Ibovespa renova recordes e dólar cai no início de 2026, mas eleição deve trazer volatilidade

Bolsa acumula alta de 18,96% no ano e moeda recua 7,50% com fluxo estrangeiro e Petrobras em alta; analistas apontam riscos fiscais e políticos à frente

24/04/2026 às 15:53 por Redação Plox

O primeiro terço de 2026 chega ao fim com saldo positivo para os mercados brasileiros, mesmo com um ambiente externo mais tenso. A continuidade do conflito entre Irã e Estados Unidos pressionou o preço do petróleo, mas, até aqui, o Brasil conseguiu atravessar o período sem impactos mais graves — embora a dúvida central seja por quanto tempo essa resiliência pode se manter. 


Mercado brasileiro tem saldo positivo no primeiro terço do ano.

Foto: Reprodução / SBT NEWS


Bolsa em alta e dólar em queda marcam o início do ano

O Ibovespa vem batendo recordes sucessivos na esteira da boa performance do S&P, fluxo de estrangeiros e da alta da Petrobras, cujo desempenho tem sido positivamente influenciado pelo aumento nos preços do petróleo. A extensão dependerá, em boa medida, de como o conflito entre os Estados Unidos e o Irã se desenrolará ao longo do tempo

Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg

No acumulado de 2026, a Bolsa registra alta de 18,96%, enquanto o dólar recuou 7,50%. O fluxo cambial acumulado no ano, até 17 de abril, chegou a R$ 65 bilhões, acima do volume somado de 2024 e 2025.

O petróleo avançou 66,10%, a US$ 95,21, e o DI para 2027 foi a 13,44%. Para o economista André Perfeito, o cenário internacional entra em uma fase de forte instabilidade, com potencial de pressionar a inflação inclusive no Brasil.

Na avaliação da economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, a piora na percepção de risco sobre os Estados Unidos pode favorecer países como o Brasil, ao atrair investimentos que, em outro contexto, poderiam ir para a potência norte-americana.

Real ganha força com fluxo estrangeiro e juros altos

Entre os analistas, há consenso de que o forte ingresso de capital estrangeiro tem sustentado o real, junto com o diferencial de juros: a Selic está em 14,75%. Raíssa Florence, economista e sócia da OZ Câmbio, atribui a queda do dólar principalmente ao fluxo externo, que amplia a entrada de divisas e fortalece a moeda brasileira, além de reduzir, no curto prazo, a percepção de risco associada a fatores geopolíticos.

Flávio Serrano acrescenta que a Selic elevada também pesa sobre o cenário doméstico, ao contribuir para um câmbio forte, desaceleração da atividade e aumento do endividamento das famílias.

Para Pedro Persichetti, sócio da Sail Capital, o enfraquecimento do dólar não é um fenômeno restrito ao Brasil, mas um movimento global. Segundo ele, cresce o questionamento sobre os Estados Unidos como porto seguro, o que reduz a demanda pela moeda norte-americana e estimula a diversificação dos investimentos.

Brasil melhora, mas ainda não é “a bola da vez”

Apesar do momento favorável, analistas avaliam que o Brasil não chega a ser “a bola da vez”. Quartaroli afirma que há uma percepção de melhora do ambiente interno, mas sem espaço para apostar em um crescimento acelerado de forma sustentada.

Persichetti pondera que esse protagonismo tende a ser cíclico e depende da manutenção de um cenário externo favorável e da continuidade do fluxo internacional. Ele também lembra que desafios fiscais e políticos podem mudar rapidamente a percepção de risco.

Já André Perfeito avalia que, diante da combinação de fatores externos, o Brasil acaba se beneficiando por “WO”, sustentado pela estabilidade geopolítica regional e pelo saldo comercial.

Cenário eleitoral deve aumentar a volatilidade no segundo semestre

Com a aproximação do período eleitoral, a avaliação é de que o mercado deve entrar em um “modo eleição”, com aumento da volatilidade na Bolsa, no câmbio e nos juros. Persichetti aponta que, à medida que o processo avança, cresce a incerteza sobre a condução da política econômica, sobretudo em temas fiscais e reformas.

Segundo ele, nesse ambiente, os ativos tendem a oscilar não apenas diante de fatos concretos, mas também das expectativas geradas por pesquisas, discursos e sinalizações de candidatos — um comportamento mais forte em papéis e indicadores sensíveis ao cenário doméstico.

Projeções para inflação, PIB, câmbio e juros

No Boletim Focus, as estimativas para 2026 apontam IPCA de 4,80%, PIB de 1,86%, dólar a R$ 5,30 e Selic a 13,00%. Para 2027, a projeção é de IPCA de 3,99%, PIB de 1,80%, dólar a R$ 5,35 e Selic a 11,00%.

Entre projeções citadas, o Itaú estima, para 2026, IPCA de 4,50%, PIB de 1,9%, dólar a R$ 5,40 e Selic a 13,00%. A Warren Rena também projeta IPCA de 4,50% e Selic de 13%.

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