Pais e tio de suspeitos são indiciados por coagir testemunha no caso do cão Orelha em Florianópolis

Polícia Civil aponta que dois empresários e um advogado teriam pressionado vigilante que possuía foto importante sobre a morte do cão comunitário Orelha, brutalmente agredido na Praia Brava

27/01/2026 às 12:21 por Redação Plox

A Polícia Civil indiciou três adultos suspeitos de coagir ao menos uma testemunha nas investigações sobre a morte do cão comunitário Orelha, brutalmente agredido na Praia Brava, uma das áreas mais nobres de Florianópolis. Quatro adolescentes já haviam sido identificados como suspeitos de cometer o crime de maus-tratos e também são apontados por tentar afogar outro cão no mar.


Orelha era um dos cães que se tornaram mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis

Orelha era um dos cães que se tornaram mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis

Foto: Reprodução/Redes sociais

Em coletiva à imprensa na manhã desta terça-feira (27), a corporação informou que os três investigados por coação são pais e um tio dos adolescentes. Dois deles são empresários e o terceiro é advogado.

Coação, nesse contexto, é o crime de ameaçar ou agredir alguma das partes envolvidas em um processo judicial – como juízes, testemunhas, advogados, vítimas ou réus – com o objetivo de interferir no resultado.

Os nomes dos indiciados não foram divulgados. Segundo a polícia, o crime de coação teve como alvo o vigilante de um condomínio que teria uma foto capaz de colaborar com a apuração do caso. A corporação não informou se teve acesso a esse registro específico, mas afirma analisar mais de mil horas de gravações de câmeras de segurança. O vigilante foi afastado com férias compulsórias por questões de segurança pessoal.

Investigação de coação e depoimentos colhidos

No inquérito que apura o crime de coação, 22 pessoas foram ouvidas. A Justiça não autorizou a apreensão dos aparelhos eletrônicos dos adultos investigados.

Adolescentes suspeitos e sigilo na apuração

Os nomes e idades dos quatro adolescentes suspeitos de atacar Orelha não foram divulgados. A investigação segue as determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo menores de 18 anos.

De acordo com a Polícia Civil, dois dos adolescentes estão em Florianópolis e foram alvos de uma operação realizada na segunda-feira (26). Os outros dois estão nos Estados Unidos em uma “viagem pré-programada”.

Como Orelha foi morto e o que mostram as investigações

A investigação aponta que as agressões contra Orelha ocorreram em 4 de janeiro, embora o caso só tenha chegado oficialmente à Polícia Civil em 16 de janeiro.

Não há imagens do momento exato do espancamento. Segundo a delegada Mardjoli Valcareggi, outros episódios registrados na mesma região e período, somados a depoimentos de testemunhas, contribuíram para esclarecer a ocorrência e identificar os suspeitos.

A Polícia Civil apura também a tentativa de afogamento de outro cachorro comunitário, Caramelo, na mesma praia. Há imagens dos adolescentes pegando o animal no colo, e testemunhas relataram ter visto o grupo jogando o cão no mar.

Orelha foi encontrado por moradores da região, ferido e agonizando. Ele foi recolhido e levado a uma clínica veterinária. No dia 5 de janeiro, precisou ser submetido à eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.

Exames periciais no corpo do animal confirmaram que ele foi atingido na cabeça com um objeto contundente, sem ponta ou lâmina. O instrumento usado na agressão não foi localizado.

Orelha, cão comunitário e mascote da Praia Brava

A Praia Brava abriga três casinhas destinadas a cães comunitários que se tornaram mascotes da região. Orelha era um deles e fazia parte da rotina de moradores e turistas.

Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado

Mário Rogério Prestes

Ao g1, a médica veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava o animal, relatou que Orelha era “sinônimo de alegria” e presença constante em seu dia a dia. Segundo ela, o cachorro era dócil, brincalhão e fazia sucesso com quem passava pela praia.

Ela descreveu que, sempre que alguém falava com ele em tom mais fino ou demonstrava intenção de fazer carinho, o cão abaixava as orelhas, abanava o rabo e se deitava, até ganhar afeto na barriga. Para a veterinária, Orelha era muito amado e já conhecido até por turistas, o que reforça a comoção em torno do caso.

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