Diante do aprofundamento das investigações, cúpula do PL quer que Castro tome a iniciativa e desista da candidatura ao Senado

Após a ação, integrantes da cúpula do PL passaram a defender que o ex-governador antecipe a desistência de disputar o Senado, diante dos desdobramentos da investigação.

26/05/2026 às 16:25 por Redação Plox

A Polícia Federal realizou, nesta terça-feira (26), uma operação no apartamento do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), na Barra da Tijuca. Na ação, agentes cumpriram mandado de busca e apreensão e recolheram dois celulares.

Após a ofensiva, integrantes da cúpula do PL passaram a defender que Castro se antecipe e deixe, o quanto antes, a intenção de disputar uma vaga ao Senado. Dentro do partido, a leitura é que o cenário se deteriorou com as informações reveladas pela investigação e que a continuidade do plano político tornou-se difícil de sustentar.


Agentes cumpriram mandado de busca e apreensão e recolheram dois celulares

Foto: Reprodução TV


Pressão interna no PL para recuo na disputa ao Senado

Mesmo após ter sido condenado em março pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, com isso, ficar inelegível, Castro vinha insistindo em manter a candidatura ao Senado, ainda que enfrentasse risco de impugnação. Agora, aliados avaliam que a estratégia perdeu viabilidade diante dos desdobramentos mais recentes do caso.

No centro da preocupação está a ligação do ex-governador com o banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com essa avaliação interna, a permanência de Castro no cenário eleitoral poderia atingir não apenas a chapa ao governo estadual liderada pelo deputado Douglas Ruas, como também trazer desgaste para a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro.

Segundo esse diagnóstico, o efeito político seria ampliado porque Flávio Bolsonaro já enfrenta postura defensiva em razão do financiamento de Vorcaro para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Decisão aponta vínculo pessoal como fator para investimentos sob suspeita

Uma decisão judicial que retirou o sigilo de uma investigação da PF sobre aplicações do RioPrevidência no Banco Master afirma que a relação pessoal entre Vorcaro — descrito no documento como preso — e Cláudio Castro teria pesado para viabilizar investimentos bilionários que o Ministério Público considera irregulares.

A relação de Daniel Bueno Vorcaro e Cláudio Bomfim de Castro e Silva trazida aos autos ultrapassou o mero contato institucional, alcançando indícios concretos da ocorrência de tratativas ilícitas que viabilizaram a captação de um total de R$ 3.691.000.000,00 em investimentos no Banco Master, somando-se os montantes aplicados em fundos e Letras Financeiras.

O que a investigação relata sobre as aplicações do fundo

Conforme o documento obtido pela TV Globo, a apuração indica que recursos do fundo de previdência dos servidores estaduais foram direcionados a Letras Financeiras e a fundos vinculados ao Banco Master em desacordo com a política de investimentos do RPPS e com exigências regulatórias.

A decisão também descreve um suposto conjunto de práticas para viabilizar o esquema, incluindo mudanças intencionais em rotinas internas, credenciamentos tidos como meramente formais, falta de análises técnicas, concentração considerada excessiva de risco e a utilização de intermediários para elevar comissões e ocultar pagamentos de vantagens indevidas.

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