PT aprova manifesto com novas diretrizes e reforça defesa da reeleição de Lula
Documento aprovado no 8º Congresso Nacional mira a disputa eleitoral, faz balanço do governo desde 2023 e lista propostas como mudanças em emendas, Judiciário, tributação dos mais ricos e regulação de plataformas digitais
26/04/2026 às 16:39por Redação Plox
26/04/2026 às 16:39
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou neste domingo (26/4), durante o 8º Congresso Nacional da sigla, um manifesto que define novas diretrizes políticas com foco na disputa eleitoral de outubro e na defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O documento reúne um balanço do governo, apresenta propostas de reformas e sinaliza a intenção de ampliar apoio político ao centro. Entre os pontos defendidos, estão mudanças no Judiciário por meio de “mecanismos de autocorreção”, além de medidas ligadas a tributação, comunicação e plataformas digitais.
Sem Lula, o Partido dos Trabalhadores (PT) realizou neste fim de semana, em Brasília, o 8º Congresso Nacional da sigla
Foto: /PT
Lula ficou fora do congresso e enviou vídeo ao encontro
Lula não participou presencialmente do congresso por estar se recuperando de um procedimento no couro cabeludo e de uma infiltração no punho para tratar uma tendinite. Ele enviou um vídeo ao evento, no qual defendeu que o partido assuma protagonismo político e sustente uma agenda baseada nas entregas.
Manifesto critica cenário internacional e mira papel do Brasil
No campo internacional, o manifesto critica a política externa dos Estados Unidos, com foco no governo de Donald Trump. O texto cita o uso de tarifas e sanções como instrumentos de pressão econômica e, em contraponto, defende o fortalecimento de iniciativas multilaterais e o papel do Brasil como mediador de conflitos e liderança do chamado Sul Global.
Balanço do governo desde 2023 e proposta de reformas
No plano interno, o documento apresenta um balanço das ações do governo desde 2023. Segundo o texto, houve retomada e ampliação de programas como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, além de melhora em indicadores como pobreza e desemprego.
Apesar do tom positivo, o manifesto sustenta que é necessário “ir além” e propõe uma agenda de reformas estruturais. Entre as ideias listadas estão mudanças na execução de emendas parlamentares, revisão de regras no Judiciário, ampliação da tributação sobre os mais ricos e regulação de plataformas digitais.
O texto, porém, não detalha como as medidas seriam implementadas. Ainda assim, menciona a necessidade de fortalecer o papel do Estado, avançar na reforma agrária e limitar a concentração no setor de comunicação.
Trabalho, jornada e “plataformização” da economia
O manifesto afirma que o mundo atravessa um período de mudanças, marcado por aumento das desigualdades e maior instabilidade global. Nesse contexto, defende um modelo de desenvolvimento com maior atuação do Estado, foco na reindustrialização e na soberania nacional.
O documento também defende o fim da escala 6×1 e propõe reorganizar o mundo do trabalho diante do avanço da chamada “plataformização” da economia. O tema está em debate no Congresso, que analisa uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre a jornada de trabalho.
Estratégia para 2026 e acenos ao centro
Do ponto de vista político, o PT busca ampliar sua base para 2026 por meio de um “bloco democrático-popular”, mirando a reeleição de Lula em uma disputa que tende a se concentrar contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). O manifesto também acena ao centro ao defender uma coalizão ampla, com participação do setor produtivo e ênfase em previsibilidade econômica.
Diretrizes internas e temas que ficaram de fora
O documento inclui diretrizes internas, como fortalecer a atuação do partido nas bases e nos diretórios e limitar mandatos em instâncias internas — no máximo dois no mesmo cargo e três no total. Também prevê ampliar a participação feminina nos espaços de decisão.
O texto evita temas mais sensíveis. Chegou a ser ventilada a inclusão de uma menção à reforma do sistema financeiro, com referência ao caso Master para reforçar a necessidade de fortalecer mecanismos de controle, mas o ponto não entrou na versão final.
Quem esteve na mesa principal
Com a ausência de Lula, a mesa principal do congresso foi composta pelo ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, e pelo presidente do PT, Edinho Silva, além de nomes tradicionais do partido e do vice-presidente Geraldo Alckmin.
A aprovação do manifesto ocorre enquanto o partido tenta alinhar discurso, programa e estratégia eleitoral para outubro e, ao mesmo tempo, atualizar sua atuação diante de mudanças no cenário econômico, social e tecnológico.