Mercado se divide sobre início dos cortes da Selic em meio a cenário mais desafiador
Com Copom em foco, projeções variam entre corte já em janeiro ou apenas em março; incertezas externas, atividade robusta e divergência entre economistas elevam apostas para Selic terminal acima de 12% até 2026
26/01/2026 às 10:42por Redação Plox
26/01/2026 às 10:42
— por Redação Plox
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Na semana em que o Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne, o mercado financeiro está dividido sobre o momento e a intensidade do início do ciclo de cortes de juros. Uma parte das instituições mantém a aposta de redução da Selic ainda em janeiro, enquanto outra projeta o início apenas em março.
A sede do Banco Central, em Brasília
Foto: Agência Brasil
A incerteza também atingiu as projeções para o fim do ano. Quem esperava que a taxa básica de juros, hoje em 15%, recuasse para abaixo de 12% até dezembro passou a revisar os números, em meio a um cenário doméstico e internacional mais desafiador.
Risco externo e atividade forte pressionam Selic
Segundo Leonardo Costa, economista do Asa, as recentes tensões globais entre Estados Unidos, Venezuela e União Europeia aumentaram a volatilidade do dólar, ampliando as incertezas no curto prazo. No Brasil, ele avalia que a atividade econômica segue em ritmo robusto, o que mantém pressão sobre a inflação e pode limitar a duração do ciclo de afrouxamento monetário.
Costa relata que a instituição alterou seu cenário para a política monetária. Antes, projetava o início dos cortes em janeiro, com redução de 0,25 ponto percentual. Agora, passou a esperar o começo do ciclo apenas em março, mantendo o mesmo tamanho para o primeiro corte e revisando a taxa terminal da Selic de 11,75% para 12,5%.
BC é cauteloso na comunicação
Para Fernando Honorato Barbosa, diretor de Pesquisa Econômica do Bradesco, a moderação recente na atividade econômica e na inflação abre espaço para que o Banco Central inicie o ciclo de cortes já em janeiro. No entanto, ele avalia que a comunicação da autoridade monetária ainda não sinaliza com clareza essa disposição.
Na visão de Barbosa, o BC tem demonstrado preferência por uma postura mais cautelosa, o que o leva a projetar o primeiro corte apenas na reunião de março. Ele espera que a Selic encerre 2026 em 12%.
Casa dividida entre janeiro e março
Em outra frente, a economista Iana Ferrão, do BTG Pactual, aposta em uma redução de 0,25 ponto percentual já neste mês. Para ela, os dados atuais de atividade e inflação já justificam o início imediato do ciclo de queda dos juros.
Ferrão avalia que adiar a decisão em busca de sinais mais visíveis de desaceleração – como queda mais nítida dos salários ou da inflação de serviços intensivos em trabalho – pode tornar a política monetária excessivamente restritiva por mais tempo, com custos adicionais para a economia e o mercado de trabalho.