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A Polícia Civil indiciou três adultos suspeitos de coagir ao menos uma testemunha nas investigações sobre a morte do cão comunitário Orelha, brutalmente agredido na Praia Brava, uma das áreas mais nobres de Florianópolis. Quatro adolescentes já haviam sido identificados como suspeitos de cometer o crime de maus-tratos e também são apontados por tentar afogar outro cão no mar.
Orelha era um dos cães que se tornaram mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis
Foto: Reprodução/Redes sociais
Em coletiva à imprensa na manhã desta terça-feira (27), a corporação informou que os três investigados por coação são pais e um tio dos adolescentes. Dois deles são empresários e o terceiro é advogado.
Coação, nesse contexto, é o crime de ameaçar ou agredir alguma das partes envolvidas em um processo judicial – como juízes, testemunhas, advogados, vítimas ou réus – com o objetivo de interferir no resultado.
Os nomes dos indiciados não foram divulgados. Segundo a polícia, o crime de coação teve como alvo o vigilante de um condomínio que teria uma foto capaz de colaborar com a apuração do caso. A corporação não informou se teve acesso a esse registro específico, mas afirma analisar mais de mil horas de gravações de câmeras de segurança. O vigilante foi afastado com férias compulsórias por questões de segurança pessoal.
No inquérito que apura o crime de coação, 22 pessoas foram ouvidas. A Justiça não autorizou a apreensão dos aparelhos eletrônicos dos adultos investigados.
Os nomes e idades dos quatro adolescentes suspeitos de atacar Orelha não foram divulgados. A investigação segue as determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo menores de 18 anos.
De acordo com a Polícia Civil, dois dos adolescentes estão em Florianópolis e foram alvos de uma operação realizada na segunda-feira (26). Os outros dois estão nos Estados Unidos em uma “viagem pré-programada”.
A investigação aponta que as agressões contra Orelha ocorreram em 4 de janeiro, embora o caso só tenha chegado oficialmente à Polícia Civil em 16 de janeiro.
Não há imagens do momento exato do espancamento. Segundo a delegada Mardjoli Valcareggi, outros episódios registrados na mesma região e período, somados a depoimentos de testemunhas, contribuíram para esclarecer a ocorrência e identificar os suspeitos.
A Polícia Civil apura também a tentativa de afogamento de outro cachorro comunitário, Caramelo, na mesma praia. Há imagens dos adolescentes pegando o animal no colo, e testemunhas relataram ter visto o grupo jogando o cão no mar.
Orelha foi encontrado por moradores da região, ferido e agonizando. Ele foi recolhido e levado a uma clínica veterinária. No dia 5 de janeiro, precisou ser submetido à eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.
Exames periciais no corpo do animal confirmaram que ele foi atingido na cabeça com um objeto contundente, sem ponta ou lâmina. O instrumento usado na agressão não foi localizado.
A Praia Brava abriga três casinhas destinadas a cães comunitários que se tornaram mascotes da região. Orelha era um deles e fazia parte da rotina de moradores e turistas.
Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado
Mário Rogério Prestes
Ao g1, a médica veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava o animal, relatou que Orelha era “sinônimo de alegria” e presença constante em seu dia a dia. Segundo ela, o cachorro era dócil, brincalhão e fazia sucesso com quem passava pela praia.
Ela descreveu que, sempre que alguém falava com ele em tom mais fino ou demonstrava intenção de fazer carinho, o cão abaixava as orelhas, abanava o rabo e se deitava, até ganhar afeto na barriga. Para a veterinária, Orelha era muito amado e já conhecido até por turistas, o que reforça a comoção em torno do caso.