Dólar abre em queda com tombo do petróleo e mercado avalia tensões no Oriente Médio
Moeda recua a R$ 5,2207 enquanto o petróleo cai mais de 5%; governo discute alternativa para baratear diesel e ata do Copom indica juros restritivos por mais tempo
25/03/2026 às 09:08por Redação Plox
25/03/2026 às 09:08
— por Redação Plox
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O dólar começou esta quarta-feira (25) em queda, com recuo de 0,64% na abertura, cotado a R$ 5,2207. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tem início às 10h.
No exterior, o mercado segue atento ao petróleo, que registra forte baixa nesta quarta-feira diante de sinais de possível redução das tensões entre Estados Unidos e Irã. O recuo supera 5% e ocorre após declarações do presidente americano Donald Trump sobre avanços nas negociações e o adiamento de um prazo relacionado a usinas iranianas, elevando a expectativa de que o conflito possa perder intensidade.
Dólar, moeda norte-americana
Foto: Free Pik
Petróleo recua com expectativa de redução de tensões
Por volta das 9h (horário de Brasília), o barril do Brent caía 5,2%, a US$ 94,97 — abaixo dos cerca de US$ 104 registrados no dia anterior. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, recuava 5,3%, para US$ 87,44.
No Brasil, em meio às oscilações do petróleo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo apresentou aos Estados uma alternativa para reduzir o preço do diesel. Em vez de um corte direto no ICMS, a proposta prevê um subsídio a empresas importadoras do combustível, com a União assumindo metade do custo da medida.
Pesquisa aponta desaprovação ao governo e simula segundo turno
No cenário político, uma pesquisa divulgada pela AtlasIntel mostrou que 53,5% dos brasileiros desaprovam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 45,9% dizem aprovar a gestão.
O levantamento também simulou um eventual segundo turno nas eleições presidenciais. Nesse cenário, o senador Flávio Bolsonaro aparece com 47,6% das intenções de voto, ante 46,6% do presidente Lula.
Acompanhe os números do dia: dólar e Ibovespa
Dólar
Acumulado da semana: -1,29%;
Acumulado do mês: +2,07%;
Acumulado do ano: -4,53%.
Ibovespa
Acumulado da semana: +3,24%;
Acumulado do mês: -3,63%;
Acumulado do ano: +12,91%.
Petróleo volta a subir na terça após queda forte
O preço do petróleo voltou a subir na terça-feira (24), após a forte queda da véspera, em meio a novas incertezas sobre as negociações entre EUA e Irã e ao risco de interrupções no fornecimento global de energia.
Apesar de declarações de Donald Trump indicando possível avanço nas negociações, o Irã negou qualquer diálogo, e autoridades israelenses avaliaram que um acordo é improvável no curto prazo.
Com o conflito em andamento e o Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — ainda sob risco, investidores voltaram a precificar possíveis restrições na oferta.
Analistas avaliam que a situação segue frágil e que os preços de energia podem continuar elevados, mesmo em caso de trégua, mantendo a cautela nos mercados globais.
Ata do Copom indica juros restritivos por mais tempo
O Banco Central do Brasil avaliou que a guerra no Oriente Médio piorou o cenário da inflação no país, principalmente por causa da alta do petróleo e do possível repasse aos combustíveis. Por isso, indicou que a política de juros deve continuar em nível restritivo por mais tempo.
A análise consta na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que, na semana passada, fez o primeiro corte em quase dois anos.
Ainda assim, o BC evitou indicar com clareza os próximos passos e destacou que o ritmo de queda dos juros pode ser mais lento diante do aumento das incertezas. Segundo a autoridade monetária, as expectativas de inflação voltaram a subir com o conflito e permanecem acima da meta, o que exige cautela.
O banco também ressaltou que o cenário externo está mais volátil e que países emergentes, como o Brasil, precisam agir com prudência. Além disso, destacou que a economia brasileira dá sinais de desaceleração, embora o mercado de trabalho ainda esteja forte, e reforçou que seguirá avaliando novos dados antes de decidir os próximos movimentos na taxa de juros.
Mercados globais: Wall Street cai; Europa e Ásia têm alta
Em Wall Street, as bolsas fecharam em queda diante das incertezas sobre a guerra no Oriente Médio e a possibilidade de acordo envolvendo os EUA. No fechamento do pregão, o Dow Jones caiu 0,18%, aos 46.124,06 pontos. O S&P 500 recuou 0,37%, aos 6.556,37 pontos, e a Nasdaq teve baixa de 0,84%, aos 21.761,89 pontos.
Na Europa, os mercados encerraram a terça-feira com desempenho predominantemente positivo. O índice STOXX 600 avançou 0,46%, para 579,44 pontos. Em Frankfurt, o DAX registrou variação negativa de 0,07%, aos 22.636,91 pontos. Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,72%, para 9.965,16 pontos, e em Paris o CAC 40 avançou 0,23%, aos 7.743,92 pontos.
Na Ásia, as bolsas fecharam em alta na terça-feira, após Donald Trump adiar a ameaça de ataque ao Irã, o que trouxe alívio momentâneo aos mercados. Ainda assim, o ambiente seguiu cauteloso, já que Teerã negou qualquer negociação.
Depois das fortes quedas do dia anterior, os índices recuperaram parte das perdas. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 2,79%. Em Xangai, o SSEC avançou 1,78%, enquanto o CSI300 ganhou 1,28%. No Japão, o Nikkei teve alta de 1,4%, e, na Coreia do Sul, o Kospi subiu 2,74%. Em outros mercados, Taiwan caiu 0,34%, enquanto Cingapura avançou 0,44% e Sydney teve leve alta de 0,16%.
Entre os setores, bancos e empresas de materiais lideraram os ganhos, enquanto o setor de energia recuou. O movimento refletiu um alívio técnico após a queda recente, mas com incertezas ainda no radar dos investidores.