Controladora de MG é convocada na ALMG para explicar apuração que levou à exoneração de Rossieli

Audiência nesta quarta (27), em Belo Horizonte, ocorre após o governo citar “informações preliminares” da CGE; investigação segue sem conteúdo divulgado e sem conclusão oficial sobre responsabilidade.

26/05/2026 às 08:59 por Redação Plox

A controladora-geral de Minas Gerais, Marcela Oliveira Ferreira Dias, foi convocada pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais para prestar esclarecimentos sobre a exoneração de Rossieli Soares da Secretaria de Estado de Educação.

Rossieli Soares foi desligado do cargo de secretário de Educação no dia 27 de abril

Rossieli Soares foi desligado do cargo de secretário de Educação no dia 27 de abril

Foto: Foto: Guilherme Bergamini Assembleia Legislativa

A audiência está marcada para esta quarta-feira (27), às 10h, no Auditório José Alencar, na ALMG, em Belo Horizonte.

Investigação ainda não foi detalhada

A convocação ocorre depois que o Governo de Minas informou que a saída de Rossieli não teria ocorrido “em comum acordo”, versão atribuída inicialmente ao ex-secretário.

Em nota oficial, o Executivo afirmou que a decisão foi tomada pelo governador Mateus Simões após “informações preliminares” de uma investigação conduzida pela Controladoria-Geral do Estado, já encaminhadas às autoridades competentes. O conteúdo da apuração, no entanto, ainda não foi divulgado publicamente.

A comissão já havia tentado ouvir a CGE em 6 de maio, mas a audiência não avançou porque não houve representante da Controladoria. Na ocasião, o órgão alegou questões de sigilo e necessidade de preservar a condução dos trabalhos.

Após a ausência, os deputados aprovaram novos requerimentos, desta vez convocando Marcela Oliveira Ferreira Dias para comparecer à Assembleia.

Versões divergentes sobre a exoneração

Rossieli Soares deixou o comando da Educação em 27 de abril. Depois da exoneração, o governo estadual publicou nota para negar que a saída tivesse sido acertada em comum acordo.

Já o ex-secretário afirmou, por meio de posicionamento divulgado à imprensa, que não teve acesso às informações preliminares da investigação e que se manifestaria formalmente quando tomasse conhecimento do teor da apuração.

O caso também mobilizou o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais. O TCE-MG determinou que a CGE encaminhasse documentos e informações sobre a investigação que levou à exoneração de Rossieli, no âmbito de representações que apuram possíveis irregularidades na Secretaria de Estado de Educação.

Contrato milionário entrou no foco

Antes da saída do cargo, Rossieli já enfrentava desgaste político por denúncias envolvendo a pasta. Em março, a deputada Beatriz Cerqueira acionou o Ministério Público de Minas Gerais e o TCE-MG para pedir apuração sobre um contrato de R$ 348,4 milhões para compra de materiais didáticos destinados à rede estadual.

O governo nega irregularidades e afirma que a contratação seguiu previsão legal, por adesão a ata de registro de preços, com economia em relação ao valor estimado em pesquisa de mercado.

Outro ponto de atrito na área da Educação é a parceria público-privada que prevê a gestão e operação de serviços não pedagógicos em 95 escolas estaduais da capital, Região Metropolitana de Belo Horizonte e Norte de Minas.

Segundo a ALMG, o contrato prevê repasses mensais de R$ 23,3 milhões ao vencedor do leilão por 25 anos, informação que tem sido questionada por parlamentares da comissão.

A audiência desta quarta-feira deve concentrar os questionamentos sobre o estágio da investigação, os limites do sigilo alegado pela CGE e os motivos que levaram à exoneração do ex-secretário.

Até o momento, não há divulgação pública do conteúdo da apuração nem conclusão oficial sobre eventual responsabilidade de Rossieli Soares.

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