Pesquisa da USP aponta potencial da própolis verde contra Alzheimer e Parkinson

Estudo de doutorado identificou que compostos como artepelina C e bacarina podem proteger células nervosas e estimular conexões entre neurônios em testes in vitro

25/02/2026 às 12:38 por Redação Plox

Uma pesquisa de doutorado conduzida na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da Universidade de São Paulo (USP) identificou que compostos presentes na própolis verde, substância produzida por abelhas, têm potencial de atuação contra doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

Estudo em laboratório demonstrou que compostos da substância produzida por abelhas estimulam a regeneração e adaptação de neurônios.

Estudo em laboratório demonstrou que compostos da substância produzida por abelhas estimulam a regeneração e adaptação de neurônios.

Foto: Natucentro/Divulgação.


Os testes foram realizados em laboratório e os resultados foram divulgados em artigo científico na revista Chemistry & Biodiversity.

Os cientistas observaram que determinados compostos da própolis verde podem proteger células nervosas contra danos e morte celular, sugerindo a inibição de processos associados à degeneração neurológica.



A pesquisa envolveu a extração de dois compostos principais, a artepelina C e a bacarina. Os estudos mostraram que essas moléculas podem estimular os neurônios a se diferenciarem, estabelecerem conexões e evitarem a perda celular.


De forma simplificada, essas substâncias ajudam as células do cérebro a sofrerem menos com processos que causam danos, a manterem melhor seu funcionamento e a ativarem mecanismos naturais de adaptação. Com isso, as células tornam-se mais resistentes, capazes de se reorganizar e de formar novas conexões.

Resultados dos testes em laboratório

Foram realizados testes in vitro com células nervosas cultivadas em laboratório, que evidenciaram efeitos promissores das propriedades bioativas da própolis verde.

Os resultados indicam potencial para o desenvolvimento futuro de terapias voltadas a doenças neurológicas e reforçam a importância da própolis verde como fonte natural de compostos com atividade biológica relevante para a saúde do sistema nervoso.


O farmacêutico Gabriel Rocha Caldas, autor principal do estudo — fruto de sua pesquisa de doutorado orientada pelo professor Jairo Kenupp Bastos —, explica a ação apresentada pelos compostos:

Essas doenças têm em comum a perda progressiva de neurônios. Os compostos presentes na própolis verde mostraram potencial para ajudar na proteção das células do cérebro e em processos ligados à regeneração e adaptação dos neurônios.

Gabriel Rocha Caldas

O que diferencia a própolis verde

O fator que distingue a própolis verde da versão mais comum está na origem botânica. Enquanto a própolis marrom, mais conhecida, é resultado de uma extração polifloral — produzida a partir de uma mistura de resinas de diversas plantas —, a própolis verde tem como fonte a resina de uma única espécie vegetal: o alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia).


Por essa razão, alguns de seus compostos são exclusivos e demonstram propriedades de grande interesse para a pesquisa científica.

A própolis, de forma geral, é reconhecida por suas propriedades antissépticas, anti-inflamatórias, antifúngicas, antioxidantes e por atuar como uma espécie de antibiótico natural.


Produzida pelas abelhas como mecanismo de defesa e higiene da colmeia, a própolis serve para vedar frestas contra vento e chuva, reforçar a estrutura interna e embalsamar invasores mortos, impedindo sua decomposição.


Gabriel explica o motivo da escolha da própolis verde como foco da investigação científica:


A opção recaiu sobre um produto tipicamente brasileiro, rico em substâncias naturais e já conhecido por suas ações antioxidantes e anti-inflamatórias. Estudos anteriores indicavam que alguns compostos da própolis tinham potencial de proteger células, o que motivou a equipe a investigar se esses componentes poderiam atuar diretamente em células do sistema nervoso.

Desafios e próximos passos da pesquisa

De acordo com o pesquisador, para que os compostos específicos da própolis verde possam ser usados como medicamentos em tratamentos neurológicos, ainda são necessários estudos mais aprofundados para determinar dose adequada, segurança, forma de uso e eficácia em modelos mais complexos.

Ele ressalta também que, mesmo no uso como suplemento, a procedência e a qualidade do produto são fundamentais, já que a composição pode variar significativamente conforme a origem e o processo de produção.


O estudo reforça como o conhecimento sobre produtos naturais pode impulsionar o avanço da medicina, destacando o papel essencial das abelhas na produção de um composto com grande potencial científico.

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