Governo vai repassar R$ 800 por desabrigado após chuvas na Zona da Mata

Região enfrenta 31 mortes confirmadas, 38 desaparecidos e centenas de famílias fora de casa; Inmet alerta para novos temporais e volumes acima de 100 mm em 24 horas

25/02/2026 às 08:38 por Redação Plox

O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, anunciou nesta terça-feira (24) que o governo federal fará um repasse de R$ 800 por pessoa desabrigada na Zona da Mata de Minas Gerais, região duramente afetada pelas chuvas desde a noite de segunda-feira (23). Até a manhã desta terça (25), eram 31 mortes confirmadas, 38 pessoas desaparecidas, 200 desabrigados e 400 desalojados.


Chuvas devastaram Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata

Chuvas devastaram Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata

Foto: (Tânia Rêgo/Agência Brasil_


De acordo com Alckmin, o dinheiro será enviado às prefeituras para a compra de itens básicos de necessidade das vítimas, como colchões, mantimentos e roupas. O repasse será feito pelo Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) diretamente aos municípios, responsáveis pelos cadastros das famílias desabrigadas e desalojadas.

Dos 38 desaparecidos, 36 são em Juiz de Fora e dois em Ubá. Segundo o Corpo de Bombeiros, 62 agentes atuam nas buscas e atendimentos em Juiz de Fora, enquanto outros 49 estão mobilizados em Ubá. Mais 14 bombeiros foram enviados para Matias Barbosa, na mesma região, onde não há mortes confirmadas até o momento. As forças de resgate estaduais ainda registram ocorrências de pessoas soterradas.

Benefícios antecipados e reforço federal no socorro

Alckmin também confirmou a antecipação do pagamento do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para moradores da região atingida. O governo federal reconheceu o estado de calamidade pública em Juiz de Fora, o que permite o início imediato das ações de socorro e da ajuda humanitária.

Todo apoio será dado, a questão mais urgente é o socorro às vítimas. Então, Defesa civil, Ministério da Defesa, Exército, Saúde, todo mundo [está] trabalhando – Geraldo Alckmin

O ministro do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e o ministro em exercício da Saúde, Adriano Massuda, estão na Zona da Mata para acompanhar de perto o trabalho de resgate. Equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), técnicos da Defesa Civil e militares do Exército ajudam as forças estaduais e municipais nas operações.

A previsão é de que novos temporais persistam na região até sexta-feira (27), mantendo o cenário de alerta.

Fevereiro mais chuvoso da história em Juiz de Fora

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) atribui os temporais à atuação de um cavado atmosférico, que mantém as precipitações em Minas Gerais. Em Juiz de Fora, a Defesa Civil informa que este é o fevereiro mais chuvoso da história da cidade, com 584 milímetros acumulados.

Ao todo, 13 vítimas foram resgatadas e levadas ao pronto-socorro, e 440 pessoas estão desabrigadas no município. Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (24), a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, orientou moradores de áreas classificadas como vulneráveis, com nível quatro de risco, a deixarem suas casas e procurarem abrigo seguro disponibilizado pela prefeitura. Ela também recomendou que quem está em locais sem risco evite sair de casa, devido à possibilidade de alagamentos e deslizamentos nas vias.

Durante o temporal, o Rio Paraibuna e córregos da região transbordaram, provocando alagamentos em ruas. Foram registrados desabamentos de imóveis e deslizamentos de terra, com casos de pessoas soterradas.

Alerta para volumes extremos de chuva em Minas

As chuvas devem continuar em Minas Gerais até a próxima sexta-feira (27), principalmente na Zona da Mata e no Vale do Rio Doce, segundo o Inmet. O meteorologista Lizandro Gemiacki explica que o estado está sob influência de uma área de instabilidade associada a um cavado atmosférico.

Esse sistema de baixa pressão atua em diferentes pontos do Sudeste e favorece tanto chuvas contínuas, por horas seguidas, quanto pancadas mais intensas no fim da tarde e à noite, com possibilidade de rajadas de vento e trovões. Embora todo o território mineiro registre precipitações, os maiores acumulados são esperados justamente na Zona da Mata e no Vale do Rio Doce.

Há aviso vermelho para essas regiões, com risco de acumulados acima de 100 milímetros em 24 horas, o que indica perspectiva de grandes volumes de chuva até o fim da semana.

Rastro de destruição na Zona da Mata

O forte temporal que atingiu cidades da Zona da Mata mineira soterrou casas, arrastou carros, causou alagamentos e deixou um rastro de destruição. Em Ubá, um prédio desabou na região central do município. Relatos enviados ao portal BHAZ descrevem um cenário de caos, com pedidos de botes para resgate de pessoas ilhadas e informações sobre desaparecidos.

Em Juiz de Fora, uma mãe foi resgatada na manhã desta terça-feira (24) após um deslizamento atingir o bairro Paineiras. O salvamento ocorreu em meio às enchentes que atingem a cidade desde a noite de segunda-feira (23). No imóvel, estavam cinco pessoas: três adultos e duas crianças.

Outro caso grave foi registrado em Ubá, onde um asilo de idosos, o Lar João Freitas, localizado na área central, foi invadido por uma enxurrada durante a chuva histórica que atinge a região. Imagens mostram idosos sendo amparados sobre as camas em meio à água que tomou conta do local.

A Prefeitura de Juiz de Fora reforçou que este é o fevereiro mais chuvoso da história do município, com volume acumulado de 584 milímetros, mais que o dobro do esperado para o mês. Diante da destruição provocada pelas chuvas intensas, o Executivo decretou estado de calamidade pública e suspendeu as aulas nas creches e escolas municipais.

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