O Dia Mundial de Combate à Tuberculose, lembrado nesta terça-feira, 24 de março, reforça o alerta para uma doença antiga e curável, mas que ainda representa um desafio de saúde pública no Brasil. Discreta no início e agressiva quando não tratada, a tuberculose segue atingindo milhares de pessoas todos os anos e exige atenção aos sinais.
Como ocorre a transmissão e quem precisa ficar atento
Segundo o pneumologista do Hospital Márcio Cunha, Dr. Marcos de Abreu, a transmissão ocorre de forma direta, no contato entre pessoas, por partículas dispersas no ar. Ambientes fechados e pouco ventilados favorecem a disseminação, sobretudo quando há proximidade com alguém que está tossindo e apresenta sintomas.
A transmissão acontece de pessoa a pessoa por pequenas partículas dispersas. Pacientes sintomáticos, tossindo, em contato íntimo, próximo com outra pessoa, é a forma mais comum de transmissão
Dr. Marcos de Abreu
Tosse por mais de três semanas pode ser sinal de alerta
Um dos principais desafios, de acordo com o especialista, é reconhecer os sintomas, que muitas vezes são ignorados ou confundidos com quadros respiratórios comuns. A orientação é redobrar a atenção quando a tosse persiste por mais de três semanas. Esse sintoma pode vir acompanhado de catarro com pus e sangue, perda de peso e febre no fim da tarde, sinais associados à doença ativa.
Diagnóstico precoce evita sequelas e reduz a transmissão
O diagnóstico precoce é decisivo para a recuperação do paciente e também para evitar complicações. Conforme o médico, a tuberculose pode causar destruição pulmonar e deixar sequelas, como redução volumétrica e bronquiectasias, que podem levar à falta de ar crônica e infecções de repetição. Por isso, identificar a doença o quanto antes é fundamental para impedir a progressão do quadro.
Tratamento tem cura e é oferecido na rede pública
Apesar do cenário preocupante, a tuberculose tem cura e o tratamento é acessível. De acordo com Dr. Marcos, a terapia é realizada na rede pública, na atenção primária ou em centros especializados, com duração média de seis meses. O acompanhamento é mensal e inclui avaliação do paciente, dos escarros e dos contatos, para verificar se houve transmissão.
O especialista destaca que esse monitoramento ajuda a garantir a eficácia do tratamento e a interromper a cadeia de contágio. A recomendação é buscar atendimento rapidamente diante de sintomas, para iniciar o tratamento o quanto antes e reduzir o risco de novas infecções.
Números no Brasil ainda preocupam
Mesmo com avanços no diagnóstico e no tratamento, a tuberculose segue como um problema relevante no país. Segundo o pneumologista, dados do Ministério da Saúde indicam cerca de 80 mil casos por ano e até 6 mil mortes, apesar da existência de um programa de diagnóstico e tratamento estruturado.
Neste 24 de março, a mensagem central é de prevenção: informação, atenção aos sintomas e busca precoce por atendimento podem salvar vidas e ajudar a reduzir o impacto de uma doença que ainda faz parte da realidade de muitos brasileiros.
Hospital Márcio Cunha
Hospital Márcio Cunha é um hospital geral de alta complexidade com 60 anos de atuação. Possui 558 leitos e três unidades, sendo uma exclusiva para o tratamento oncológico. Atende uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e conta com cerca de 500 médicos em 58 especialidades, com serviços em áreas como ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular e oncologia adulto e infantil, entre outras.
No último ano, foram cerca de 5.580 partos, aproximadamente 35 mil internações, mais de 17 mil cirurgias e mais de 67 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.
O HMC foi o primeiro hospital do país a ser acreditado em nível de excelência (ONA III), pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, está classificado pela revista norte-americana Newsweek, por sete anos consecutivos, entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, sendo o 6º em Minas Gerais.