Polícia Civil deflagra Operação Gerente Fantasma contra grupo ligado a facção em MT
Investigação aponta atuação em tráfico de drogas, estelionatos digitais e lavagem de dinheiro; Denarc cumpre 27 ordens judiciais em Cuiabá e Várzea Grande
23/04/2026 às 09:50por Redação Plox
23/04/2026 às 09:50
— por Redação Plox
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Após uma investigação identificar a existência de um grupo criminoso estruturado, com vínculos com uma facção e atuação simultânea no tráfico de drogas, em estelionatos digitais por plataformas de compra e venda on-line e na lavagem de dinheiro, a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (23/4), a Operação Gerente Fantasma. Durante a ação, os policiais apreenderam uma mala recheada de dinheiro.
Segundo a apuração, o grupo atuava na capital mato-grossense e teria como líder um homem que, mesmo recolhido em uma unidade prisional, exercia a função de gestor financeiro do esquema. Ele coordenava semanalmente a arrecadação e a distribuição dos lucros entre os integrantes.
A rede especializada em estelionatos digitais chegou a movimentar mais de R$ 200 mil em um único mês
Foto: Divulgação/PCMT
Mandados em Cuiabá e Várzea Grande
Equipes da Delegacia Especializada em Repressão a Narcóticos (Denarc) cumprem 27 ordens judiciais em Cuiabá e Várzea Grande: nove mandados de prisão preventiva, 10 mandados de busca e apreensão domiciliar com caráter itinerante e oito bloqueios de ativos financeiros, no montante de R$ 200 mil.
Golpes digitais e comércio de drogas
As investigações apontam que, apenas na primeira semana de novembro de 2023, o lucro apurado com os golpes digitais chegou a R$ 105,9 mil. A apuração também revelou o comércio de diferentes substâncias entorpecentes, como pasta base de cocaína, skunk (conhecido como “supermaconha”) e cocaína refinada, além do controle territorial sobre pontos de venda em vários bairros de Cuiabá.
Para dissimular a origem ilícita dos valores, o grupo empregava técnicas sofisticadas de ocultação patrimonial, fragmentação de transferências entre múltiplas contas bancárias, utilização de contas de terceiros como pessoas interpostas e uso de empresas registradas em nome de familiares dos principais investigados
delegado Eduardo Ribeiro
Foram identificadas transações financeiras expressivas em contas de integrantes do grupo. Somente em novembro de 2023, a organização movimentou mais de R$ 200 mil, valor considerado incompatível com qualquer atividade econômica lícita declarada.
Além disso, a investigação indica que o grupo promovia a distribuição de cestas básicas à comunidade e organizava eventos esportivos, obtendo lucros adicionais com a comercialização de bebidas alcoólicas nessas atividades. De acordo com a apuração, esses mecanismos eram usados para construir influência local e dificultar denúncias.
Operação integra ação estadual contra facções
A Operação Gerente Fantasma integra a Operação Pharus, iniciativa vinculada ao programa Tolerância Zero, voltado ao enfrentamento de facções criminosas em Mato Grosso.
O nome “Pharus” é uma referência ao termo latino para “farol”, descrito como uma estrutura associada à emissão contínua de luz e à orientação em meio à escuridão. Segundo a explicação apresentada, a escolha busca simbolizar a atuação do Estado na identificação e no enfrentamento de práticas criminosas.
A ação também faz parte das iniciativas da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim). A rede reúne delegados titulares de unidades especializadas e promotores públicos dos 26 estados e do Distrito Federal e é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (DIOPI), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), para traçar estratégias de combate à criminalidade de forma duradoura.