Na Coreia do Sul, Lula pede abertura do mercado para a carne bovina brasileira

Em Seul, presidente defendeu redução de barreiras comerciais e disse que avanço depende de protocolo sanitário; auditoria técnica sul-coreana no Brasil é prevista para o 3º trimestre de 2026

23/02/2026 às 11:21 por Redação Plox

Em visita oficial à Coreia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva centrou sua agenda econômica na defesa de uma maior abertura comercial entre os dois países e na derrubada de barreiras a produtos brasileiros — em especial, a liberação do mercado sul-coreano para a carne bovina do Brasil. Ao falar a empresários em Seul, Lula criticou o protecionismo e avaliou que o atual fluxo de compras e vendas entre Brasília e Seul está aquém da força das duas economias.

O presidente Lula durante o encerramento do fórum empresarial Brasil-Coreia do Sul, em Seul

O presidente Lula durante o encerramento do fórum empresarial Brasil-Coreia do Sul, em Seul

Foto: Presidência


Lula cobra menos barreiras e mais comércio com Seul

Nesta segunda-feira (23/02/2026), no encerramento do Fórum Empresarial Brasil–Coreia do Sul, em Seul, Lula defendeu maior liberdade comercial e voltou a se posicionar contra práticas protecionistas. Segundo relato da Broadcast (Grupo Estado), ele mencionou que o comércio bilateral ficou em torno de US$ 11 bilhões em 2025, classificando o montante como reduzido diante do porte econômico de Brasil e Coreia do Sul.

No contexto da viagem, o portal Poder360 informou que o governo brasileiro “encaminhou” avanços para a abertura do mercado sul-coreano à carne bovina brasileira. De acordo com a publicação, está prevista uma auditoria técnica de autoridades sul-coreanas no Brasil no 3º trimestre de 2026, considerada etapa necessária para viabilizar o protocolo sanitário que permitiria o início das exportações.

Pendências sanitárias travam avanço da carne bovina

Em informações oficiais sobre negociações sanitárias e comerciais, o Ministério da Agricultura e Pecuária registra que a principal questão sanitária com a Coreia do Sul envolve o comércio de carnes. O Brasil manifesta interesse em exportar carne bovina, mas esbarra em exigências sanitárias impostas por Seul, incluindo condições ligadas ao status de febre aftosa e debates sobre regionalização.

Material da Agência Gov, de 2024, também já apontava que a abertura do mercado coreano para a carne bovina brasileira fazia parte das pautas em reuniões do ministério com autoridades sul-coreanas, junto com outros temas sanitários e de ampliação das exportações.

Potenciais efeitos para o agro e para a economia

A Coreia do Sul é vista por participantes da cadeia do agronegócio como um mercado de alto poder de compra. A eventual abertura para a carne bovina do Brasil pode criar uma nova frente relevante para frigoríficos e exportadores, com possibilidade de aumento de receita e maior diversificação de destinos.

Mesmo quando a produção de gado está concentrada em outras regiões, estados ligados à cadeia de proteína animal — como MG, SP, PR e RJ, na indústria, nos insumos, no transporte, nos portos, nos serviços e no emprego — tendem a ser movimentados por uma nova rota de exportação.

Para o consumidor interno, o efeito nos preços não é automático. Ele dependerá de fatores como volume exportado, oferta disponível, câmbio e dinâmica geral do mercado. Em geral, a abertura de novos mercados costuma vir acompanhada de readequações na produção e na estratégia comercial do setor.

Próximos passos nas negociações com Seul

Se confirmada, a auditoria técnica sul-coreana prevista para o 3º trimestre de 2026 será um marco para avaliar controles e requisitos sanitários no Brasil, etapa que costuma anteceder a habilitação de plantas e a definição de certificados necessários às exportações.

Além dos discursos políticos e dos anúncios em viagens oficiais, o avanço efetivo dependerá de negociações técnicas entre autoridades sanitárias e de comércio dos dois países, incluindo discussões sobre regionalização e exigências ligadas à febre aftosa.

A evolução do tema deve aparecer em comunicados do Ministério da Agricultura e do Itamaraty, bem como em eventuais anúncios de habilitação de estabelecimentos, definição de certificados sanitários e cronogramas de inspeção, mantendo a abertura do mercado sul-coreano à carne bovina brasileira no centro da agenda econômica entre Brasil e Coreia do Sul.

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