Michelle reage a falas de Lula sobre evangélicos e diz que presidente “não pensa”
Ex-primeira-dama criticou declaração de Lula sobre não opinar no conteúdo artístico de ala da Acadêmicos de Niterói e afirmou que houve “anuência” ao que chamou de “chacota” e “escárnio” contra valores cristãos
23/02/2026 às 09:00por Redação Plox
23/02/2026 às 09:00
— por Redação Plox
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) reagiu nas redes sociais às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a polêmica envolvendo uma ala do desfile da Acadêmicos de Niterói, escola que o homenageou no Carnaval do Rio de Janeiro. Em conversa com jornalistas na Índia, Lula afirmou que “não pensa” sobre o conteúdo artístico do desfile e que não caberia a ele opinar, já que não participou da criação do samba-enredo, das fantasias ou dos carros alegóricos.
Michelle Bolsonaro
Foto: /PL
Ala da escola vira motivo de disputa
Nos últimos dias, uma ala do desfile da Acadêmicos de Niterói, identificada como “Neoconservadores em conserva”, passou a ser usada por aliados e críticos do governo como exemplo de provocação a grupos conservadores, incluindo evangélicos. Questionado sobre o tema, Lula afirmou que não interferiu na concepção artística da apresentação e que sua participação se limitou a aceitar a homenagem da escola.
Diante da repercussão, Michelle publicou mensagem em tom de ironia às falas do presidente. Para ela, mesmo sem ter criado o conteúdo do desfile, Lula teria dado “anuência” ao que classificou como “chacota” e “escárnio”, e foi alvo de críticas por não ter se posicionado contra o teor da ala.
Manifestação de Lula na Índia e reação de Michelle
A declaração de Lula foi feita durante viagem a Nova Delhi, na Índia, em entrevista/coletiva registrada em vídeo. Na ocasião, o presidente reforçou que não é responsável pela criação do desfile e indicou que não considera seu papel comentar a obra artística apresentada pela escola de samba.
Do lado de Michelle, a resposta veio por meio de publicação no Instagram, reproduzida por veículos de imprensa, em tom de crítica política e moral. Ela associou o episódio a um desrespeito a valores cristãos, colocando a relação do governo com o eleitorado evangélico no centro do embate.
Impacto na disputa pelo eleitorado evangélico
O episódio tende a alimentar a polarização em torno da pauta religiosa e a disputa de narrativas sobre respeito à fé e aos valores cristãos, ponto sensível na política nacional e com peso relevante nas articulações para 2026. A controvérsia aproxima ainda mais o Carnaval do centro do debate político, com leituras opostas sobre liberdade artística e possível ofensa religiosa.
Nas redes sociais e no Congresso, a repercussão pode abrir espaço para novas cobranças públicas de parlamentares ligados à pauta religiosa e ampliar o desgaste simbólico do governo junto a segmentos conservadores. A ala da Acadêmicos de Niterói torna-se, assim, um dos focos dessa disputa por influência sobre o público evangélico.
O que observar nos próximos desdobramentos
Entre os próximos passos, interlocutores do meio político monitoram se haverá novas manifestações oficiais do Planalto ou de ministros sobre o episódio, e se Lula voltará a comentar o tema ao retornar ao Brasil. Registros da imprensa apontam que o presidente mencionou a possibilidade de visitar a escola para agradecer a homenagem.
Também está em aberto se lideranças evangélicas e bancadas no Congresso irão formalizar pedidos de explicação, notas públicas ou medidas judiciais e administrativas. Até o momento, a reação mais visível é política e concentrada nas redes, e eventuais iniciativas formais ainda dependem de confirmação.
Enquanto isso, seguem em curso as discussões sobre o papel da Acadêmicos de Niterói e, em especial, sobre o conteúdo da ala “Neoconservadores em conserva”, que continua sendo explorado por diferentes atores políticos na tentativa de influenciar a opinião de segmentos religiosos, com especial atenção à reação de Michelle às falas de Lula sobre evangélicos.