Luciano Huck critica desenho do Bolsa Família e diz que programa não incentiva saída da dependência

No 5º Fórum Esfera, no Guarujá (SP), apresentador defendeu mecanismos para estimular mobilidade social e citou dados da OCDE sobre o tempo para famílias mais pobres alcançarem a renda média.

24/05/2026 às 15:26 por Redação Plox

Luciano Huck criticou o desenho atual do Bolsa Família durante participação no 5º Fórum Esfera, realizado no Guarujá, em São Paulo. Em fala para empresários e lideranças políticas, o apresentador afirmou que o programa de transferência de renda não cria estímulos suficientes para que famílias deixem a condição de dependência do benefício.

Ao citar Senhor do Bonfim, na Bahia, Huck disse que a cidade teria forte peso do Bolsa Família na economia local e defendeu a criação de mecanismos para incentivar mobilidade social.

Luciano Huck criticou o desenho atual do Bolsa Família

Foto: Lyon Santos/ MDS


Você não gera nenhum tipo de estímulo para que as famílias queiram sair do Bolsa Família afirmou o apresentador, segundo registro do evento.

Mobilidade social entrou no centro da fala

Na mesma participação, Huck relacionou o tema à baixa mobilidade social no país. Ele citou estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, segundo o qual crianças nascidas entre os 10% mais pobres no Brasil podem levar nove gerações para alcançar a renda média nacional. O dado foi divulgado pela Agência Brasil com base em relatório da OCDE.

O apresentador também defendeu que o país precisa enfrentar a falta de oportunidades fora da polarização política. Em outro trecho da fala, ele afirmou que o Brasil é

muito ineficiente
e disse acreditar na política como instrumento de transformação, apesar de criticar problemas de execução do Estado.

Programa atende mais de 19 milhões de famílias

O Bolsa Família é apresentado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social como o maior programa de transferência de renda do país, voltado a famílias em situação de pobreza e articulado com políticas de saúde, educação, assistência social e trabalho. Em maio, o programa alcança 19,08 milhões de famílias, com gasto estimado em R$ 12,9 bilhões e valor médio de R$ 678,01, segundo informações do MDS divulgadas pela Agência Brasil.

O governo federal também mantém a chamada Regra de Proteção, mecanismo que permite que famílias que elevam a renda continuem recebendo parte do benefício por um período de transição, desde que respeitados os limites previstos. Em maio, cerca de 2,26 milhões de famílias estavam nessa regra, de acordo com a Agência Brasil.

Até a última atualização, não havia registro de resposta pública do Ministério do Desenvolvimento Social especificamente às declarações de Luciano Huck no Fórum Esfera.

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