Homem é preso ao retirar encomenda com remédio do Paraguai em Ipatinga (MG)
Polícia Militar apreendeu 21 frascos de tirzepartida, medicamento para controle de diabetes de fabricante não homologado, após alerta da diretoria do presídio
Pelo menos seis prefeituras do Rio Grande do Norte são alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de participação em um esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em licitações na área da saúde.
Dinheiro foi apreendido na casa de sócio de distribuidora de medicamentos
Foto: PF/Divulgação
A operação foi deflagrada nesta terça-feira (27), com o cumprimento de 35 mandados de busca e apreensão no estado. Segundo apuração da TV Globo, as prefeituras atingidas pelas medidas são Mossoró, Serra do Mel, Tibau, Paraú, São Miguel e José da Penha, todas na região Oeste potiguar.
O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), está entre os alvos da ação e nega qualquer irregularidade em sua conduta. Também foram alvo de mandados de busca o vice-prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros (PSD), o prefeito de São Miguel, Leandro do Rego Lima (União), o prefeito de Paraú, Júnior Evaristo (PP), e secretários de José da Penha. A casa do irmão do prefeito de São Miguel também foi alvo de busca.
A PF apreendeu dinheiro na casa de um dos sócios de uma distribuidora de medicamentos investigada. O valor não foi divulgado até a última atualização da reportagem.
De acordo com a Polícia Federal, a investigação mira indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde, envolvendo empresas sediadas no Rio Grande do Norte que mantinham negócios com administrações municipais de diversos estados.
A operação tem como base auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU). Documentos do órgão apontam falhas na execução contratual, incluindo suspeitas de compra de materiais não entregues, fornecimento inadequado de insumos e sobrepreço.
Os mandados foram cumpridos em Mossoró, Natal, Paraú, São Miguel, Upanema, Serra do Mel, Pau dos Ferros e José da Penha.
Os investigados podem responder por crimes relacionados a desvio de recursos públicos e fraudes em contratações administrativas. Durante as diligências, um empresário de Serra do Mel foi conduzido em flagrante à Polícia Civil por posse ilegal de arma de fogo.
A PF também confirmou a apreensão de dinheiro na casa de um dos sócios de uma das empresas investigadas. O montante, porém, não foi informado.
Segundo apuração da TV Globo, a Justiça determinou medidas cautelares diversas aos empresários investigados, entre elas pagamento de fiança e uso de tornozeleira eletrônica por sócios e funcionários das empresas alvo da operação.
A defesa do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, afirmou que a operação apura fatos relacionados a diferentes entes municipais e que isso “não se confunde com a atuação pessoal do chefe do Poder Executivo de Mossoró”. Nas redes sociais, o prefeito relatou que celular, notebook e HDs foram levados pelos policiais.
Segundo os advogados, o mandado foi autorizado com base em diálogos entre terceiros e decorre de decisão judicial em fase investigativa, “sem qualquer juízo de culpa”. A defesa também sustenta que, em 2023, o prefeito adotou medidas para ampliar a transparência na compra e gestão de medicamentos.
Desde o primeiro momento, o prefeito colaborou integralmente com a diligência, franqueando acesso às informações solicitadas, em respeito às instituições e à legalidade, convicto de que a apuração técnica e imparcial dos fatos demonstrará a correção de sua conduta. Defesa do prefeito de Mossoró
A Prefeitura de José da Penha classificou a investigação como algo “comum” e declarou que, diante de irregularidades em um contrato público com a empresa investigada, “todos os demais contratos firmados com municípios são alvos de investigação, independentemente de dolo ou culpa por parte dos municípios”.
O município confirmou contratos com a empresa investigada entre 2023 e 2025, alegando que foram firmados “dentro da legalidade” e sem “nenhum ilícito”. Informou ainda que a PF cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas da secretária de Planejamento, Ana Jarvis de Souza; da secretária de Saúde, Thaciane Maria Ferreira de Souza; e do pregoeiro municipal, Fabiano Ferreira Alves.
De acordo com a prefeitura, não houve apreensão de documentos nas residências, apenas dos aparelhos celulares. A gestão disse ainda que vai encaminhar todos os contratos com a empresa investigada à PF em até 30 horas.
O prefeito de São Miguel, Leandro do Rêgo Lima (União), informou que recebeu representantes da Polícia Federal e da CGU para colaborar com a investigação, que apura contratos de empresas de saúde em diversos municípios do Rio Grande do Norte.
Ele ressaltou que o foco das apurações são as empresas investigadas e que os contratos em questão foram firmados na gestão anterior, abrangendo os anos de 2023, 2024 e 2025, sem relação, segundo ele, com atos da atual administração.
O prefeito disse ainda que se colocou à disposição para auxiliar as autoridades.
Em nota, o prefeito de Paraú, Júnior Evaristo (PP), afirmou que a operação não tem como foco sua gestão, mas supostas irregularidades envolvendo uma empresa fornecedora de insumos hospitalares.
Ele declarou que a empresa foi contratada regularmente, seguindo os procedimentos previstos em lei, e disse ter “consciência tranquila” e “convicção” de que não há irregularidades nas contratações realizadas pela atual administração.
O prefeito relatou que nada foi encontrado nem apreendido em sua residência. Ele afirmou ainda que determinou a separação de cópias de todos os documentos relacionados à licitação e aos pagamentos para envio imediato aos órgãos competentes.
A Prefeitura Municipal de Serra do Mel informou que não houve mandados de busca e apreensão em órgãos da administração e que as diligências ocorreram sem prejuízo aos serviços públicos.
A gestão reafirmou compromisso com a transparência e a legalidade e disse colaborar integralmente com as autoridades. Segundo a administração municipal, o governo local permanece à disposição dos órgãos de controle e acompanhará os desdobramentos com “responsabilidade, serenidade e respeito às instituições”.
A Prefeitura de Tibau não havia se manifestado sobre a investigação até a última atualização desta reportagem.