Operação mira venda ilegal de canetas emagrecedoras e cumpre 29 mandados em cinco estados e no DF

Terceira fase da Operação Mounjaro apura comércio fora de farmácias licenciadas e em desacordo com normas da Anvisa, com alerta para riscos à saúde.

26/05/2026 às 07:45 por Redação Plox

Policiais civis da Delegacia do Consumidor do Rio de Janeiro deflagraram, nesta terça-feira (26), a terceira fase da Operação Mounjaro, voltada ao combate à venda ilegal de canetas emagrecedoras de procedência desconhecida. A investigação apura a comercialização dos produtos fora de farmácias e drogarias licenciadas, inclusive por meio de redes sociais.

A Justiça expediu 29 mandados de busca e apreensão. Segundo a Polícia Civil, a operação alcança 24 endereços no Rio de Janeiro e outros quatro em São Paulo, Minas Gerais, Ceará e no Distrito Federal. A apuração começou em maio de 2025, após uma denúncia encaminhada à Decon.


Anvisa anuncia medidas para aumentar fiscalização da importação e manipulação de canetas emagrecedoras

Anvisa anuncia medidas para aumentar fiscalização da importação e manipulação de canetas emagrecedoras

Foto: Jornal Nacional/ Reprodução


Produtos sem origem conhecida preocupam autoridades

De acordo com a investigação, os medicamentos eram vendidos em desacordo com normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A polícia afirma que os produtos apreendidos tinham procedência desconhecida e poderiam representar risco à saúde dos consumidores.

Entre os perigos apontados pelos investigadores estão a aplicação de substâncias diferentes das anunciadas, contaminação bacteriológica, quebra da cadeia de refrigeração necessária para conservação e uso de dosagens inadequadas sem acompanhamento médico. A Decon também citou um caso em apuração no qual uma pessoa não diabética teria aplicado dose elevada de insulina acreditando se tratar de medicamento para emagrecimento e apresentou hipoglicemia.

Anvisa já havia reforçado alerta

A Anvisa tem ampliado alertas sobre a venda e o uso irregular de medicamentos injetáveis usados para emagrecimento, como substâncias à base de tirzepatida e semaglutida. A agência já informou que produtos sem registro, procedência ou garantia de qualidade não devem ser usados em nenhuma hipótese e que esses medicamentos exigem indicação e acompanhamento profissional.

O órgão também associou o uso indevido dessas substâncias ao risco de eventos adversos graves, incluindo pancreatite aguda. Em maio, a Anvisa e a Polícia Federal anunciaram ações conjuntas para intensificar o combate ao comércio ilegal de medicamentos emagrecedores, especialmente em plataformas digitais.

Fases anteriores tiveram prisões

Na segunda fase da Operação Mounjaro, realizada em abril, agentes da Decon prenderam em flagrante um casal suspeito de vender canetas emagrecedoras sem autorização da Anvisa. Conforme a polícia, durante o cumprimento dos mandados no Rio e em São João de Meriti, os investigados tentaram esconder caixas de medicamentos jogando os produtos pelo telhado do imóvel.

A primeira fase ocorreu em junho de 2025 e investigou a importação clandestina de medicamentos controlados para emagrecimento. Na ocasião, mandados foram cumpridos em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. A nova etapa busca reunir provas sobre a rede de venda, a origem dos produtos e a participação de pessoas residentes em outros estados.

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