Terras raras, minerais críticos e estratégicos: entenda as diferenças e por que o Brasil ganha destaque
Recursos essenciais para a transição energética e a disputa geopolítica colocam o país em evidência, com grandes reservas em Minas Gerais e outros estados.
25/04/2026 às 14:26por Redação Plox
25/04/2026 às 14:26
— por Redação Plox
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Conhecidos pelo potencial de impulsionar a transição energética, terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos vêm ganhando protagonismo na economia e na geopolítica.
Apesar de aparecerem com frequência como se fossem sinônimos, os termos têm definições e usos diferentes — e isso ajuda a explicar por que esses recursos colocam o Brasil no radar global.
Brasil é destaque em Terras raras, minerais críticos e estratégicos.
Foto: Divulgação/Sigma Lithium
O que são terras raras e por que elas importam
De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), órgão do governo federal responsável por avaliar o potencial mineral do país, os Elementos Terras Raras (ETR) formam um grupo específico de 17 elementos químicos: 15 lantanídeos (como lantânio, cério, neodímio e disprósio), além de escândio e ítrio.
Apesar do nome, não são necessariamente raros na natureza. O que costuma dificultar a exploração econômica é o fato de estarem dispersos.
Ainda assim, são considerados essenciais para tecnologias de ponta, como turbinas eólicas, carros elétricos, baterias, eletrônicos e sistemas de defesa.
Minerais estratégicos e críticos: conceitos que variam por país
Os minerais estratégicos são aqueles considerados essenciais para o desenvolvimento econômico dos países, com relevância pela aplicação em produtos e processos de alta tecnologia, defesa e transição energética.
Já os minerais críticos são definidos a partir dos riscos associados ao suprimento. Entre os fatores citados estão concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica, limitações tecnológicas, interrupções no fornecimento e dificuldade de substituição.
Por isso, a definição do que é estratégico ou crítico depende de cada país e pode mudar ao longo do tempo, conforme avanços tecnológicos, descobertas geológicas, mudanças geopolíticas e a evolução da demanda.
Hoje, entre os exemplos mais comuns estão lítio, cobalto, grafita, níquel e nióbio.
Nesse contexto, as terras raras podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, conforme o cenário.
Em outras palavras: toda terra rara pode ser estratégica, mas nem todo mineral estratégico é terra rara.
Brasil: reservas e concentração geográfica
Segundo o SGB, o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas.
Isso corresponde a aproximadamente 23% das reservas globais, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
As terras raras no país estão concentradas principalmente em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe, onde estão os principais tipos de depósitos com potencial econômico.
Entre os minerais frequentemente classificados como críticos ou estratégicos em muitos países, o Brasil também se destaca por concentrar as maiores reservas de nióbio do mundo (94%), com 16 milhões de toneladas.
O país é ainda o segundo no ranking global de reservas de grafita (26%), com 74 milhões de toneladas, e o terceiro em reservas de níquel (12%), com 16 milhões de toneladas.
Lista oficial de minerais estratégicos no país
O Brasil mantém uma lista de minerais considerados estratégicos para o desenvolvimento interno, publicada na Resolução nº 2, de 18 de junho de 2021, do Ministério de Minas e Energia.
O documento divide os minerais em três grupos.
Precisam ser importados: enxofre, minério de fosfato, minério de potássio e minério de molibdênio.
Usados em produtos e processos de alta tecnologia: minério de cobalto, minério de cobre, minério de estanho, minério de grafita, minérios do grupo da platina, minério de lítio, minério de nióbio, minério de níquel, minério de silício, minério de tálio, minério de terras raras, minério de titânio, minério de tungstênio, minério de urânio e minério de vanádio.
Minerais com vantagem comparativa e geração de superávit na balança comercial: minério de alumínio, minério de cobre, minério de ferro, minério de grafita, minério de ouro, minério de manganês, minério de nióbio e minério de urânio.
Disputa global e o desafio da cadeia produtiva
Esses recursos passaram a ocupar um espaço central na disputa geopolítica.
Atualmente, a China lidera de forma ampla o refino e a produção de terras raras, o que aumenta a preocupação de outras potências, como Estados Unidos e União Europeia, que buscam diversificar fornecedores.
Nesse cenário, o Brasil aparece como um ator relevante.
Especialistas apontam que o desafio do país vai além da extração.
A cadeia produtiva envolve etapas complexas, como beneficiamento e refino, ainda pouco desenvolvidas no Brasil.
Sem isso, a tendência é o país continuar importando produtos de maior valor agregado, avalia o professor de Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Luiz Jardim Wanderley, especialista na interseção entre política, economia e mineração.
O Brasil mantém o mesmo padrão de dependência que teve ao longo de sua história. Foi assim com o ouro colonial, passando pelo ferro e até o petróleo. Servindo para o mundo como um país primário-exportador. A gente exporta muitos minerais e os consome muito pouco no mercado nacional
Luiz Jardim Wanderley
Impactos ambientais e sociais no debate
Além da dimensão econômica, o tema envolve questões ambientais e sociais.
A exploração mineral produz impactos significativos nos locais onde ocorre, como efeitos sobre recursos hídricos e pressão econômica nos municípios.
Para Wanderley, a atividade impõe custos ambientais e sociais relevantes e exige avaliação criteriosa sobre os resultados e as perdas associadas, considerando os efeitos socioambientais apontados no debate.