CCJ do Senado marca sabatina de Jorge Messias, indicado de Lula ao STF
Audiência está prevista para quarta-feira (29/4) e é considerada o principal filtro político antes da votação no plenário
25/04/2026 às 15:49por Redação Plox
25/04/2026 às 15:49
— por Redação Plox
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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deve realizar na próxima quarta-feira (29/4) a sabatina de Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A etapa é decisiva para destravar o nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e funciona como o principal filtro político antes da votação em plenário.
No modelo de freios e contrapesos, cabe ao Executivo fazer a indicação e ao Legislativo avaliar e decidir. Durante a sabatina na CCJ e a votação no plenário, os senadores analisam currículo, posições jurídicas e eventuais conflitos de interesse antes de autorizar a entrada do indicado na Corte.
Composição do STF quando Luís Roberto Barroso ainda integrava a Corte; a saída do ministro, em outubro de 2025, abriu a vaga que deve ser ocupada por Jorge Messias
Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF
Como funciona a aprovação no Senado
Para ser aprovado, o indicado precisa do aval de, no mínimo, 41 dos 81 senadores. Embora o rito preveja sabatina e votação, o resultado costuma ser construído a partir de acordos políticos prévios. Ainda assim, a passagem pela CCJ é o momento de maior exposição: é quando a oposição tende a explorar temas sensíveis e testar posições consideradas polêmicas.
Impacto no STF e perfil do indicado
A eventual confirmação de Messias altera a composição do STF, que atravessa um momento de desgaste. Se aprovado, ele poderá permanecer na Corte até 2055, considerando a aposentadoria compulsória aos 75 anos — hoje, ele tem 46.
Messias foi indicado para a vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025. O advogado-geral da União é evangélico e servidor público de carreira desde 2007.
Desde 1988, 30 ministros nomeados e baixa diversidade
Desde a redemocratização e a promulgação da Constituição de 1988, o STF teve 30 ministros nomeados. O perfil das escolhas indica baixa diversidade: nesse período, apenas três mulheres chegaram à Corte (Ellen Gracie, Cármen Lúcia e Rosa Weber) e houve um ministro negro (Joaquim Barbosa).
No terceiro mandato, Lula é o presidente que mais indicou ministros ao STF, com oito nomes (sem contar Messias). Na sequência aparecem Dilma Rousseff e José Sarney, com cinco indicações cada. Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso tiveram três nomes aprovados. Jair Bolsonaro indicou dois ministros, enquanto Itamar Franco e Michel Temer fizeram uma indicação cada.
Ministros indicados ao STF desde 1988, segundo a Agência Senado
Indicações de Luiz Inácio Lula da Silva (2023-2026)
Flávio Dino: aprovado pelo Senado por 47 votos a favor, 31 votos contra e 2 abstenções
Cristiano Zanin: aprovado pelo Senado por 58 votos a favor e 18 votos contra
Indicações de Jair Bolsonaro (2019-2022)
André Mendonça: aprovado pelo Senado por 47 votos a favor e 32 votos contra
Kassio Nunes: aprovado pelo Senado por 57 votos a favor, 10 votos contra e 1 abstenção
Indicações de Michel Temer (2016-2018)
Alexandre de Moraes: aprovado pelo Senado por 55 votos a favor e 13 votos contra
Indicações de Dilma Rousseff (2011-2016)
Edson Fachin: aprovado pelo Senado por 52 votos a favor e 27 votos contra
Luís Roberto Barroso: aprovado pelo Senado por 59 votos a favor e 6 votos contra
Teori Zavascki: aprovado pelo Senado por 57 votos a favor e 4 votos contra
Rosa Weber (segunda mulher no STF): aprovada pelo Senado por 57 votos a favor, 14 votos contra e 1 abstenção
Luiz Fux: aprovado pelo Senado por 68 votos a favor e 2 votos contra
Indicações de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010)
Dias Toffoli: aprovado pelo Senado por 58 votos a favor, 9 votos contra e 3 abstenções
Menezes Direito: aprovado pelo Senado por 61 votos a favor, 2 votos contra e 1 abstenção
Cármen Lúcia: aprovada pelo Senado por 55 votos a favor e 1 voto contra
Ricardo Lewandowski: aprovado pelo Senado por 63 votos a favor e 4 votos contra
Eros Grau: aprovado pelo Senado por 57 votos a favor, 5 votos contra e 3 abstenções
Joaquim Barbosa (primeiro ministro negro do STF): aprovado pelo Senado por 66 votos a favor, 3 votos contra e 1 abstenção
Ayres Britto: aprovado pelo Senado por 65 votos a favor, 3 votos contra e 2 abstenções
Cezar Peluso: aprovado pelo Senado por 57 votos a favor, 3 votos contra e 1 abstenção
Indicações de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002)
Gilmar Mendes: aprovado pelo Senado por 58 votos a favor e 15 votos contra
Ellen Gracie (primeira mulher no STF): aprovada pelo Senado por 67 votos a favor e 2 abstenções
Nelson Jobim: aprovado pelo Senado por 60 votos a favor, 3 votos contra e 1 abstenção
Indicações de Itamar Franco (1992-1994)
Maurício Corrêa: aprovado pelo Senado por 48 votos a favor e 3 votos contra
Indicações de Fernando Collor (1990-1992)
Francisco Rezek: aprovado pelo Senado por 45 votos a favor, 16 votos contra e 1 abstenção
Ilmar Galvão: aprovado pelo Senado por 48 votos a favor
Marco Aurélio Mello: aprovado pelo Senado por 50 votos a favor, 3 votos contra e 1 abstenção
Carlos Velloso: aprovado pelo Senado por 49 votos a favor, 1 voto contra e 3 abstenções
Indicações de José Sarney (1985-1990)
Celso de Mello: aprovado pelo Senado por 47 votos a favor, 3 votos contra e 1 abstenção
Sepúlveda Pertence: aprovado pelo Senado por 50 votos a favor, 1 voto contra e 1 abstenção
Paulo Brossard: aprovado pelo Senado com placar desconhecido (sessão secreta)