Extravasamento em estrutura da Vale alaga área da CSN entre Ouro Preto e Congonhas
Cerca de 220 mil m³ de água com lama e sedimentos turvam cursos d’água e agravam degradação ambiental; caso ocorre sete anos após tragédia de Brumadinho
26/01/2026 às 07:53por Redação Plox
26/01/2026 às 07:53
— por Redação Plox
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O extravasamento de uma estrutura de mineração da Vale, entre Ouro Preto e Congonhas, levou o prefeito Anderson Cabido (PSB) a alertar para riscos ambientais crescentes e a cobrar ações mais rígidas de monitoramento e fiscalização. Segundo o prefeito, cerca de 220 mil metros cúbicos de água vazaram da estrutura, atingiram cursos d’água do município e aumentaram de forma significativa a turbidez do rio que corta a cidade.
O rompimento aconteceu por volta das 5h30 da manhã.
Foto: (Reprodução/redes sociais)
Em entrevista, o prefeito esclareceu que o episódio não envolveu o rompimento de uma barragem de rejeitos, mas o extravasamento de um dique de contenção. De acordo com ele, a estrutura não arrastou o material armazenado em sua parte interna, mas todo o conteúdo que estava adiante, no caminho do fluxo de água.
Água turva e lama em cursos d’água da região
Cabido relatou que o grande volume de água liberado carregou lama, resíduos de minério e materiais soltos presentes em áreas de mineração. Esse material alcançou um córrego que deságua no Rio Goiabeiras, afluente do Rio Maranhão, principal curso d’água do município. O prefeito afirmou ter sido registrado aumento do volume de água e da turbidez, indicando que os sedimentos chegaram ao leito do rio.
Para o gestor municipal, o impacto se soma a um quadro já grave de degradação ambiental histórica associada à atividade mineral na região. Ele avaliou que o rio se encontra em situação crítica e que episódios como o registrado neste domingo aprofundam um problema que se arrasta há décadas.
O volume de água extravasado também chamou a atenção de mineradoras vizinhas. Ainda segundo o prefeito, estruturas da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) teriam sido pressionadas pela força da água. Cabido voltou a destacar a preocupação com a possibilidade de novas falhas em estruturas de mineração e apontou dificuldades do município para acompanhar a segurança de empreendimentos extrativistas.
Prefeito cobra apoio de Estado e União
Anderson Cabido ressaltou que, embora não se trate de uma barragem de rejeitos, a estrutura envolvida é uma barragem de água com grande capacidade de armazenamento, que, na visão da prefeitura, deveria ter monitoramento mais rigoroso. Ele também destacou a limitação do município para fiscalizar instalações que ficam fora de seus limites territoriais e disse que é necessário o envolvimento do governo estadual, de órgãos ambientais e do governo federal no monitoramento.
A Prefeitura de Ouro Preto informou que agentes da Secretaria de Segurança e Trânsito e do Departamento de Defesa Civil se deslocaram até a área rural onde ocorreu a ocorrência para uma avaliação direta no local. O órgão municipal afirmou que novas informações serão repassadas assim que houver um diagnóstico mais preciso.
Vale fala em extravasamento de água com sedimentos
Em nota, a Vale classificou o episódio como “extravasamento de água com sedimentos” em uma cava da mina de Fábrica, em Ouro Preto, com fluxo atingindo áreas de uma empresa. A mineradora informou que comunicou os órgãos competentes, que prioriza a proteção de pessoas, comunidades e meio ambiente e que as causas do extravasamento estão sendo apuradas. Também reforçou que o ocorrido não teria relação com as barragens da empresa na região, que, segundo a nota, seguem sem alterações nas condições de estabilidade e segurança e sob monitoramento contínuo.
CSN, Prefeitura de Ouro Preto e Governo de Minas acompanham caso
A CSN Mineração informou que o extravasamento em cava da Vale provocou o alagamento de áreas da unidade Pires, em Ouro Preto, incluindo almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas e área de embarque, entre outros setores. A empresa afirmou que todas as estruturas de contenção de sedimentos operam normalmente, que acompanha a situação de forma permanente e que as autoridades competentes foram comunicadas.
Em manifestação oficial, a Prefeitura de Ouro Preto reforçou que a Defesa Civil foi notificada sobre o caso, ocorrido em área rural distante da sede e dos distritos, e que equipes se deslocaram para averiguação presencial.
O Governo de Minas comunicou que atua na região por meio da Defesa Civil Estadual, do Corpo de Bombeiros Militar, da Polícia Militar e da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. As equipes permanecem entre Congonhas e Ouro Preto, na área da Mina de Fábrica, para verificar a ocorrência envolvendo a estrutura sob responsabilidade da Vale e um possível impacto sobre a CSN, avaliando danos ambientais, humanos e de outra natureza.
Episódio ocorre no aniversário da tragédia de Brumadinho
O rompimento da estrutura neste domingo (25) ocorreu na data em que se completam sete anos do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A tragédia deixou 270 mortos — 272, considerando as vítimas grávidas — e ainda provoca reflexos profundos na vida de famílias e comunidades atingidas, que seguem cobrando justiça, responsabilização criminal e avanços concretos na reparação.
Íntegra das notas divulgadas
Nota da Vale
A Vale informou que, na madrugada deste domingo (25), ocorreu extravasamento de água com sedimentos de uma cava da mina de Fábrica, em Ouro Preto (MG), com fluxo que alcançou áreas de uma empresa. A companhia declarou que pessoas e comunidades da região não foram afetadas, que comunicou os órgãos competentes e que prioriza a proteção de pessoas, comunidades e meio ambiente. As causas estão em apuração, e a mineradora reiterou que o fato não tem relação com as barragens da empresa na região, que permaneceriam estáveis e monitoradas em tempo integral.
Nota da CSN Mineração
A CSN Mineração relatou que a ocorrência em cava da Vale provocou alagamento em áreas da unidade Pires, em Ouro Preto, afetando almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas, área de embarque e outras atividades. A empresa destacou que suas estruturas de contenção de sedimentos operam normalmente, que monitora a situação desde o primeiro momento e que as autoridades foram comunicadas.
Nota da Prefeitura de Ouro Preto
A administração municipal de Ouro Preto comunicou que a Defesa Civil foi acionada para ocorrência em área rural distante da sede e dos distritos e que equipes da Secretaria de Segurança e Trânsito e do Departamento de Defesa Civil se dirigiram ao local para averiguação. A prefeitura afirmou que divulgará novos esclarecimentos assim que tiver informações mais precisas.
Nota do Governo de Minas
O Governo de Minas Gerais informou que atua desde a manhã deste domingo (25/01) com equipes da Defesa Civil Estadual, do Corpo de Bombeiros Militar, da Polícia Militar e da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável na região da Mina de Fábrica, entre Congonhas e Ouro Preto. O objetivo é verificar a ocorrência envolvendo estrutura na área de atuação da Vale e possível impacto na CSN, além de avaliar eventuais danos ambientais e humanos. O governo estadual afirmou que manterá a imprensa e a população informadas à medida que houver novos detalhes.