Lula critica proposta de Trump e diz que conselho paralelo à ONU desfigura governança global

Em evento do MST na Bahia, presidente condena ideia de Conselho de Paz alternativo ao Conselho de Segurança da ONU, defende reforma com mais países nas instâncias centrais, reafirma que Brasil não entrará em conflitos armados e critica captura de Nicolás Maduro pelos EUA

24/01/2026 às 07:08 por Redação Plox

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou, nesta sexta-feira (23/1), a criação de um Conselho de Paz idealizado pelo norte-americano Donald Trump como instância alternativa ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Convidado a integrar o novo organismo, o Brasil ainda não respondeu oficialmente, mas Lula sinalizou posição crítica à iniciativa ao discursar no encerramento de um encontro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na Bahia.

Presidente Lula deu as declarações no encerramento do encontro do MST, nesta sexta-feira (23/1), na Bahia

Presidente Lula deu as declarações no encerramento do encontro do MST, nesta sexta-feira (23/1), na Bahia

Foto: Ricardo Stuckert/PR


Lula vê enfraquecimento do multilateralismo

Ao comentar o papel da ONU e o avanço de formatos paralelos de negociação internacional, Lula avaliou que o sistema multilateral vem sendo desfigurado por iniciativas unilaterais de grandes potências, com impacto direto sobre a governança global e o equilíbrio entre os países.

Em tom de alerta, o presidente afirmou que, em vez de promover reformas internas que ampliem a representatividade do organismo, a comunidade internacional assiste a tentativas de substituição da própria ONU por estruturas controladas por poucos atores. Para ele, a Carta das Nações Unidas está sendo desrespeitada e o princípio do multilateralismo, esvaziado.

Lula voltou a defender a entrada de novos países em instâncias centrais da ONU, como o Conselho de Segurança, e criticou a concentração de poder nas mãos de um número restrito de nações. Segundo ele, a fragilidade política de diversos Estados torna o cenário internacional ainda mais vulnerável a decisões unilaterais.

Brasil descarta envolvimento em conflito bélico

No discurso, o presidente ressaltou que o Brasil não pretende se envolver em conflitos armados e reconheceu limitações das Forças Armadas para participar de uma guerra em grande escala. Ele mencionou a disparidade entre o poderio militar dos Estados Unidos e a estrutura brasileira, destacando dificuldades orçamentárias para treinamento e aparelhamento das tropas.

Lula também enfatizou que a prioridade da política externa brasileira é o diálogo. Ele afirmou ter ligado, nos últimos dias, para diversos líderes estrangeiros em busca de alternativas que preservem o multilateralismo e evitem o isolamento de países em blocos rivais. O presidente reforçou que o Brasil busca manter relações com nações de diferentes espectros geopolíticos, citando Estados Unidos, Cuba, China, Índia e Rússia.

Críticas a plano para Gaza e à captura de Maduro

Ao tratar da guerra em Gaza e das propostas de reconstrução do território, Lula criticou a ideia de transformar a região, devastada por ações militares israelenses, em uma área turística de luxo. Ele mencionou projetos que preveem instalações de alto padrão, classificando-os como um desrespeito às dezenas de milhares de mortos e à destruição vivida pela população palestina. Na avaliação do presidente, a promessa de “recuperar” Gaza por meio de resorts ignora o sofrimento humano e a dimensão humanitária do conflito.

O presidente também condenou a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, episódio que, segundo ele, fere a integridade territorial da Venezuela e rompe padrões históricos de relacionamento na região. Lula afirmou que a América do Sul é um território de paz e manifestou indignação com a operação, vista por ele como um precedente perigoso para a soberania dos países sul-americanos.

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