Especialistas alertam para queda na vacinação durante Semana Mundial da Imunização

Campanha da OMS reforça que manter o calendário vacinal em dia previne surtos e protege os mais vulneráveis; no Brasil, baixa cobertura preocupa desde 2021

23/04/2026 às 17:10 por Redação Plox

Vacinar é um gesto que vai além da proteção individual. Trata-se de um compromisso coletivo com a saúde pública, com potencial de salvar milhões de vidas todos os anos. Durante a Semana Mundial da Imunização, realizada de 24 a 30 de abril, especialistas reforçam a importância de manter o calendário vacinal atualizado como uma das estratégias mais eficazes para prevenir doenças, evitar surtos e proteger principalmente as pessoas mais vulneráveis. Neste ano, a campanha organizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como tema: “Para cada geração, as vacinas funcionam”.

Release - Vacinar é cuidar: a tecnologia e a confiança por trás da imunização

Foto: Divulgação

De acordo com a OMS, mais de 150 milhões de vidas foram salvas pelas vacinas nos últimos 50 anos — um impacto atribuído à decisão de pessoas comuns de se proteger, proteger seus filhos e uns aos outros. O número equivale a seis vidas salvas a cada minuto, todos os dias, por mais de cinco décadas.

Vacinação no Brasil e o alerta da queda de cobertura

No Brasil, a vacinação é um dos pilares das políticas públicas de saúde. Em 1973, o país criou o Programa Nacional de Imunizações, considerado um dos mais completos do mundo, com oferta gratuita de vacinas contra diversas doenças. Com esse esforço, enfermidades como poliomielite e rubéola foram controladas no país, e milhões de mortes foram evitadas ao longo das últimas décadas.

Nos últimos anos, porém, a queda nas taxas de cobertura vacinal passou a preocupar autoridades sanitárias. Em 2021, por exemplo, nenhuma das principais vacinas do calendário infantil atingiu a meta de 95% de cobertura recomendada pela OMS, cenário que aumenta o risco de reintrodução de doenças já controladas.

Imunidade coletiva e responsabilidade social

O médico infectologista da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), Dr. Pedro Henrique Mendes, destaca que a vacinação beneficia não apenas quem recebe a dose, mas toda a comunidade.

A vacinação, além da proteção do indivíduo contra doenças imunopreveníveis, é um gesto de responsabilidade social. A vacinação em massa leva à imunidade de rebanho, o que corta a cadeia de transmissão de muitas doenças, prevenindo surtos, epidemias e salvando vidas, principalmente entre as pessoas mais vulneráveis

Dr. Pedro Henrique Mendes

O especialista também ressalta a tradição construída pelo Brasil ao longo de décadas na área de imunização, ao mesmo tempo em que aponta que o boicote às vacinas coloca esse avanço em risco. Para ele, a vacinação é uma conquista de muitas gerações e deve ser usada como aliada para proteger indivíduos, famílias e a sociedade.

Tecnologia, novas plataformas e avanços no SUS

Além da eficácia, as vacinas evoluíram com o avanço científico. Segundo o infectologista da FSFX, novas tecnologias têm ampliado a proteção e reduzido o risco de efeitos adversos. Ele cita o desenvolvimento de plataformas como as vacinas recombinantes e por RNA mensageiro, que produzem partes específicas dos microrganismos, com potencial de melhorar a proteção e reduzir efeitos colaterais.

O médico também menciona, no âmbito do SUS, a aquisição da vacina contra o vírus sincicial respiratório para gestantes.

Desinformação e confiança nas vacinas

Mesmo com os avanços, a desinformação segue como um desafio para a saúde pública. De acordo com Dr. Pedro Henrique Mendes, o enfrentamento de notícias falsas e a valorização do conhecimento científico são essenciais para manter a confiança da população na imunização. Ele orienta que a população busque informações corretas a partir de órgãos oficiais.

Outro ponto levantado pelo profissional é a segurança. As vacinas, segundo ele, passam por processos rigorosos de pesquisa, controle de qualidade, fases de testes clínicos e avaliações regulatórias antes de chegarem à população. Após aprovadas, continuam sendo monitoradas por agências sanitárias. Os eventos adversos, quando acontecem, são descritos como raros e, na maioria dos casos, leves, com monitoramento contínuo.

Baixa adesão e risco de retorno de doenças

A queda na adesão às campanhas de vacinação, porém, acende um alerta. Com menos pessoas imunizadas, doenças antes controladas podem voltar a circular. O médico cita como exemplo a reintrodução do sarampo e de outras doenças no Brasil e avalia que, sem imunidade, a população fica mais exposta.

Segundo ele, grupos em extremos de idade e pessoas com doenças crônicas são os que mais correm riscos. Nesse cenário, podem surgir surtos e epidemias, aumentando a pressão sobre o sistema de saúde.

Semana Mundial da Imunização reforça o cuidado coletivo

Durante a Semana Mundial da Imunização, Dr. Pedro Henrique Mendes reforça que vacinar é mais do que uma decisão individual: é um gesto de cuidado coletivo. Para ele, manter a caderneta de vacinação em dia contribui para proteger a própria saúde e a de toda a comunidade, fortalecendo uma das principais conquistas da medicina moderna: a prevenção de doenças por meio da imunização.

Fundação São Francisco Xavier

Fundação São Francisco Xavier

A Fundação São Francisco Xavier é uma entidade filantrópica que atua desde 1969 e conta com cerca de 6.200 colaboradores. Atualmente, administra duas unidades hospitalares: o Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, com cerca de 70% dos atendimentos pelo SUS, e o Hospital Municipal Carlos Chagas, em Itabira (MG), com 100% dos atendimentos pelo SUS.

As unidades hospitalares têm gestão voltada à responsabilidade, à oferta de atendimentos de excelência e às melhores práticas de segurança. Além disso, a Fundação administra a operadora de planos de saúde Usisaúde, com cerca de 200 mil vidas, o Centro de Odontologia Integrada — que mantém os melhores indicadores de saúde bucal já divulgados no Brasil — e o Serviço de Segurança do Trabalho, Saúde Ocupacional e Meio Ambiente – Vita, que soma mais de 160 mil vidas sob sua gestão.

Na área educacional, o Colégio São Francisco Xavier, unidade precursora localizada em Ipatinga, é referência em educação na região, com cerca de 2 mil alunos, da educação infantil à formação técnica.

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