "métodos ainda mais fortes" à sua disposição para impor novas tarifas comerciais. "Outras saídas serão usadas", disse, acrescentando que os EUA podem arrecadar "ainda mais dinheiro". Donald Trump

Para viabilizar a nova alíquota, Trump afirmou que pretende acionar a Seção 122, dispositivo da legislação comercial americana que permite ao presidente impor tarifas temporárias. O republicano reiterou ainda que sua gestão recorrerá à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais desleais, o que pode resultar em novas tarifas.

Na entrevista coletiva, o presidente também elevou o tom contra os magistrados e classificou a decisão da Suprema Corte como “vergonhosa” e “terrível”. Ele afirmou que os juízes que votaram contra as tarifas seriam uma vergonha para o país e acusou a Corte de estar sob pressão de interesses estrangeiros.

PIB dos EUA desacelera no fim de 2025

De acordo com a estimativa preliminar do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu a uma taxa anualizada de 1,4% no quarto trimestre de 2025. A expectativa do mercado era de alta de 3%, mas a projeção foi feita antes de dados que mostraram aumento do déficit comercial em dezembro.

No trimestre anterior, a economia havia avançado 4,4%. O Escritório Orçamentário do Congresso calculou que a paralisação do governo reduziu o crescimento em até 1,5 ponto percentual no último trimestre, ao limitar serviços públicos, gastos federais e benefícios sociais. Parte dessa perda tende a ser recuperada, mas entre US$ 7 bilhões e US$ 14 bilhões podem não retornar à economia.

Antes da divulgação do relatório, Trump afirmou nas redes sociais que a paralisação teria custado “pelo menos dois pontos do PIB” e defendeu juros mais baixos para estimular a atividade.

O documento também descreve um crescimento sem forte geração de empregos e uma economia desigual: famílias de renda mais alta permanecem em situação confortável, enquanto consumidores de renda mais baixa enfrentam dificuldades com inflação elevada e salários estagnados. Economistas classificam esse quadro como uma “crise de acessibilidade”.

Inflação medida pelo PCE pressiona o Fed

O núcleo do índice de preços PCE, uma das principais referências de inflação acompanhadas pelo Federal Reserve, acelerou em dezembro. O indicador, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 0,4% no mês, após alta de 0,2% em novembro, segundo o Departamento de Comércio dos EUA. Em 12 meses, a variação passou de 2,8% para 3%.

O resultado veio em linha com as projeções de economistas e reforça a avaliação de que o banco central americano deve adiar o início do ciclo de cortes de juros, possivelmente para depois de junho.

O PCE cheio, que inclui todos os itens, também avançou 0,4% em dezembro, após 0,2% em novembro. Em 12 meses, acumulou alta de 2,9%, acima dos 2,8% registrados no mês anterior.

Desemprego recua e bate recorde no Brasil

No Brasil, a taxa de desemprego caiu para 5,1% no quarto trimestre de 2025, abaixo dos 5,6% do trimestre imediatamente anterior e dos 6,2% de igual período de 2024, de acordo com a Pnad Contínua do IBGE.

Na comparação trimestral, o desemprego recuou em seis unidades da Federação (São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Distrito Federal, Paraíba e Ceará) e se manteve estável nas demais.

As maiores taxas foram registradas em Pernambuco (8,8%) e Amapá (8,4%). As menores ficaram com Santa Catarina (2,2%) e com Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso (2,4%).

No resultado anual, a taxa média de desemprego caiu para 5,6% em 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, com 20 estados atingindo seus menores patamares de desocupação.

Wall Street e Europa reagem à decisão da Suprema Corte

Os principais índices de Wall Street fecharam em alta na sexta-feira (20), em meio à repercussão da decisão da Suprema Corte americana e à leitura de novos dados econômicos. O Dow Jones subiu 0,47%, o S&P 500 avançou 0,71% e o Nasdaq Composite ganhou 0,90%.

Na Europa, os mercados também reagiram de forma positiva, com altas disseminadas. O índice pan-europeu STOXX 600 avançou 0,84%, aos 630,56 pontos. Entre os principais índices nacionais, o CAC 40, da França, subiu 1,39%; o DAX, da Alemanha, avançou 0,87%; e o FTSE 100, do Reino Unido, teve alta de 0,56%.

Ásia tem pregão misto sob tensão geopolítica

As bolsas da Ásia registraram desempenho misto na sexta-feira, em meio às tensões entre Estados Unidos e Irã, que aumentaram a cautela dos investidores, especialmente diante do feriado prolongado no Japão.

No Japão, o Nikkei recuou 1,1%, fechando em 56.825 pontos, enquanto o Topix também caiu 1,1%, para 3.808 pontos. A queda foi puxada por ações de companhias aéreas e empresas financeiras, além do impacto negativo de problemas no setor de investimentos nos Estados Unidos.

Em outros mercados asiáticos, o desempenho foi o seguinte:

  • Hong Kong (Hang Seng): queda de 1,10%, aos 26.413 pontos;
  • Coreia do Sul (Kospi): alta de 2,31%, aos 5.808 pontos;
  • Cingapura (Straits Times): alta de 0,15%, aos 5.009 pontos;
  • Austrália (S&P/ASX 200): leve queda de 0,05%, aos 9.081 pontos.

Diante das incertezas geopolíticas e do feriado no Japão, muitos investidores optaram por realizar lucros e reduzir exposição a risco antes do fim de semana prolongado.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a