Ministro manda ANM investigar extravasamento em mina da Vale entre Congonhas e Ouro Preto
Alexandre Silveira determina fiscalização rigorosa, possibilidade de interdição e apuração de responsabilidades após rompimento de sump que lançou água com sedimentos na Mina de Fábrica, na Região Central de Minas
26/01/2026 às 09:57por Redação Plox
26/01/2026 às 09:57
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, determinou que a Agência Nacional de Mineração (ANM) investigue o extravasamento de água com sedimentos na Mina de Fábrica, localizada entre Congonhas e Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais. A estrutura, pertencente à Vale, teve o rompimento de um sump registrado na madrugada de domingo (25).
Foto: Dique da Vale entre Congonhas e Ouro Preto se rompe — Foto: Reprodução
De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), a ordem foi dada enquanto o ministro retornava de uma missão oficial à China. Em ofício encaminhado à ANM, Silveira exigiu a adoção imediata de medidas para garantir a segurança das comunidades do entorno e a proteção do meio ambiente.
Fiscalização rigorosa e possível interdição de operações
Entre as determinações do ministro estão a realização de fiscalização rigorosa em todas as estruturas impactadas e a adoção de medidas técnicas para solução da ocorrência — incluindo, se necessário, a interdição das operações. Também foi solicitado o acionamento de órgãos federais, estaduais e municipais, especialmente das áreas ambiental e de defesa civil.
O ministro orientou ainda a apuração de eventual responsabilidade da empresa e o aprimoramento de normas e práticas operacionais, para que situações semelhantes sejam avaliadas com mais rapidez e resultem em providências administrativas efetivas.
Segundo o MME, órgãos estaduais de fiscalização, o Ministério Público e outras instituições poderão ser acionados para investigar responsabilidades e adotar medidas voltadas à reparação de possíveis danos materiais, ambientais e pessoais.
ANM terá de manter governo informado sobre ações
A ANM deverá manter o Ministério de Minas e Energia informado de forma contínua sobre os desdobramentos das ações de fiscalização. Também foi determinada a abertura de um processo específico para apurar as responsabilidades relacionadas ao episódio.
Em nota, Alexandre Silveira afirmou que a atuação da pasta é guiada por resposta rápida, preventiva e responsável, com o objetivo de assegurar uma mineração segura, sustentável e comprometida com a proteção da vida e do meio ambiente.
Posicionamento da Vale sobre o rompimento
Em nota, a Vale classificou o ocorrido como “extravasamento de água com sedimentos” em uma cava da Mina de Fábrica, informando que o fluxo atingiu áreas de uma empresa na região.
A mineradora declarou que comunicou os órgãos competentes e que prioriza a proteção das pessoas, comunidades e do meio ambiente, além de informar que as causas do extravasamento estão sendo apuradas.
A empresa acrescentou que o ocorrido não tem relação com as barragens da Vale na região, que, segundo a nota, seguem sem alterações nas condições de estabilidade e segurança e são monitoradas ininterruptamente.
Prefeitura de Ouro Preto acompanha situação
A Prefeitura de Ouro Preto informou que agentes da Secretaria de Segurança e Trânsito e do Departamento de Defesa Civil foram deslocados até o local para uma averiguação presencial da ocorrência.
Rompimento ocorre sete anos após tragédia de Brumadinho
O rompimento na Mina de Fábrica aconteceu no domingo (25), data em que se completam sete anos do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A tragédia de Brumadinho deixou 270 mortos — ou 272, se incluídas as vítimas grávidas — e segue impactando profundamente a vida de famílias e cidades atingidas, que ainda cobram justiça, responsabilização criminal e avanços concretos na reparação.
CSN Mineração relata alagamento em unidade em Ouro Preto
Em nota, a CSN Mineração informou que a ocorrência em uma cava pertencente à Vale provocou o alagamento de áreas da unidade Pires, em Ouro Preto, incluindo almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas e área de embarque, entre outros setores.
A empresa ressaltou que todas as estruturas de contenção de sedimentos da CSN Mineração estão operando normalmente e informou que acompanha a situação desde o primeiro momento, com as autoridades competentes já comunicadas.
Diferença entre cava, sump, dique e barragem
Segundo explicação do porta-voz dos Bombeiros Henrique Barcellos, a cava é a área de onde o minério é extraído. Dentro dessa cava, o sump funciona como um buraco de drenagem destinado a retirar a água acumulada.
A barragem, por sua vez, é a estrutura onde ficam armazenados os rejeitos da produção mineral. Já o dique é uma espécie de parede de contenção, que pode fazer parte da própria barragem.
Entenda o papel do sump na mineração
O sump é um pequeno reservatório, tanque ou escavação situado na parte mais baixa da cava de uma mina. Trata-se de uma estrutura temporária e localizada, usada para acumular a água que entra na mina, seja por chuva ou por afloramento do lençol freático.
A função do sump é facilitar o bombeamento da água para fora da cava, garantindo a segurança operacional e permitindo manter a área de trabalho seca e acessível.