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Por decisão do Ministério da Educação (MEC) comunicada em maio do ano passado, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) voltou, após 9 anos, a ser aceito como certificado de conclusão da educação básica.
Enem 2025: 1º dia de prova foi no domingo (9).
Foto: Angelo Miguel/MEC
Na prática, estudantes que não terminaram os estudos na idade regular e têm mais de 18 anos podem usar o desempenho no exame para obter o “diploma escolar”: é preciso alcançar mais de 450 pontos em cada área do conhecimento e mais de 500 pontos na redação.
Sem esse certificado, porém, quem foi aprovado no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ou em vestibulares não consegue efetivar a matrícula na universidade. E é justamente aí que começa a angústia relatada pelos candidatos.
Alunos ouvidos pela reportagem afirmam que, às vésperas da abertura das matrículas, não conseguem emitir o documento. Eles dizem que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep) não responde às solicitações nem informa onde os certificados podem ser obtidos.
Em uma semana, as matrículas serão abertas, mas, até esta segunda-feira (26), o Inep não havia divulgado quais instituições estão habilitadas a emitir o certificado. Na prática, os estudantes não conseguem saber quais institutos federais e/ou secretarias de educação firmaram parceria com o órgão para gerar o documento.
Sem essa informação, candidatos aprovados relatam o risco de perder a vaga na graduação antes mesmo de chegar à sala de aula.
Passei em psicologia, mas não consigo me matricular sem o certificado. O Inep não fala nada. Fui ao IFSP [Instituto Federal de São Paulo] e à Secretaria de Educação de SP para ter informações, mas ninguém sabia. Provavelmente, perderei minha vaga. Diogo Augusto, 21 anos
Ao g1, o Inep informou que lançará um aplicativo até o início de março para que todo o procedimento de certificação seja feito de forma digital. Como as matrículas nas universidades acontecem em fevereiro, as instituições de ensino serão avisadas dessa “pendência” de documento, segundo o órgão.
Ao g1, com exclusividade, o presidente do Inep, Manoel Palacios, afirmou que um aplicativo digital será lançado até o final de fevereiro, para que, em 2 de março, os estudantes possam solicitar o certificado on-line.
Como, até lá, o período de matrículas já terá se encerrado, o plano do órgão é comunicar oficialmente as universidades de que o documento será apresentado apenas posteriormente.
A Secretaria de Educação Superior está providenciando comunicação formal para todas as instituições de ensino, inclusive as vinculadas ao Sisu, informando que só a partir de 2 de março os certificados serão emitidos. Manoel Palacios, presidente do Inep
Até a publicação desta reportagem, o lançamento da plataforma ainda não havia sido comunicado diretamente aos estudantes. Em 14 de janeiro de 2026, no Diário Oficial da União, o Inep informou apenas que “a lista dessas unidades será divulgada em portaria específica”.
No site do Inep, uma busca detalhada leva a duas páginas sobre o tema: uma referente ao Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e outra ao Instituto Federal de Roraima (IFRR). Os links para envio de documentos, porém, não funcionam, e as tentativas de contato telefônico não são atendidas.
Nesse cenário, candidatos aprovados em universidades relatam incerteza sobre o futuro acadêmico.
Um dos relatos é de um estudante que conseguiu a nota necessária para ingressar em engenharia mecânica na UFRN, mas teme perder a vaga por falta de informações sobre o certificado do ensino médio obtido via Enem.
Palacios afirma que os alunos poderão, sim, usar o resultado do Enem para obter o certificado e se matricular na faculdade em seguida, diferentemente do que ocorria até 2017, quando era preciso aguardar o processo seletivo seguinte para ingressar no ensino superior.
Segundo ele, trata-se de um sistema novo, desenvolvido ao longo dos últimos meses, e a solução digital foi considerada a única forma de viabilizar o uso do Enem para certificação ainda no Sisu 2026.
Questionado sobre a ausência de comunicação prévia aos estudantes sobre o aplicativo, Palacios afirma que o Inep estava preparando um material específico para fazer esse anúncio.
De acordo com o presidente do Inep, o Instituto Federal de São Paulo (IFSP) é, por enquanto, o parceiro responsável por colaborar com o funcionamento do aplicativo. A intenção é ampliar a rede.
A meta do órgão é ter, até março, ao menos um parceiro em cada região do Brasil. A principal vantagem destacada pela autarquia é que todo o fluxo será digital, sem necessidade de deslocamento presencial às instituições certificadoras.
O Inep detalhou o passo a passo de uso da futura plataforma de Certificação Digital:
1. Acesso ao sistema – o participante acessará a plataforma de Certificação Digital usando o mesmo login do gov.br.
2. Verificação de idade e notas – logo na entrada, o sistema verificará se o participante tem mais de 18 anos. Quem não atender a esse requisito não poderá prosseguir. Também serão conferidas as notas exigidas em cada área e na redação.
3. Confirmação de dados e escolha da instituição – o candidato confirmará seus dados e selecionará a instituição certificadora (como o IFSP) responsável por emitir o certificado.
4. Envio da solicitação – após a escolha, o pedido entrará em uma fila digital da instituição selecionada.
5. Análise pela instituição certificadora – as instituições parceiras acessarão o sistema para avaliar e autorizar, ou não, a emissão do certificado.
6. Autorização e registro – quando a solicitação for aprovada:
– A emissão do certificado será autorizada com assinatura digital via gov.br;
– O sistema registrará dados como data, horário, tipo de certificado e um código de validação digital, garantindo a autenticidade do documento.
7. Recebimento do certificado – depois da autorização:
– O participante receberá o certificado por e-mail; ou
– Poderá fazer o download diretamente na plataforma.
8. Consulta e validação – as Instituições de Ensino Superior poderão consultar o sistema para confirmar a validade da emissão, usando as informações e o código de validação do documento digital.
Enquanto aguardam o lançamento do aplicativo e a definição das instituições certificadoras, milhares de candidatos aprovados seguem na incerteza sobre a matrícula no ensino superior, dependentes de um certificado que, por ora, ainda não conseguem emitir.