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Um novo foco de influenza aviária altamente patogênica (H5) em uma granja comercial na província de Buenos Aires acendeu o sinal de alerta na Argentina e no mercado internacional. Confirmado pelo serviço sanitário oficial em 23 de fevereiro de 2026, o caso ocorre às vésperas da retomada das exportações de carne de frango argentina para a União Europeia, prevista para 1º de março, e pode travar a reabertura do mercado europeu ao produto do país.
Novo surto de gripe aviária atinge a Argentina e ameaça retomada de vendas para a UE
Foto: Canva Banco de imagens
De acordo com o serviço de sanidade, o surto foi identificado em um estabelecimento de produção de aves na localidade de Ranchos, na província de Buenos Aires, após notificação de sinais clínicos e alta mortalidade no plantel. As amostras foram analisadas no laboratório oficial do órgão, em Martínez, que confirmou a presença de influenza aviária altamente patogênica (H5).
Com a confirmação, foi acionado o plano de contingência. A granja foi imediatamente interditada e foram estabelecidas duas áreas de controle: um “perifoco” de 3 quilômetros ao redor da propriedade e uma zona de vigilância de 7 quilômetros, com reforço de medidas de contenção, biossegurança e restrição de movimentação de aves e materiais.
Também estão previstas ações de despovoamento (abate sanitário) e desinfecção completa do local, seguindo o protocolo oficial para esse tipo de ocorrência.
No mesmo comunicado, o serviço sanitário informou que fará a notificação do foco à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e que haverá suspensão temporária das exportações para países que mantêm acordos sanitários baseados no status de país “livre” da doença. A Argentina, porém, pode seguir exportando para destinos que aceitam estratégias de zonificação ou compartimentos, que restringem as medidas a áreas específicas em vez de todo o território nacional.
O caso foi registrado em um momento considerado sensível pelas autoridades. Em 9 de fevereiro de 2026, o governo argentino havia informado que a União Europeia publicou o Regulamento (UE) 2026/278, permitindo a retomada das exportações de carne aviar argentina ao bloco a partir de 1º de março de 2026, após a recuperação do status sanitário do país.
Com o novo foco confirmado em 23 de fevereiro, a reabertura anunciada para 1º de março passa a ficar sob risco de revisão, atrasos ou novas condicionantes, dependendo de decisões formais da União Europeia e dos trâmites sanitários internacionais. Até o momento descrito, a confirmação oficial disponível se restringe ao registro do foco, às medidas internas de controle e à indicação de suspensão temporária de exportações para mercados que exigem status nacional de país livre.
O alerta oficial divulgado em 23 de fevereiro de 2026 indica que, se não surgirem novos focos em estabelecimentos comerciais e após pelo menos 28 dias das ações de sacrifício, limpeza e desinfecção, a Argentina poderá se autodeclarar livre de influenza aviária perante a OMSA. A partir daí, o país tentaria restabelecer plenamente sua condição sanitária e reativar exportações para os mercados que exigem esse status.
O órgão também reforçou recomendações de biossegurança para granjas industriais e produtores de aves de subsistência, além de orientar a notificação imediata de qualquer suspeita de doença em aves.
No curto prazo, a principal consequência apontada é a possibilidade de suspensão temporária de exportações para destinos que exigem status nacional de país livre. Esse movimento tende a afetar embarques e contratos, sobretudo em mercados com regras sanitárias mais rígidas.
No caso específico da União Europeia, que havia autorizado a retomada das compras de carne aviar argentina a partir de 1º de março, o foco detectado em 23 de fevereiro pode levar a uma reavaliação do cronograma e das condições de certificação sanitária. As eventuais decisões sobre manutenção da reabertura, adiamento ou imposição de novas restrições ainda dependem de atos e comunicações oficiais europeias.
Embora o surto tenha ocorrido em território argentino, episódios de influenza aviária na região costumam elevar o nível de vigilância em países vizinhos e podem influenciar negociações sanitárias, exigências de certificação e a percepção de risco por parte de importadores.
Para o consumidor, as autoridades sanitárias reiteram que a doença não é transmitida pelo consumo de carne de aves e ovos, desde que os produtos sejam adequadamente manipulados e bem cozidos, conforme mencionado no comunicado oficial.
Os desdobramentos do novo surto de gripe aviária na Argentina e seu impacto sobre a retomada das vendas de carne aviar para a União Europeia dependem de três eixos principais: a evolução do foco em Ranchos e a eventual detecção de novos casos em granjas comerciais; a tramitação da notificação junto à OMSA e a contagem de prazos para a possível autodeclaração de país livre; e a posição formal da União Europeia e de outros parceiros comerciais sobre a manutenção, flexibilização ou endurecimento das regras para importação de produtos avícolas argentinos.
Também será decisivo acompanhar eventuais medidas adicionais de controle e restrições anunciadas por mercados que adotam critérios mais estritos para o status sanitário nacional.