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A Anvisa emitiu um alerta de farmacovigilância para reforçar os riscos do uso indevido das chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP‑1, como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida. O comunicado chama atenção para o risco de eventos adversos graves, com destaque para a pancreatite aguda, condição que pode exigir internação e, em situações extremas, levar à morte.
Canetas emagrecedoras
Foto: Reprodução / Freepik.
Em paralelo ao alerta sanitário, uma reportagem de TV também publicada pelo portal R7 informou que, entre 2021 e 2025, foram registradas 537 internações relacionadas ao uso dessas canetas no Brasil, principalmente por quadros de pancreatite e outros problemas digestivos.
O alerta da Anvisa, divulgado em 9 de fevereiro de 2026, foi motivado pelo aumento das notificações de suspeitas de eventos adversos envolvendo agonistas de GLP‑1, sobretudo quando utilizados fora das indicações aprovadas em bula e sem acompanhamento profissional.
De acordo com a agência, a pancreatite aguda já consta como risco previsto em bula, mas o uso indiscriminado — como em tratamentos para emagrecimento sem necessidade clínica estabelecida — eleva a probabilidade de complicações e pode atrasar o diagnóstico precoce. Esse contexto reforça a preocupação com o crescimento do uso das “canetas emagrecedoras” como estratégia rápida de perda de peso.
Já o dado de mais de 500 internações aparece em conteúdo jornalístico do R7, que atribui à Anvisa o registro de 537 internações entre 2021 e 2025, com predominância de mulheres e causas associadas à pancreatite e a problemas digestivos. Essa informação é apresentada como informação jornalística e pode depender de critérios próprios para definir o que são “internações relacionadas” ao uso desses medicamentos.
No alerta, a Anvisa recomenda que usuários procurem atendimento médico imediato diante de dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e ser acompanhada de náuseas e vômitos, sintomas compatíveis com pancreatite.
Para profissionais de saúde, a orientação é interromper o tratamento sempre que houver suspeita da doença e não reiniciar o medicamento se o diagnóstico for confirmado, além de registrar os eventos adversos no sistema VigiMed.
Para tentar conter o uso sem controle, a agência relembra que estabeleceu regras mais rígidas para a venda desses produtos, como a necessidade de prescrição em duas vias e retenção de receita na farmácia ou drogaria, com validade de até 90 dias. A medida, anunciada em 2025, busca reduzir o acesso irregular e reforçar o acompanhamento médico.
Para quem usa ou considera usar agonistas de GLP‑1, a principal mensagem é que não se trata de uma “medicação estética” de livre escolha. O risco de efeitos adversos graves existe e aumenta quando o medicamento é utilizado fora da indicação em bula e sem supervisão profissional.
Entre os sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata estão a dor abdominal forte e persistente (com ou sem irradiação para as costas), além de náuseas e vômitos. A identificação precoce desses sintomas é considerada fundamental para evitar complicações mais graves.
Com maior controle regulatório, a tendência é de fiscalização mais rígida e de exigência de receita retida, o que dificulta a aquisição irregular. Ao mesmo tempo, o aumento da demanda por “canetas emagrecedoras” abre espaço para a expansão de um mercado paralelo, com vendas por canais não regularizados.
Frente a esse cenário, a orientação é clara: comprar esses medicamentos apenas em estabelecimentos regularizados e sempre com prescrição, evitando fontes clandestinas e automedicação.
A expectativa é acompanhar se a Anvisa irá detalhar, em notas técnicas ou balanços, a metodologia de coleta e a consolidação dos dados sobre internações e eventos adversos associados a agonistas de GLP‑1 no país.
Também deve haver atenção a possíveis novas ações de fiscalização e a orientações dirigidas a profissionais de saúde, em especial quanto à notificação de casos no VigiMed e às condutas diante de suspeita de pancreatite.
Para o público em geral, a recomendação prática é não iniciar o uso, não ajustar doses e não trocar de medicamento por conta própria. Qualquer complicação abdominal importante deve ser motivo para buscar atendimento médico imediato.