MPRJ denuncia administradora por desviar R$ 12 milhões de irmandades católicas no Rio
Brígida Rachid José Pedro é acusada de usar empresa de fachada para transferir, ao longo de uma década, recursos de quatro irmandades para contas pessoais; Justiça aceita denúncia e afasta investigada da gestão
26/01/2026 às 08:40por Redação Plox
26/01/2026 às 08:40
— por Redação Plox
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Uma mulher acusada de desviar cerca de R$ 12 milhões de quatro instituições católicas ao longo de uma década foi denunciada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), sob suspeita de comandar um esquema sofisticado de drenagem patrimonial.
A a mulher foi afastada do cargo de administradora e responderá pelos crimes de apropriação indébita e lavagem de dinheiro
Foto: Divulgação/MPRJ
Identificada como Brígida Rachid José Pedro, ela foi afastada do cargo de administradora das entidades e vai responder pelos crimes de apropriação indébita e lavagem de dinheiro.
Esquema teria se aproveitado de confiança e empresas de fachada
De acordo com a denúncia apresentada em 21 de janeiro deste ano, Brígida se valia de abuso de confiança e do uso fraudulento de empresas para desviar recursos. As vítimas foram as irmandades católicas Venerável Irmandade do Glorioso Mártir São Braz, Patrimônio da Caridade da Venerável Irmandade do Glorioso Mártir São Braz, Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte e Caixa de Caridade da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte.
O documento aponta que o canal para a apropriação dos valores foi aberto em 2011, quando a denunciada sucedeu os pais na administração das irmandades e passou a exercer controle absoluto sobre a gestão dos bens eclesiásticos.
Empresa criada pela suspeita foi contratada pelas irmandades
Segundo o MPRJ, o modus operandi consistia na contratação da empresa Support Serviços Empresariais, criada pela própria acusada, para prestar serviços e realizar a gestão imobiliária das entidades religiosas.
As investigações apontam que se trata de uma empresa de fachada, constituída ainda em 2011, apenas 16 dias antes de ser contratada pelas irmandades, que à época ainda eram administradas pelos pais de Brígida.
O Ministério Público destaca que não foi identificado qualquer funcionário registrado na Support e que a companhia possui capital social de apenas R$ 2 mil, embora movimentasse milhões de reais anualmente.
Assim, desde sua criação e até pelo menos o ano de 2024, a Support foi uma empresa de fachada, desprovida de capacidade operacional, criada exclusivamente para permitir a transferência ilícita de recursos das irmandades para o patrimônio da denunciada, ocultando a origem ilícita dos valores
— denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro
Recursos passavam pela empresa antes de chegar à acusada
A ação penal descreve que os valores desviados entravam na conta da Support e, em seguida, eram repassados a Brígida, que adotaria estratégias para ocultar e dissimular a origem do dinheiro.
Além de documentos e registros financeiros, a investigação reuniu o que o MPRJ classifica como robusta prova testemunhal para sustentar a acusação.
Justiça afasta administradora e nomeia interventor
Ao receber a denúncia, o Juízo da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa determinou o afastamento imediato de Brígida da gestão das irmandades e a nomeação de um interventor indicado pela Mitra Arquiepiscopal.
A decisão também proibiu a acusada de acessar as sedes, documentos, contas bancárias ou qualquer estrutura ligada às instituições, bem como de manter contato com seus funcionários.