Desemprego sobe a 5,8% no Brasil no trimestre até fevereiro, diz IBGE
Pnad Contínua aponta 6,2 milhões de pessoas em busca de trabalho e alta da subutilização; rendimento médio atinge recorde real de R$ 3.679
27/03/2026 às 12:55por Redação Plox
27/03/2026 às 12:55
— por Redação Plox
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A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, após marcar 5,2% nos três meses até novembro, período usado como base de comparação. Segundo os dados, trata-se de um dos patamares mais baixos da série histórica comparável.
As informações são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) e foram divulgadas nesta sexta-feira (27/3) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O levantamento abrange o mercado de trabalho formal e informal.
O desemprego se refere às pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis e tentam encontrar trabalho
Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG
A mediana das projeções do mercado financeiro era de 5,7%, segundo a agência Bloomberg. Até esta divulgação, a menor taxa de desemprego registrada em todos os trimestres da série histórica havia sido de 5,1%, nos três meses encerrados em dezembro de 2025. O IBGE, porém, evita comparação direta entre trimestres consecutivos que compartilham meses em comum.
Perda de vagas puxou alta no início do ano
Influenciada pela perda de vagas nos segmentos de saúde, educação e construção, comum no início do ano, a taxa de desocupação voltou a crescer.IBGE
No trimestre encerrado em fevereiro, o instituto estimou 6,2 milhões de pessoas de 14 anos ou mais em busca de trabalho — 600 mil a mais do que no trimestre encerrado em janeiro.
Na série da Pnad, iniciada em 2012, o maior contingente de desocupados foi registrado no trimestre até março de 2021, durante a pandemia de Covid-19, quando o indicador chegou a quase 15 milhões.
Subutilização da força de trabalho piora
Os indicadores de subutilização da força de trabalho também avançaram. A taxa passou de 13,5% no trimestre encerrado em novembro de 2025 para 14,1% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026. A medida considera a soma de pessoas que procuram trabalho, que trabalham menos do que gostariam ou que não estão buscando emprego, mas têm disponibilidade.
Ocupação recua no trimestre; informalidade fica em 37,5%
O número de ocupados chegou a 102,1 milhões. Houve queda de 0,8% no trimestre (menos 874 mil pessoas) e aumento de 1,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. A taxa de informalidade foi de 37,5%, ante 37,7% no trimestre encerrado em novembro e 38,1% um ano antes.
Renda média atinge maior nível real da série
No trimestre até fevereiro, o rendimento médio do trabalho foi de R$ 3.679 por mês, com alta de 2% no trimestre e de 5,2% no ano. De acordo com o levantamento, este é o maior valor da série em termos reais, com ajuste pela inflação.
Entenda o que o IBGE considera desemprego
Segundo o IBGE, o desemprego se refere às pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis e tentam encontrar trabalho. Ou seja, não basta não ter emprego: é necessário que a pessoa esteja procurando oportunidades.
A Pnad Contínua é o principal instrumento de monitoramento da força de trabalho no país. Conforme o IBGE, a amostra corresponde a 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal, visitados a cada trimestre, com cerca de 2.000 entrevistadores na coleta.
A taxa de desemprego é o percentual da força de trabalho formado pelas pessoas desempregadas. A força de trabalho, por sua vez, é composta por desempregados e ocupados — estes últimos incluem quem trabalha de modo formal ou informal, com ou sem carteira ou CNPJ.
Efeitos do desemprego baixo na economia
Segundo o texto, economistas apontam que a taxa baixa é explicada principalmente por um mercado de trabalho aquecido, como reflexo de contratações nos setores privado e público. Mudanças demográficas e tecnológicas também contribuem.
O desemprego baixo indica um cenário positivo para os trabalhadores e pode estimular o consumo, com mais renda disponível. Por outro lado, o aumento da demanda por bens e serviços pode pressionar a inflação. Nesse contexto, o BC (Banco Central) levou a taxa básica de juros para 15% ao ano, buscando esfriar o consumo para conter a alta dos preços.