Anvisa determina atualização das vacinas contra a Covid-19 usadas no Brasil

Imunizantes passarão a incluir a cepa LP.8.1 e deverão ser monovalentes, com transição para evitar desabastecimento

25/03/2026 às 12:56 por Redação Plox

As vacinas contra a Covid-19 usadas no Brasil passarão por uma atualização para acompanhar a variante do coronavírus que circula atualmente no país. A mudança foi determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e publicada no Diário Oficial da União (DOU) na terça-feira (24/3).

Pela decisão, os imunizantes deverão passar a incluir a cepa LP.8.1 do SARS-CoV-2. A nova regra também estabelece que as vacinas deverão ser monovalentes, ou seja, direcionadas a uma única variante do vírus, seguindo estratégias adotadas internacionalmente para manter os imunizantes alinhados às variantes predominantes.


Renato Kfouri explica por que vacinas contra Covid são atualizadas com novas variantes e como continuam protegendo contra casos graves

Renato Kfouri explica por que vacinas contra Covid são atualizadas com novas variantes e como continuam protegendo contra casos graves

Foto: Freepik


Anvisa determina mudança na composição

A atualização leva em conta a evolução constante do coronavírus. Dados recentes indicam que, até o início de março, mais de 36 mil casos de síndrome gripal associados à Covid-19 haviam sido registrados no país.

Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a adaptação faz parte da estratégia de proteção diante de um vírus que segue sofrendo mutações.

As vacinas vão sendo atualizadas para se aproximar cada vez mais da variante que está circulando. Mesmo quando não há coincidência perfeita entre o vírus da vacina e o vírus que circula, elas continuam oferecendo proteção importante, especialmente contra formas graves da doença

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

O que muda na prática

Com a nova determinação, os imunizantes contra a Covid-19 utilizados no Brasil deverão ter composição direcionada à variante LP.8.1. Atualmente, parte das vacinas disponíveis ainda utiliza a cepa JN.1.

Para evitar desabastecimento, a Anvisa autorizou um período de transição. Durante esse intervalo, vacinas baseadas na variante anterior ainda poderão ser usadas por alguns meses, enquanto os fabricantes ajustam os processos produtivos.

Atualizações seguem a evolução do vírus

A atualização periódica ocorre porque o SARS-CoV-2 continua evoluindo geneticamente. De acordo com Kfouri, esse comportamento faz com que a estratégia de vacinação contra a Covid-19 seja diferente da adotada para outras doenças respiratórias, como a gripe, já que o vírus não apresenta um padrão de circulação tão previsível.

Por isso, as vacinas contra a Covid tendem a ser atualizadas com base nas variantes mais recentes identificadas pela vigilância epidemiológica.

Imunização segue como principal forma de proteção

Mesmo com a mudança na composição, a vacinação permanece como uma das principais estratégias para reduzir casos graves. A gerente da Rede de Frio Central da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Tereza Luiza Pereira, reforça que a imunização é fundamental para prevenir hospitalizações e óbitos.

Kfouri também destaca que, ainda que possa haver redução na proteção contra infecção quando o vírus muda muito, a proteção contra hospitalização e morte tende a permanecer significativa.

No Brasil, a vacinação contra a Covid-19 é direcionada principalmente a grupos prioritários, como idosos, pessoas com comorbidades, imunossuprimidos e profissionais de saúde.

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