Usiminas reporta EBITDA ajustado de R$ 653 milhões e lucro líquido de R$ 896 milhões no 1T26

Companhia atribui melhora a mix de produtos, redução de custos e maior competitividade; projeção é de trimestre seguinte relativamente estável, com recuperação de volume na mineração e custos logísticos maiores.

24/04/2026 às 19:46 por Redação Plox

A Usiminas divulgou nesta sexta-feira (24/4) os resultados do 1º trimestre de 2026, com avanço nos principais indicadores. Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado principalmente pela melhoria do mix de produtos, redução de custos e fortalecimento da competitividade.

Fwd: Usiminas divulga resultados do 1T26 com avanços nos números

Foto: Divulgação

O EBITDA Ajustado Consolidado somou R$ 653 milhões, alta de 56% em relação ao 4T25 (R$ 417 milhões) e queda de 11% frente ao 1T25 (R$ 733 milhões). A margem EBITDA ficou em 11%, acima dos 7% do trimestre anterior e em linha com o 1T25.

Lucro salta e receita recua no trimestre

O lucro líquido atingiu R$ 896 milhões, crescimento de 596% na comparação com o 4T25 (R$ 129 milhões) e aumento de 166% ante o 1T25 (R$ 337 milhões). A empresa atribui o resultado à evolução operacional e ao desempenho financeiro, beneficiado por ganhos cambiais líquidos no período.

Já a receita líquida alcançou R$ 5,9 bilhões, queda de 5% em relação ao 4T25 (R$ 6,2 bilhões) e de 14% na comparação com o 1T25 (R$ 6,9 bilhões), refletindo recuo nas unidades de Siderurgia e Mineração.

Caixa líquido e fluxo de caixa livre positivo

A Usiminas encerrou o trimestre com Caixa Líquido de R$ 391 milhões e alavancagem de -0,20x (Dívida Líquida/EBITDA), em indicação de solidez do balanço e disciplina financeira. O Fluxo de Caixa Livre foi positivo em R$ 84 milhões, mesmo com CAPEX de R$ 285 milhões no período.

Presidente cita eficiência e cenário desafiador

Para o presidente da Usiminas, Marcelo Chara, os números refletem o compromisso da equipe com a geração de valor sustentável.

Estamos trabalhando fortemente para melhorar o retorno para os nossos stakeholders, por meio da busca contínua por eficiência operacional, disciplina na alocação de capital, otimização do mix de produtos e fortalecimento das relações comerciais. Seguimos confiantes na capacidade do nosso time de capturar as oportunidades geradas pelo novo cenário competitivo e entregar resultados cada vez mais consistentes

Marcelo Chara

Para os próximos trimestres, Chara avalia que o cenário tende a ser desafiador, principalmente pelos efeitos adversos da Guerra do Irã sobre a economia global e brasileira, com destaque para o aumento do preço do petróleo e do gás natural, pressão inflacionária, queda mais lenta das taxas de juros e risco de disrupção nas cadeias de suprimentos, especialmente no transporte marítimo.

Mesmo com esse ambiente, a empresa aponta expectativa de resultados operacionais consolidados relativamente estáveis no próximo trimestre. Na Siderurgia, o volume de vendas deve permanecer no mesmo patamar, com dinâmica positiva no segmento automotivo e mais desafiadora nos segmentos comerciais, diante do alto nível de importação observado no 1T26. Na Mineração, a expectativa é de recuperação no volume de vendas, com aumento dos custos logísticos por maiores preços do diesel e do frete marítimo.

Medidas antidumping mudam dinâmica do aço no Brasil

O primeiro trimestre de 2026 foi marcado por mudanças na dinâmica comercial do aço no país. Em fevereiro, o governo brasileiro aplicou direitos antidumping sobre importações de aços laminados a frio e aços revestidos. De acordo com a empresa, as ações começaram a alterar o ambiente competitivo, sinalizando maior defesa da indústria doméstica frente a práticas comerciais desleais.

Diante dessas medidas, importadores reagiram internalizando um volume expressivo de aço em fevereiro, elevando temporariamente os estoques de material importado no mercado brasileiro. A expectativa, segundo o texto divulgado, é de normalização desses estoques nos próximos meses.

Além do que já foi implementado, a empresa informa que está em fase final a investigação de laminados a quente da China, com expectativa de conclusão dentro da data divulgada de julho/26. A avaliação é de que as medidas de defesa comercial devem ter continuidade, considerando que o antidumping é exclusivo da China, mas já há importações a preços subsidiados de outros países da Ásia.

Siderurgia: EBITDA avança e volumes recuam

Na Siderurgia, o EBITDA Ajustado foi de R$ 544 milhões, alta de 140% em relação ao trimestre anterior. O avanço foi puxado pelo aumento de 4,9% na receita líquida por tonelada — efeito de melhores preços e do mix de vendas, com destaque para o aumento das vendas ao segmento automotivo — e pela redução de 1,8% no Custo de Produtos Vendidos por tonelada (CPV/t), beneficiada pela desvalorização do dólar frente ao real.

A produção de aço bruto somou 729 mil toneladas, queda de 7% ante o 4T25 (785 mil toneladas) e de 6% em relação ao 1T25 (773 mil toneladas). As vendas totalizaram 1.007 mil toneladas no 1T26, recuo de 7% frente ao 4T25 (1.081 mil toneladas) e de 8% na comparação com o 1T25 (1.093 mil toneladas).

Mineração: EBITDA recua e chuvas afetam produção

Na Mineração, o EBITDA Ajustado foi de R$ 111 milhões nos três primeiros meses de 2026, uma redução de 40,1% frente ao 4T25 (R$ 185 milhões), além de queda em relação ao 1T25 (R$ 125 milhões).

O volume de produção alcançou 1,9 milhão de toneladas, baixa de 18% em relação ao 4T25 e de 10% na comparação com o 1T25. A empresa atribui o desempenho a chuvas mais intensas e contínuas no período, que alteraram as características do material processado e reduziram a eficiência operacional, além de ajustes para priorizar áreas de maior produtividade.

Investimentos seguem com projetos prioritários

Entre os investimentos, a empresa informa que seguem em andamento projetos considerados prioritários, como a planta de PCI (Pulverized Coal Injection), com finalização prevista para o segundo semestre de 2026, mas com benefícios já sendo capturados ao longo do primeiro trimestre. Também estão na lista a reconstrução e reparo a quente das baterias de coque e a construção do novo gasômetro.

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