Campanha nacional de vacinação contra a gripe começa neste sábado em meio à alta de doenças respiratórias

Ministério da Saúde já distribuiu mais de 15 milhões de doses; imunização prioriza grupos vulneráveis e busca reduzir casos graves, internações e mortes

27/03/2026 às 06:13 por Redação Plox

A campanha nacional de vacinação contra a gripe começa neste sábado (28), em um momento de aumento de casos de doenças respiratórias no país. Dados preliminares do Ministério da Saúde indicam mais de 14 mil registros de síndrome respiratória aguda grave neste ano, com a influenza entre os principais vírus associados aos quadros mais críticos.

Com mais de 15 milhões de doses já distribuídas, a estratégia prioriza públicos mais vulneráveis —como idosos, crianças e gestantes— e busca reduzir casos graves, internações e mortes relacionadas à influenza.

A seguir, entenda o que é influenza, quais são os sinais mais comuns e por que a vacinação anual é recomendada.


Profissional da saúde segura agulha e frasco de vacinação contra influenza

Profissional da saúde segura agulha e frasco de vacinação contra influenza

Foto: Leo Munhoz/Secom/Divulgação


O que é influenza e por que ela é chamada de gripe

A influenza é uma infecção respiratória causada por vírus da família Orthomyxoviridae, principalmente dos tipos A e B, responsáveis pelos quadros em humanos. Na prática, é o que se convencionou chamar de gripe.

Ela é diferente do resfriado comum, provocado por outros vírus respiratórios, como rinovírus e adenovírus.

Diferença entre gripe e resfriado

Embora possam começar de forma parecida, gripe e resfriado não têm o mesmo impacto no organismo. A influenza costuma provocar febre mais alta, dor no corpo, cansaço intenso e uma queda mais evidente do estado geral.

Segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo, o que diferencia a gripe das infecções respiratórias leves é justamente esse comprometimento sistêmico mais marcado, geralmente associado a outros vírus.

Nos quadros iniciais, a distinção nem sempre é clara. Ainda assim, a evolução dos sintomas —sobretudo a piora progressiva— funciona como principal sinal de alerta.

Quando a gripe exige atenção médica

O alerta está na progressão dos sintomas. Falta de ar, febre persistente ou muito alta, cansaço intenso e piora do quadro respiratório indicam necessidade de avaliação médica.

Nos casos mais graves, a doença pode evoluir para comprometimento do trato respiratório inferior, como pneumonia —seja pelo próprio vírus, seja por infecções bacterianas associadas.

Quem deve se vacinar pelo SUS

A vacinação pelo SUS é direcionada prioritariamente a grupos com maior risco de complicações. Entre eles estão crianças pequenas, idosos com 60 anos ou mais, gestantes, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde e de educação, além de outros grupos definidos pelo Ministério da Saúde.

A priorização considera o maior risco de hospitalização e morte nesses públicos.

Por que a vacina é anual

Dois fatores explicam a recomendação de vacinação todos os anos, segundo a infectologista Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

O primeiro é a capacidade de mutação do vírus influenza, que muda de um ano para outro, o que exige atualização da fórmula da vacina com base nos vírus mais circulantes no mundo. O segundo é o tempo de proteção, que diminui ao longo dos meses, especialmente em idosos e pessoas com doenças crônicas.

A vacina causa gripe?

Não. As vacinas disponíveis são feitas com fragmentos do vírus, incapazes de se multiplicar no organismo. O objetivo é estimular a produção de anticorpos sem provocar a doença.

Mesmo vacinado, é possível pegar gripe?

Sim. Nenhuma vacina tem eficácia de 100% para impedir infecção. Ainda assim, a principal função é evitar formas graves da doença, reduzindo internações e mortes, especialmente entre os mais vulneráveis.

Quem não está nos grupos prioritários pode se vacinar?

Pessoas fora do público-alvo do SUS podem receber a vacina na rede privada. Eventualmente, doses remanescentes podem ser liberadas ao restante da população ao fim da campanha, mas isso depende de estoque e não deve ser aguardado como estratégia.

É possível se vacinar com sintomas de gripe?

Depende da intensidade dos sintomas. Quadros leves, como coriza e mal-estar discreto, não impedem a vacinação. Já em casos com febre ou sintomas mais intensos, a recomendação é adiar até a recuperação.

Quem teve Covid ou gripe recentemente pode tomar a vacina?

Sim, desde que a pessoa já tenha se recuperado da fase aguda e esteja sem sintomas importantes.

Por que se vacinar agora

De acordo com as especialistas, a campanha ocorre antes do pico de circulação do vírus, para garantir que a população esteja protegida no momento de maior risco.

Adiar a vacinação aumenta a chance de infecção em um período em que a influenza tende a se espalhar com mais intensidade

Isabella Ballalai

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