HC-UFMG busca voluntários para doação de fezes saudáveis usadas em transplante

Doações abastecem banco de amostras para transplante de microbiota fecal, indicado sobretudo em infecções intestinais graves e recorrentes por Clostridioides difficile

23/04/2026 às 12:34 por Redação Plox

A doação de fezes saudáveis pode representar uma alternativa decisiva para pacientes com infecção intestinal grave. Por isso, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) está em busca de voluntários para o transplante de microbiota fecal, tratamento oferecido no Centro de Transplante Fecal da unidade, descrito como o único no Brasil especializado nesse tipo de procedimento.


Homens e mulheres sadios de 18 a 50 anos podem se candidatar ao processo.

Homens e mulheres sadios de 18 a 50 anos podem se candidatar ao processo.

Foto: Divulgação / HC-UFMG.



Homens e mulheres sadios, com idade entre 18 e 50 anos, podem se candidatar. O primeiro passo é uma entrevista por telefone, seguida de exames físico e laboratorial. Interessados devem entrar em contato pelo e-mail [email protected].

Tratamento é indicado para casos resistentes ou recorrentes

Segundo o hospital, o transplante de fezes é indicado quando há refratariedade (resistência ao tratamento) ou recorrência da infecção por Clostridioides difficile, bactéria que causa infecções no cólon e pode provocar desde diarreia leve até inflamações graves.


No HC-UFMG, o procedimento é realizado desde 2017 e já beneficiou 20 pacientes, com taxa de sucesso de 90%.


Material é processado e armazenado a -80°C

Na prática, as fezes doadas passam por processamento e ficam armazenadas em um ultrafreezer a -80°C. O procedimento faz parte de um protocolo de estudo sobre a microbiota intestinal dos brasileiros.


De acordo com a pesquisa citada, as fezes de brasileiros, em comparação com as de norte-americanos, têm cerca de 30% a mais de firmicutes — um filo de bactérias benéficas que habita o organismo e integra a microbiota intestinal. Isso sugere um potencial mais protetor contra infecções por Clostridioides difficile e doenças como retocolite e doença de Crohn.

É um procedimento off label que a gente conduz dentro de um projeto de pesquisa que foi aprovado pelo comitê de ética e pesquisa da UFMG. A seleção do doador começa com um questionário simples. A partir dessas informações, a gente faz uma anamnese estruturada com várias perguntas para que, em um segundo momento, o voluntário faça exames de rotina

Eduardo Vaz, coordenador do Centro de Transplante Fecal do HC-UFMG

O coordenador afirma ainda que, após a aprovação nas etapas iniciais, o candidato passa por exames específicos, incluindo análises detalhadas de fezes, para garantir que a doação ocorra sem riscos ao receptor.

Como funciona a doação e a aplicação do transplante

As fezes doadas por pessoas sadias e aprovadas na seleção são preparadas e processadas por uma equipe composta por médicos patologistas. O material, armazenado em ultrafreezer (-80°C), mantém a viabilidade a longo prazo.


O tratamento ocorre por meio da infusão de uma solução composta por esse substrato fecal, aplicada com uma colonoscopia convencional. A recuperação, segundo a matéria, é rápida.

Centro também mantém banco de fezes

O HC-UFMG é apontado como o primeiro hospital no Brasil a ter um Centro de Transplante de Microbiota Fecal respaldado por orientações de órgãos internacionais. Além de realizar transplantes, o local também está entre os primeiros a manter um banco de fezes.

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