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O feijão carioca vem pesando mais no bolso dos consumidores de Belo Horizonte nos últimos meses. Levantamentos de preços mostram o produto chegando a R$ 7,39 na capital, em um movimento puxado pela oferta mais apertada e por atrasos na safra em Minas Gerais — fatores que podem manter a pressão sobre os preços no curto e médio prazos.
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Foto: Pixabay
Um levantamento solicitado por O TEMPO ao Ipead/UFMG apontou que o feijão carioca, que custava R$ 6,67 em novembro de 2025, passou para R$ 7,39 na primeira semana de fevereiro de 2026, uma alta de 10,8% em menos de quatro meses.
Na mesma reportagem, foi destacado que o Mercado Mineiro identificou aumentos ainda mais fortes em marcas específicas, chegando a variação de 31,6% em apenas dois meses em Belo Horizonte e região.
Em pesquisa divulgada em 23 de fevereiro, O TEMPO detalhou que, entre os produtos que mais subiram de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026, seis eram variações de feijão. Em um dos exemplos, o preço saltou de R$ 5,28 para R$ 6,95, alta de 31,63% em uma das marcas pesquisadas.
A explicação central para a alta, segundo analistas do setor, está na redução e irregularidade da oferta, influenciada pelo clima e pelo calendário de plantio e colheita.
Em Minas Gerais, a analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Marotta, apontou a O TEMPO que houve atraso na primeira etapa da safra por causa das chuvas e que, se houver novo atraso na segunda etapa, os preços podem seguir pressionados.
No cenário nacional, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) atualizou em fevereiro de 2026 a projeção para a safra 2025/26 e indicou produção de feijão próxima de 3 milhões de toneladas, considerando as três safras, em boletim divulgado pela estatal.
Reportagem da CNN Brasil também chamou atenção para 2026 ao destacar estoques baixos de feijão-carioca, em patamar equivalente a cerca de 15 dias de consumo, abaixo do padrão histórico mencionado. Esse quadro aumenta o risco de maior volatilidade e repasses ao varejo.
No orçamento doméstico, a alta pesa porque o feijão é item recorrente na compra do mês. Variações entre 10% e 30% em poucos meses tendem a pressionar o gasto com alimentação em casa, sobretudo para famílias que consomem o produto diariamente.
As pesquisas também indicam grande diferença de preços entre supermercados, o que abre espaço para economia com comparação de valores antes da compra.
Em meio à escalada do feijão carioca, o Ipead/UFMG sugeriu, na reportagem, uma estratégia de contenção de gastos: compra em quantidade moderada e substituição temporária pelo feijão preto quando este estiver mais barato e com melhor oferta no mês.
Para os próximos meses, o comportamento dos preços deve depender principalmente da evolução da safra em Minas Gerais, especialmente da segunda etapa e do ritmo de entrada do produto no mercado. Sem uma “entrada volumosa” de feijão, a avaliação citada pelo Ipead/UFMG é de que a tendência é de manutenção de valores elevados no médio prazo.
Também será importante acompanhar novas atualizações de safra e mercado da Conab e indicadores de oferta e estoques, que ajudam a antecipar períodos de maior pressão sobre os preços ao consumidor.
Enquanto isso, a recomendação ao consumidor é reforçar a pesquisa de preços: comparar marcas, observar diferenças entre estabelecimentos e ficar atento às promoções semanais, já que os levantamentos locais apontam uma dispersão relevante de valores entre supermercados.