Lula se reúne com aliados para fechar proposta de fim da escala 6x1 e jornada de 40h
Reunião em Brasília mira os últimos ajustes do texto; comissão especial foi convocada para votar parecer às 17h na Câmara.
A comissão especial que analisa a PEC 221/19 tem reunião convocada para as 17h, no Anexo II da Câmara, para discussão e votação do parecer do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA). A proposta em debate trata do fim do modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de serviço e tem apenas um de descanso, além da redução da jornada semanal.
Lula e Hugo Motta tentam fechar texto do fim da escala 6x1; transição trava acordo.
Foto: Divulgação/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Lula defende que a mudança seja feita sem redução de salário e sem uma transição longa. Nos bastidores, porém, integrantes da base admitem a necessidade de um período de adaptação para ampliar as chances de aprovação no Congresso.
Setores do centro e da oposição pressionam por uma transição maior. Na semana passada, a apresentação do parecer foi adiada em meio à discussão sobre emendas que previam até dez anos para a implementação das mudanças e exceções para algumas categorias. A Agência Brasil informou que o adiamento ocorreu justamente para que o texto fosse negociado antes da votação na comissão.
Parecer deve ser discutido nesta segunda.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
O próprio relator afirmou, em audiência pública em Florianópolis, que a duração da transição dependerá da capacidade de mobilização social e da construção de votos na Câmara. Prates disse que são necessários 308 votos para aprovar a proposta em plenário, número exigido para mudanças constitucionais.
A Câmara dos Deputados informou que o relatório sobre a redução da jornada deve ser apresentado nesta segunda-feira e que a votação na comissão especial está prevista para esta semana. A expectativa política é que, se houver acordo, o texto possa seguir rapidamente ao plenário.
A proposta ganhou força nos últimos meses com pressão de movimentos de trabalhadores e apoio do governo federal. Entidades empresariais, por outro lado, defendem que eventuais mudanças considerem impactos sobre custos, competitividade e organização de setores que funcionam de forma contínua.
Mesmo que seja aprovado na comissão, o texto ainda precisará passar pelo plenário da Câmara em dois turnos e alcançar apoio de ao menos três quintos dos deputados. Só depois poderá avançar para nova análise no Senado. Até a publicação desta matéria, o texto final do parecer ainda não havia sido divulgado oficialmente.