Câmara aprova PL Antifacção com penas de até 40 anos e texto segue para sanção de Lula

Projeto cria novo tipo penal, define facção criminosa e amplia medidas como prisão preventiva, bloqueio de bens e regras para líderes em presídios federais

25/02/2026 às 12:23 por Redação Plox

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, o projeto de lei conhecido como PL Antifacção, que endurece as regras de combate às organizações criminosas no país. A proposta, de autoria do Poder Executivo, segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.



Tramitação marcada por embates e mudanças

Ao longo da tramitação, o texto passou por mudanças e por embates entre base governista e oposição. Na Câmara, o relator foi o deputado Guilherme Derrite, que apresentou oito versões diferentes do projeto. A escolha do parlamentar para a relatoria provocou desconforto entre aliados do governo e gerou tensões entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o Palácio do Planalto.


O projeto havia sido alterado pelo Senado, mas a Câmara reverteu parte dessas mudanças e retomou, em grande medida, o conteúdo originalmente aprovado pelos deputados.

Definição de facção e penas mais duras

A proposta cria um novo tipo penal, define o conceito de facção criminosa e estabelece penas que podem variar de 20 a 40 anos de prisão para crimes como integrar, financiar ou comandar esses grupos. 


O texto também prevê que a participação em facção criminosa seja fundamento suficiente para a decretação de prisão preventiva, reforçando o caráter mais rígido do pacote.

Regras para investigação e confisco de bens

O projeto estabelece prazos específicos para a atuação da polícia, do Ministério Público e do Judiciário em investigações envolvendo organizações criminosas, buscando acelerar a tramitação desses casos.


Outro ponto é o reforço nos mecanismos de bloqueio e confisco de bens, com destinação dos recursos aos fundos nacional e estaduais de segurança pública, em casos de operações conjuntas.

Presídios federais, direitos políticos e benefícios

Entre as medidas retomadas pela Câmara estão a previsão de cumprimento de pena em presídios federais de segurança máxima para líderes de facções, a restrição ao direito de voto de presos envolvidos com esses grupos e o corte de auxílio-reclusão para familiares de chefes de organizações criminosas.

Taxação das apostas fica para outro projeto

Ficou de fora do texto a criação de um tributo sobre apostas esportivas, as chamadas “bets”, que seria destinado ao financiamento da segurança pública. A proposta de taxação, que poderia gerar arrecadação estimada em cerca de 30 bilhões de reais por ano, foi retirada após a aprovação de um destaque e deve tramitar em projeto separado.


Nova lista do Ministério da Fazenda autoriza 205 bets, que pertencem a 93 empresas, a operarem nacionalmente até dezembro, e libera 18 sites de atuarem em nível estadual.

Nova lista do Ministério da Fazenda autoriza 205 bets, que pertencem a 93 empresas, a operarem nacionalmente até dezembro, e libera 18 sites de atuarem em nível estadual.

Foto: Reprodução / Agência Brasil.


Próximos passos

Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que a aprovação do projeto representa um avanço no enfrentamento às facções criminosas e que o texto fecha possíveis brechas jurídicas que poderiam gerar impunidade.


Com a aprovação na Câmara, o PL Antifacção aguarda agora a sanção presidencial para entrar em vigor.

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