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O senador Cleitinho (Republicanos) tem usado uma suposta irritação do presidente Lula (PT) com o ministro Dias Toffoli, criticado pela condução das investigações envolvendo o Banco Master, para pressionar pela saída do magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF) e impulsionar uma proposta que facilita o impeachment de integrantes da Corte.
Senador Cleitinho Azevedo
Foto: Senado Federal do Brasil
Nesta segunda-feira (26/1), o senador recorreu às redes sociais para repercutir a informação de que Lula teria sinalizado a interlocutores que o afastamento de Toffoli poderia evitar um desgaste maior para o STF. Na avaliação de Cleitinho, a situação demonstra que a defesa de instrumentos para o impeachment de ministros não seria uma pauta restrita à direita.
“É uma pauta moral. A gente precisa ‘impichar’ o ministro Toffoli e também colocar em prática a CPI do Banco Master”, disse o senador.
Até agora, a única manifestação pública de Lula sobre o caso ocorreu em discurso em Maceió, na sexta-feira (23/1), quando o presidente criticou o tratamento dado a fraudes bilionárias em comparação à situação da população mais pobre.
Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar são os bancos. Um cidadão que deu um desfalque de R$ 40 bilhões nesse país. E tem gente que defende, porque está cheio de gente que falta um pouco de vergonha na cara nesse país
Lula
Na sequência das declarações do presidente e das críticas à condução das apurações envolvendo o Banco Master, Cleitinho passou a associar diretamente Lula ao movimento pelo afastamento de Toffoli. Segundo o senador, o Planalto poderia atuar para ampliar o apoio ao pedido já apresentado no Senado.
“Lula diz que Toffoli deveria deixar o STF. Já protocolamos o pedido de impeachment; é só ele pedir para que os senadores da sua base assinem, e pronto”, afirmou Cleitinho.
A proposta que busca tornar mais simples o processo de impeachment de ministros do STF chegou ao Congresso em meio à reação de parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O principal alvo original do texto era o ministro Alexandre de Moraes, ponto central de conflitos entre o bolsonarismo e o Supremo.
Agora, Cleitinho tenta usar o desgaste em torno do Banco Master e a insatisfação atribuída a Lula com Toffoli para reforçar a narrativa de que a mudança nas regras de impeachment dos ministros atende a um descontentamento mais amplo, atravessando campos políticos distintos.