Dólar recua e Ibovespa reage a semana de decisões sobre juros no Brasil e nos EUA

Moeda americana opera em torno de R$ 5,27 enquanto Ibovespa inicia o dia após renovar recordes; investidores acompanham Copom, boletim Focus e incertezas sobre Federal Reserve, tarifas de Trump e risco de nova paralisação do governo dos EUA

26/01/2026 às 09:10 por Redação Plox

O dólar abriu em queda nesta segunda-feira (26), recuando 0,22% e sendo negociado a R$ 5,2749 por volta das 9h. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, passa a operar a partir das 10h.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik


A última semana de janeiro concentra a atenção dos investidores em decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, além de movimentos políticos internacionais que podem influenciar os mercados e ampliar a cautela.

No cenário doméstico, o Banco Central divulga nesta segunda-feira as projeções de economistas para o boletim Focus. Na quarta-feira, o Copom deve manter a taxa básica de juros estável, em linha com as expectativas do mercado.

Nos Estados Unidos, cresce a expectativa em torno da escolha do novo presidente do Federal Reserve (Fed). Rumores no mercado indicam que o presidente Donald Trump pode sinalizar nesta semana o nome do sucessor de Jerome Powell, o que levanta questionamentos sobre a autonomia do banco central americano.

Trump também voltou a ameaçar impor tarifas de 100% ao Canadá caso o país avance em um acordo comercial com a China. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o país não busca fechar esse tipo de acordo, aumentando a incerteza e a aversão ao risco entre investidores.

As incertezas se intensificam ainda com a possibilidade de uma nova paralisação do governo americano, diante da resistência de democratas em votar o Orçamento sem mudanças na área de segurança, após o assassinato de Alex Pretti por agentes federais.

Ibovespa renova recordes em meio a movimento global

Em meio ao movimento conhecido como “sell America”, o Ibovespa encerrou a sexta-feira em alta de 1,86%, aos 178.858,54 pontos, renovando o recorde histórico e superando os 178 mil pontos pela primeira vez.

Na máxima do dia, o índice chegou a 180.532,28 pontos, ultrapassando o patamar dos 180 mil e registrando uma nova máxima histórica intradiária.

Desempenho recente do dólar

Dólar

  • Acumulado da semana: -1,60%
  • Acumulado do mês: -3,68%
  • Acumulado do ano: -3,68%

Desempenho recente do Ibovespa

Ibovespa

  • Acumulado da semana: +8,53%
  • Acumulado do mês: +11,01%
  • Acumulado do ano: +11,01%

Tensões geopolíticas em foco

Os embates entre Estados Unidos e União Europeia em torno dos planos americanos de anexação da Groenlândia ganharam um novo capítulo nesta semana. Na véspera, o presidente Donald Trump afirmou ter obtido garantias de “acesso total e permanente” dos EUA à Groenlândia a partir de um acordo ainda em negociação.

A declaração veio após o recuo de Trump nas ameaças de impor tarifas à Europa e de descartar o uso da força para assumir o controle da ilha, o que trouxe alívio aos mercados e reduziu, ainda que de forma temporária, a tensão entre Washington e seus aliados.

A mudança de tom foi bem recebida pelas bolsas europeias e ajudou os principais índices de Wall Street a voltar a níveis recordes.

Apesar do alívio inicial, autoridades europeias avaliam que os danos à confiança política e econômica podem ser duradouros. Para a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, as relações com os EUA “sofreram um grande golpe” nos últimos dias.

Líderes europeus entendem que Trump recuou em parte porque, ao contrário de sua postura mais conciliadora nas negociações tarifárias do ano passado, desta vez foi deixado claro que ele estava ultrapassando um limite ao desafiar a soberania da Groenlândia.

“Tudo isso demonstra que não podemos deixar os americanos pisotearem os europeus ”, disse um funcionário da União Europeia à Reuters.Funcionário da União Europeia, à Reuters

Os termos do acordo ainda não estão definidos. Em entrevista à Fox Business, Trump afirmou que o entendimento garantiria “acesso total” aos EUA e seria “muito mais generoso” para o país.

Segundo a Reuters, Trump e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, concordaram em iniciar novas negociações entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia para atualizar o acordo de 1951, que regula a presença militar americana na ilha.

A proposta incluiria restrições a investimentos chineses e russos na região. De acordo com uma das fontes consultadas pela agência, trata-se apenas de “uma estrutura sobre a qual construir”, ainda sem detalhes fechados.

Negociações trilaterais sobre a guerra na Ucrânia

O início da primeira fase das negociações entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia também contribui para reduzir, em parte, os riscos geopolíticos percebidos pelo mercado. Esta é a primeira vez desde o início da guerra que os três países se sentam juntos para discutir caminhos para a paz.

Com Trump, os EUA assumiram o papel de principal país articulador em busca do fim do conflito. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou a jornalistas nesta sexta-feira que os negociadores devem tratar do controle territorial da região de Donbas, no leste da Ucrânia.

Ainda não são conhecidos todos os detalhes das conversas em Abu Dhabi, apenas que a rodada inicial não inclui, neste momento, os líderes dos três países.

Entre os pontos já divulgados:

  • O líder da delegação russa será o almirante Igor Kostyukov, e não o assessor do Kremlin Yuri Ushakov, principal negociador russo;
  • A Ucrânia enviou seus principais negociadores, combinando civis, diplomatas e autoridades de segurança;
  • A delegação dos Estados Unidos é liderada pelo enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e pelo genro do presidente, Jared Kushner. Um novo integrante é o assessor da Casa Branca Josh Gruenbaum.

Mercados em Wall Street e na Europa

Em Wall Street, os principais índices fecharam a sessão de sexta-feira sem direção única. O Dow Jones Industrial Average recuou 0,58%, enquanto o S&P 500 avançou 0,02%. O Nasdaq Composite subiu 0,28%.

Na Europa, as bolsas encerraram o dia em queda, em um ambiente de cautela enquanto investidores avaliavam os desdobramentos do Fórum Econômico Mundial em Davos e acompanhavam o início das negociações trilaterais sobre o conflito ucraniano.

O índice europeu STOXX 600 caiu 0,1% no fechamento, acumulando perda de 1,1% na semana e interrompendo uma sequência de cinco semanas consecutivas de alta.

Entre as principais praças, Londres recuou 0,07%, Paris perdeu 0,07%, Milão caiu 0,58%, Madri registrou baixa de 0,67% e Lisboa recuou 0,54%. Frankfurt foi a exceção do dia, com avanço de 0,18%.

Bolsas asiáticas reagem a medidas regulatórias na China

Na Ásia, as bolsas fecharam com resultados variados após uma semana marcada pelo aumento das ações regulatórias na China.

As autoridades chinesas intensificaram medidas contra práticas consideradas irregulares, como manipulação de preços e divulgação de informações enganosas, com o objetivo de conter negociações especulativas e reduzir a volatilidade.

Os principais índices da região encerraram o pregão com movimentos mistos. Em Xangai, o SSEC avançou 0,33%, enquanto o CSI300 recuou 0,45%. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,45%.

Em outros mercados, o Nikkei, em Tóquio, ganhou 0,4%; o KOSPI, em Seul, avançou 0,76%; o TAIEX, em Taiwan, subiu 0,68%; e o Straits Times, em Cingapura, fechou em alta de 1,26%.

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