Nikolas teme pulverização da direita em MG e vê risco para projeto de Flávio Bolsonaro em 2026

Disputas internas no PL e no campo da direita em Minas colocam o deputado no centro das articulações; anotações atribuídas a Flávio Bolsonaro citam a necessidade de conversa direta para evitar divisão de candidaturas e enfraquecimento do grupo.

26/02/2026 às 11:52 por Redação Plox

As disputas internas no PL e no campo da direita em Minas Gerais ganharam novos contornos em fevereiro de 2026, com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) no centro das articulações sobre a estratégia eleitoral no estado. Em meio a sinais de racha e indefinição sobre o nome que terá o apoio do partido ao governo mineiro, cresce, nos bastidores, a avaliação de que a pulverização de candidaturas em Minas pode enfraquecer o grupo — e, com isso, reduzir o peso do palanque mineiro no projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tratado como pré-candidato ao Planalto.

O deputado federal Nikolas Ferreira e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República

O deputado federal Nikolas Ferreira e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado


Flávio vê Nikolas como peça-chave no tabuleiro mineiro

Nos bastidores do PL em Minas, anotações atribuídas a Flávio Bolsonaro circularam entre lideranças e elevaram a tensão interna. Esses registros mencionam o cenário mineiro e a necessidade de conversa direta com Nikolas, descrito como “peça central” para definir o desenho eleitoral no estado.

Segundo relatos, havia um encontro previsto entre Flávio e Nikolas “para hoje” (no contexto da publicação), tratado como decisivo para medir o grau de protagonismo do deputado na engenharia eleitoral mineira e, principalmente, seu papel na construção de um palanque robusto em Minas para 2026.

Em paralelo, Nikolas tem repetido em declarações públicas que não pretende disputar o governo de Minas em 2026 e que sua prioridade é o estado, mas sem se vincular automaticamente a um nome específico do PL ou de partidos aliados. Em entrevista citada pela imprensa, ele afirmou que só entra em um projeto se souber “qual é o plano, a estratégia, o objetivo” e indicou que não participa do “planejamento” da campanha de Flávio.

Declarações públicas reforçam impasse em Minas

Entre as falas já tornadas públicas por lideranças do PL e por figuras ligadas ao entorno bolsonarista, o cenário em Minas aparece como um dos principais pontos de atenção na montagem do projeto nacional de 2026.

Flávio Bolsonaro tem dito que Nikolas não será candidato ao governo mineiro porque “não quer”. Por sua vez, o deputado reafirmou que descartou a disputa ao Executivo estadual e apontou que o PL ainda procura um nome para Minas, reforçando que não está automaticamente integrado ao planejamento nacional do senador.

Outra peça desse tabuleiro é a avaliação de que Flávio precisaria do apoio de figuras com grande apelo junto ao eleitorado de direita — entre elas Nikolas, Michelle Bolsonaro e Tarcísio — para ganhar tração eleitoral. Essa percepção, somada ao tamanho do eleitorado mineiro, faz de Minas um dos focos das negociações.

Nos bastidores, a síntese desse contexto tem sido descrita como a combinação de três fatores: preocupação com a fragmentação de candidaturas e com o racha interno no estado, centralidade de Nikolas na definição do quadro mineiro e esforço de Flávio para organizar palanques e apoios que sustentem sua pretensão presidencial.

Consequências para Minas, para Flávio e para Nikolas

Em Minas Gerais, a indefinição sobre quem pode unificar a direita e o PL tende a acirrar a competição entre pré-candidatos e grupos locais, com risco de divisão de votos e perda de coordenação política num dos principais colégios eleitorais do país.

Para Flávio Bolsonaro, a avaliação é de que, sem um arranjo sólido em Minas — e sem Nikolas engajado como puxador de votos e articulador — o partido pode encontrar dificuldades para consolidar um palanque forte no estado, algo considerado relevante para qualquer projeto presidencial.

Já para o próprio Nikolas, ao reiterar que não será candidato ao governo e que não se integra automaticamente ao planejamento nacional sem clareza de estratégia, ele preserva seu capital político local, mas também se torna alvo de pressão interna para “definir lado” na disputa mineira e para atuar de forma mais direta na tentativa de evitar a pulverização de candidaturas.

Próximos movimentos na disputa em Minas

A reunião ou rodada de conversas entre Flávio Bolsonaro e Nikolas, citada nos bastidores, tende a ser um ponto de inflexão para indicar se o deputado assumirá ou não o papel de articulador do palanque mineiro e qual será o grau de alinhamento com o projeto presidencial.

No PL, a expectativa é de intensificação da busca por um nome competitivo ao governo de Minas, já que Nikolas tem repetidamente descartado essa candidatura. Essa definição deve passar por negociações com aliados e por avaliações de viabilidade eleitoral no estado.

A evolução do racha interno e a composição das chapas para o Senado em Minas, mencionadas nas conversas de bastidor, também devem ganhar peso nas próximas semanas, já que a forma como forem estruturadas pode influenciar diretamente se o cenário caminhará para unificação ou pulverização de candidaturas — ponto visto como crucial para o desempenho de Flávio Bolsonaro em 2026.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a