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A crise climática ganhou uma abordagem centrada nos territórios durante a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada em Aracruz (ES). No painel
Saberes tradicionais e soluções climáticas, lideranças indígenas, representantes de comunidades tradicionais e especialistas defenderam que práticas ancestrais de cuidado com a terra, manejo sustentável e organização comunitária sejam reconhecidas como parte das respostas ambientais do país.
O encontro, promovido pelo Ministério da Cultura, ocorre entre os dias 19 e 24 de maio e tem como tema
Pontos de Cultura pela Justiça Climática. A programação reúne representantes de diferentes regiões do Brasil em fóruns, debates, vivências territoriais e atividades culturais, com destaque para a participação de povos Tupiniquim e Guarani no Espírito Santo.
O vice-presidente da Associação Tupinikim de Comboios, Hudson Coutinho, explicou os trabalhos desenvolvidos no território.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Conhecimento que nasce nas comunidades
Durante o debate, participantes ressaltaram que muitas soluções discutidas hoje em políticas públicas já fazem parte da rotina de comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e periféricas. A defesa central é que esses conhecimentos deixem de ser tratados apenas como tradição cultural e passem a receber investimento, governança e espaço nas estratégias de enfrentamento à emergência climática.
Representante da comunidade tradicional de Fundo de Pasto Várzea Grande, em Oliveira dos Brejinhos (BA), Edvando Vieira afirmou que os territórios já oferecem respostas concretas para os desafios ambientais. Para ele, o ponto essencial é garantir reconhecimento e fazer com que os recursos cheguem às comunidades que preservam esses modos de vida.
Na Aldeia Comboios, em Aracruz, o Projeto Memória das Águas: Vivências Tupinikim apresentou ações voltadas à preservação ambiental, ao modo de vida local e à conscientização dos visitantes. A comunidade fica em uma península de 24 quilômetros, onde vivem cerca de 950 pessoas, segundo informações divulgadas pela Agência Brasil.
O vice-presidente da Associação Indígena Tupiniquim de Comboios, Hudson Coutinho, destacou que temas como lixo, reflorestamento e preservação do manguezal já estavam presentes nos ensinamentos dos ancestrais. A ideia, segundo ele, é manter uma relação de cuidado com o ambiente, entendido como parte da sustentação física, cultural e espiritual do povo.
A Aldeia Comboios também carrega marcas do rompimento da barragem de Mariana, ocorrido em Minas Gerais em 2015. De acordo com relato do cacique Jocinaldo Coutinho, os impactos do rejeito de mineração atingiram atividades como pesca, coleta de mariscos e plantações, afetando diretamente a vida comunitária.
Para lideranças e especialistas presentes no encontro, a valorização dos saberes tradicionais precisa sair do discurso e se transformar em política permanente. A avaliação é que, sem financiamento e participação efetiva das comunidades na tomada de decisões, o país perde a chance de incorporar soluções já praticadas há gerações por quem vive nos territórios mais afetados pelas mudanças ambientais.