Homem preso por atropelar e arrastar Tainara na Marginal Tietê irá a júri popular, decide Justiça
Douglas Alves da Silva seguirá preso preventivamente e responderá por feminicídio e tentativa de homicídio, segundo decisão desta segunda-feira (25).
A Justiça de São Paulo decidiu nesta segunda-feira (25) que o homem preso por atropelar e arrastar Tainara Souza Santos por cerca de 1 km na Marginal Tietê irá a júri popular. O réu, Douglas Alves da Silva, responde por feminicídio e por tentativa de homicídio contra um amigo da vítima e permanece em prisão preventiva, sem direito de aguardar o julgamento em liberdade, segundo apuração da TV Globo.
O crime chocou o país
Foto: Redes Sociais
O caso, ocorrido na Zona Norte da capital, teve grande repercussão e passou a ser associado à violência praticada por homens contra mulheres no Brasil, pela brutalidade descrita nas investigações.
Decisão judicial e audiência na Barra Funda
A audiência de instrução foi realizada no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. Em nota, o Tribunal de Justiça do estado informou que 12 testemunhas foram ouvidas e que o acusado foi interrogado. Nesta fase, a Justiça avalia se há elementos para submeter o réu ao Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.
Se houver condenação, a pena prevista pode variar de 20 a 40 anos de prisão.
Defesa questiona andamento do processo e acusação de feminicídio
Antes da audiência, a defesa de Douglas afirmou considerar “prematura” a realização do ato, citando a ausência de laudos que, segundo o advogado, ainda não teriam sido anexados ao processo — alguns teriam sido juntados apenas naquele momento. O defensor também disse insistir na tese de que não se trata de feminicídio e declarou que o acusado não conheceria Tainara, sustentando que não haveria prova nos autos de um relacionamento entre os dois.
Relato da mãe: confronto no fórum e pedido de explicação
Lúcia Aparecida da Silva, mãe de Tainara, afirmou à TV Globo que o dia marcou o encerramento de uma etapa importante do processo. Ela contou que, durante a audiência, pôde ficar diante do homem apontado como responsável pela morte da filha e o descreveu como alguém que agiu de forma fria e cruel.
Em um momento, segundo Lúcia, ela questionou o acusado sobre o motivo do que aconteceu com Tainara. Ainda de acordo com a mãe, Douglas não teria levantado a cabeça em nenhum instante.
O atropelamento na Marginal Tietê e a investigação por ciúmes
O crime aconteceu em 29 de novembro de 2025. Conforme a apuração, câmeras de segurança e testemunhas registraram o momento em que a vítima é atropelada e arrastada, até ser abandonada ainda com vida nas proximidades de um posto de combustíveis na Marginal Tietê.
Tainara, vendedora de 31 anos, foi socorrida em estado gravíssimo e encaminhada ao Hospital das Clínicas, na região central da capital. Para a Polícia Civil, a motivação teria sido ciúmes. A investigação aponta que os dois tiveram um relacionamento breve no passado e que ele não aceitava o término.
Pris�o, versão apresentada na delegacia e divergências
Douglas foi preso em 30 de novembro, um dia após o atropelamento, depois de fugir sem prestar socorro. Na delegacia, disse estar arrependido, mas negou conhecer Tainara. Também alegou que o atropelamento teria sido “acidental”, após uma briga envolvendo Lucas Brito Galvão Silva, de 19 anos, amigo da vítima, que — segundo ele — teria o atingido com uma garrafada.
O acusado ainda declarou que acelerou sem perceber que a mulher estava sob o veículo e que só parou mais à frente, quando ela se soltou. Segundo sua versão, ele deixou o local por medo de ser agredido por outras pessoas. A reportagem informa que outros depoimentos de testemunhas contradizem esse relato.
Para a investigação, porém, a conduta foi intencional e ligada ao ciúme: a apuração indica que ele não parou deliberadamente, mesmo após alertas feitos por pedestres e motoristas.
Internação, amputações e morte na véspera de Natal
No mesmo dia da prisão do suspeito, Tainara passou pela primeira cirurgia. Em 1º de dezembro, uma nova operação resultou na amputação das pernas. O quadro seguia crítico, e ela permaneceu internada na UTI.
Em 2 de dezembro, a vítima voltou ao centro cirúrgico, desta vez para procedimentos na bacia e para conter infecções. Mesmo com os atendimentos médicos, Tainara morreu em 24 de dezembro, véspera de Natal, após quase um mês de internação. A declaração de óbito registrou septicemia, além das amputações e da desarticulação do quadril.
Velório, aplausos e cobrança por justiça
O velório ocorreu em 26 de dezembro e reuniu familiares e amigos. O sepultamento foi marcado por aplausos e pedidos por justiça, com cartazes e camisetas em homenagem à vítima e em defesa do enfrentamento à violência de gênero.
Tainara deixou dois filhos: um menino de 12 anos e uma menina de 7.
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