Dólar abre em queda a R$ 4,96 com tensão no Estreito de Ormuz no radar

Moeda recua 0,13% no início desta quinta (23), enquanto investidores acompanham riscos para o petróleo e aguardam dados nos EUA; no Brasil, CCJ pode votar parecer sobre fim da escala 6x1

23/04/2026 às 09:23 por Redação Plox

O dólar abriu a sessão desta quinta-feira (23) em queda, com recuo de 0,13% às 9h, cotado a R$ 4,9635. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começa a ser negociado a partir das 10h.

No exterior, o mercado voltou a monitorar a escalada de tensão no Oriente Médio após novos episódios envolvendo embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. O noticiário se soma à expectativa pela divulgação de indicadores econômicos nos Estados Unidos.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik


Tensão no Estreito de Ormuz volta ao radar dos investidores

A Guarda Revolucionária do Irã apreendeu dois navios de carga e realizou disparos contra uma terceira embarcação no Estreito de Ormuz, em mais um episódio de demonstração de força na região. Em paralelo, a Marinha dos Estados Unidos afirmou ter forçado 27 navios a recuar após um bloqueio imposto aos portos iranianos.

Com o canal fechado há dez dias — marco completado nesta quarta-feira —, persistem as preocupações sobre a oferta de petróleo e os possíveis efeitos sobre a inflação global. Por volta das 8h45 (horário de Brasília), o Brent subia 0,97%, negociado a US$ 102,81 por barril.

EUA divulgam pedidos de auxílio-desemprego e exportação de grãos

Nos Estados Unidos, o foco desta quinta-feira inclui os dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego, com expectativa de cerca de 210 mil solicitações na última semana. Também estão previstos, ainda pela manhã, números de exportação de grãos do país.

Como estão dólar e Ibovespa no acumulado

Dólar

Acumulado da semana: -0,19%;
Acumulado do mês: -3,95%;
Acumulado do ano: -9,38%.

Ibovespa

Acumulado da semana: -1,45%;
Acumulado do mês: +2,89%;
Acumulado do ano: +19,71%.

Cessar-fogo com o Irã é estendido e tensão segue elevada

Em meio à guerra no Oriente Médio, os EUA decidiram estender por tempo indeterminado o cessar-fogo com o Irã. A medida, anunciada por Donald Trump, atende a um pedido do primeiro-ministro do Paquistão, que tenta mediar uma saída diplomática para o conflito.

A trégua, que estava prestes a expirar, foi mantida até que o governo iraniano apresente uma proposta unificada para avançar nas negociações de paz.

Apesar da suspensão dos ataques diretos, o cenário permanece distante de uma desescalada. Washington manteve o bloqueio naval no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o transporte global de petróleo — decisão vista por Teerã como provocação e continuidade das hostilidades.

Autoridades iranianas reagiram com desconfiança e indicaram que a prorrogação do cessar-fogo pode ser uma manobra tática dos EUA. Como resposta, o Irã sinalizou que não pretende reabrir o estreito enquanto a restrição americana continuar em vigor.

As negociações também seguem travadas: uma nova rodada de conversas foi adiada diante da falta de resposta iraniana, ampliando a incerteza sobre um possível acordo. Ao mesmo tempo, Trump enfrenta desgaste interno, com taxa de aprovação em torno de 36%, sob pressão pela condução da guerra.

Nesse contexto, novos episódios agravaram o quadro. O Irã afirmou ter apreendido dois navios comerciais no Estreito de Ormuz, sob a justificativa de que navegavam sem autorização e comprometiam a segurança da região. Uma das embarcações foi associada a Israel.

Além disso, segundo autoridades marítimas internacionais, ao menos três navios foram alvo de ataques nas proximidades. Apesar dos danos, não houve vítimas.

CCJ pode votar parecer sobre fim da escala 6x1

No Brasil, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados pode votar um parecer favorável ao avanço das propostas que preveem o fim da escala 6x1.

Se aprovadas, as PECs seguem para uma Comissão Especial e, depois, para o plenário, antes de irem ao Senado.

Atualmente, há mais de uma proposta na Câmara para alterar a jornada de trabalho no Brasil, fixada na maioria dos casos em 44 horas semanais. Em fevereiro, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), determinou que as propostas da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) passassem a tramitar juntas.

Paralelamente à tramitação das PECs, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu enviar um projeto de lei próprio sobre o mesmo tema. A avaliação do governo é que a aprovação de um projeto de lei é mais fácil, por exigir menos votos e ter tramitação mais curta.

Uma PEC precisa do aval de ao menos 308 deputados, enquanto um projeto de lei depende apenas da maioria dos presentes no momento da votação.

Bolsas globais operam mistas

Em Wall Street, os índices operavam em leve alta. Por volta das 13h25 (horário de Brasília), o Dow Jones subia 0,64%, o S&P 500 avançava 0,78% e o Nasdaq registrava ganho de 1,25%.

Na Europa, o movimento foi mais contido. O STOXX 600 fechou em queda de 0,35%, aos 613,88 pontos. Em Paris, o CAC 40 caiu 0,96%, enquanto o DAX, da Alemanha, recuou 0,25%. O FTSE 100, de Londres, encerrou com baixa de 0,21%.

Na Ásia, o desempenho foi misto. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,22%, aos 26.163 pontos. Na China continental, os índices fecharam em alta: o SSEC, de Xangai, subiu 0,52%, aos 4.106 pontos, e o CSI300 avançou 0,66%, aos 4.799 pontos. No Japão, o Nikkei ganhou 0,4%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,46%.

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