Cláudio Castro renuncia antes de retomada de julgamento no TSE que pode torná-lo inelegível
Plenário volta a analisar o caso nesta segunda (24), com dois votos já favoráveis à cassação por suspeitas de abuso de poder político e econômico; Corte ainda pode declarar o ex-governador inelegível por oito anos
23/03/2026 às 22:48por Redação Plox
23/03/2026 às 22:48
— por Redação Plox
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Às vésperas de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar um julgamento que poderia resultar em sua cassação, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), renunciou nesta segunda-feira (23/3). O plenário volta a analisar o caso nesta terça-feira (24/3), às 19h, com dois votos já favoráveis à cassação por suspeitas de abuso de poder político e econômico.
A renúncia foi formalizada em cerimônia no Palácio Guanabara.
Saio com a cabeça completamente erguida. Saio com a minha maior aprovação. Saio, segundo as pesquisas de opinião, liderando todas as pesquisas para o Senado, mas, acima de tudo, saio extremamente grato a DeusCláudio Castro
Apesar da saída do cargo, o TSE ainda pode declará-lo inelegível caso alcance os votos necessários para condená-lo. A renúncia afasta a possibilidade de cassação do mandato, mas não elimina as acusações relacionadas à campanha de reeleição. Se condenado, Castro pode ficar inelegível por oito anos.
Pré-candidatura ao Senado e composição política no Rio
Castro é pré-candidato ao Senado na chapa do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No arranjo apresentado, o deputado estadual e ex-secretário de Cidades Douglas Ruas (PL) aparece como pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, e o prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) como outro pré-candidato ao Senado.
Para que Castro seja declarado inelegível, bastam mais dois votos alinhados ao entendimento da relatora Isabel Gallotti. A retomada ocorrerá com o ministro Kassio Nunes Marques, e ainda restam as manifestações da presidente do TSE, Cármen Lúcia, da ministra Estela Aranha e dos ministros André Mendonça e Floriano Marques.
TSE vai retomar o julgamento de Castro por abuso de poder político e econômico nesta terça-feira (24/3)
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Julgamento teve pedidos de vista e foi interrompido mais de uma vez
O julgamento começou há quatro meses, em novembro de 2025. Foi retomado no último dia 10, mas acabou interrompido por um pedido de vista de Nunes Marques, movimento que deu tempo para Castro buscar uma alternativa para evitar a cassação.
Antes disso, o ministro Antonio Carlos Ferreira já havia pedido vista quando o caso entrou em pauta em novembro de 2025. Na ocasião, ele interrompeu a sessão sob o argumento de que Isabel Gallotti não disponibilizou a íntegra do voto antes de apresentá-lo ao plenário. O ministro chegou a estender a vista, mas acompanhou a relatora quando o julgamento voltou a andar.
Acusações envolvem contratações temporárias e pagamentos por RPA
O Ministério Público Eleitoral (MPE) acusa Castro de ter realizado, em troca de apoio à reeleição, ao menos 27 mil contratações temporárias para a Fundação Centro de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores do Rio de Janeiro (Ceperj) e para a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) durante a pré-campanha.
Segundo a acusação, os temporários teriam recebido salários por meio de recibos de pagamento autônomo (RPAs), com saques em espécie nos caixas eletrônicos. Entre janeiro e agosto de 2022, o governo do Rio de Janeiro teria emitido cerca de 92 mil ordens de pagamento, com valor que teria alcançado R$ 250 milhões.
Sucessão no governo e cenário na Alerj
Com a renúncia, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Castro, assume interinamente o governo até a eleição indireta de um mandato-tampão. O ex-vice-governador Thiago Pampolha foi indicado para o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), está afastado.
A indicação de Pampolha para o TCE-RJ é descrita como uma manobra de Castro para abrir caminho para Bacellar assumir o governo, já que o presidente da Alerj era o favorito para sucedê-lo. No entanto, a prisão do deputado estadual por vazar a investigação da Polícia Federal (PF) contra o ex-deputado estadual TH Jóias (MDB) minou sua pré-candidatura ao Palácio Guanabara.