Tebet cobra desculpas de enviado de Trump após ofensas a brasileiras
Paolo Zampolli é acusado de chamar brasileiras de “putas” e “raça maldita”; reação também veio de Janja, Gleisi e do Ministério das Mulheres
26/04/2026 às 15:46por Redação Plox
26/04/2026 às 15:46
— por Redação Plox
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Ex-ministra do Planejamento e Orçamento e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB) cobrou um pedido de desculpas público do enviado especial de assuntos globais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Paolo Zampolli. A reação ocorre após o conselheiro ter se referido às brasileiras com ofensas, em conversa com a imprensa.
Simone Tebet, a sul-mato-grossense que vai tentar o Senado em SP
Foto: crédito: Washington Costa/MPO
Falas de assessor de Trump geram cobrança por desculpas
Segundo o relato, Zampolli chamou as brasileiras de “putas” e de “raça maldita”. Na última semana, em entrevista à rede italiana RAI, ele também afirmou que mulheres brasileiras “são programadas para gerar confusão”. As declarações foram feitas enquanto comentava sobre a ex-mulher, a ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, com quem foi casado por quase duas décadas.
Após o término do relacionamento, Amanda acusou o ex de violência doméstica e abuso sexual e disse que as agressões motivaram o divórcio.
Deportação em 2025 e versão contestada
A ex-modelo foi deportada dos EUA em outubro de 2025. De acordo com o jornal estadunidense The New York Times, a operação ocorreu depois que o conselheiro descobriu que ela havia sido presa pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega, em português) por acusações de fraude. Segundo a publicação, ao saber do caso, ele entrou em contato com o serviço alegando que a mulher estava no país de forma irregular. Zampolli, porém, nega ter relação com a deportação.
Tebet chama fala de “criminosa” e pede retratação
Em vídeo publicado no X, antigo Twitter, no sábado (25/4), Tebet afirmou estar indignada com a declaração, que classificou como “mais do que preconceituosa, criminosa”, atribuída a um servidor do alto escalão do governo americano.
Esse senhor tem que vir a público, fazer um pedido público de desculpas ao Brasil e às mulheres brasileiras
Simone Tebet
A pré-candidata também afirmou que, apesar de já ter enfrentado diversos episódios de preconceito e ataques ao longo da vida pública, uma ofensa desse tipo, partindo de uma autoridade, não é aceitável. Em publicação na rede social, ela disse que as brasileiras são mulheres valorosas e guerreiras e que, diante do caso, sua voz se soma à de outras ao exigir respeito.
Reações de Janja, Gleisi e do Ministério das Mulheres
A primeira-dama Janja da Silva também reagiu e escreveu que “é impossível não se indignar”. Ela afirmou que ser chamada de “uma raça maldita” e de “programadas para causar confusão” não diminui as brasileiras e disse haver orgulho de quem as mulheres se tornam diariamente.
A fala de Zampolli foi criticada ainda pela ex-ministra e pré-candidata ao Senado pelo Paraná, Gleisi Hoffmann (PT). Nas redes sociais, ela chamou o conselheiro de “misógino arrogante da extrema direita” e afirmou que ele não é bem-vindo no Brasil.
Em nota oficial, o Ministério das Mulheres declarou que “a misoginia não constitui opinião” e classificou a declaração como “manifestação de ódio, aversão e incitação à violência, configurando prática criminosa”. O órgão acrescentou que o ódio contra meninas e mulheres não pode ser relativizado sob o argumento da liberdade de expressão.