Master contratou escritório da família de Lewandowski durante gestão dele como ministro de Lula

Serviços jurídicos à instituição financeira seguiram mesmo após Lewandowski se afastar formalmente da banca, que permaneceu sob comando da esposa e do filho

27/01/2026 às 12:02 por Redação Plox

O Banco Master contratou o escritório de advocacia da família de Ricardo Lewandowski, ministro aposentado do STF, em um acordo de R$ 250 mil mensais que durou até agosto de 2025. As informações, publicadas pelo Jornal Folha de São Paulo, mostram que parte desse contrato coincidiu com o período em que Lewandowski esteve à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Lula, entre 1º de fevereiro de 2024 e 9 de janeiro de 2025.


Presidente Lula e seu ex-ministro Ricardo Lewandowski,

Presidente Lula e seu ex-ministro Ricardo Lewandowski,

Foto: Agência Brasil


Segundo a coluna de Andreza Matais, no portal Metrópoles, a contratação do escritório foi feita por sugestão do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A assessoria de Wagner afirmou à Folha de S.Paulo que ele apenas indicou o nome de um “bom jurista” após ser consultado, destacando que Lewandowski havia acabado de deixar o Supremo Tribunal Federal. "Seguramente, o banco achou a sugestão adequada e o contratou", informou a assessoria do parlamentar.

Saída antes da posse

Lewandowski se desligou formalmente da banca em 17 de janeiro de 2024, antes de assumir o ministério. Segundo nota enviada à imprensa, ele suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ao ser convidado por Lula e deixou de atuar em todos os casos. “Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça e de Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos”, declarou.

Desde sua saída, o escritório continuou operando sob direção de sua esposa, Yara de Abreu Lewandowski, e do filho do casal, Enrique Lewandowski, mantendo a prestação de serviços ao Banco Master.

Outros vínculos com o STF

O Master também fechou contrato com outro escritório ligado a um ministro do STF. Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a instituição firmou um acordo de R$ 3,6 milhões mensais com o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à família do ministro Alexandre de Moraes. O contrato, com validade de 36 meses a partir de 2024, poderia alcançar R$ 129 milhões até 2027, caso o banco não tivesse sido liquidado pelo Banco Central.

A banca de Moraes, composta por sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e dois filhos do casal, foi contratada para representar o banco onde fosse necessário — sem vínculo com causas específicas — e atuar estrategicamente perante órgãos como Banco Central, Receita Federal, Congresso Nacional, Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal.

Investigação e prisão de Vorcaro

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, no âmbito da operação Compliance Zero, que apura fraudes na emissão de títulos de crédito falsos pela instituição. Ele foi solto em 28 de novembro, passando a usar tornozeleira eletrônica.

Procurados pela reportagem, o gabinete de Moraes, o escritório Barci de Moraes, a defesa de Vorcaro e a assessoria do Master não se manifestaram nem confirmaram os contratos.

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