Pesquisa aponta alta de 3 milhões de novos compradores de livros no Brasil em 2025
Levantamento da CBL com a Nielsen BookData indica que 18% dos adultos compraram ao menos um livro, com avanço puxado por jovens e influência das redes sociais
27/03/2026 às 14:45por Redação Plox
27/03/2026 às 14:45
— por Redação Plox
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O número de consumidores de livros cresceu no Brasil em 2025, segundo pesquisa divulgada nessa quinta-feira (26) pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Nielsen BookData. O levantamento aponta que 18% da população com mais de 18 anos comprou ao menos um livro, impresso ou digital, no ano passado.
Cresce o número de consumidores de livros no Brasil, em 2025.
Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil
O percentual representa um aumento de 2 pontos em relação a 2024, o equivalente a 3 milhões de novos consumidores.
Crescimento do público leitor e fatores por trás do avanço
O crescimento de 3 milhões de novos consumidores em um único ano mostra que o livro mantém sua relevância e que há espaço consistente para a expansão do mercado editorial brasileiro
Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro
Segundo Sevani Matos, o resultado está ligado a uma estrutura que envolve editoras, livrarias, autores, influenciadores, políticas públicas e iniciativas de incentivo à leitura.
Por que parte da população não comprou livros
O estudo Panorama do Consumo de Livros foi baseado em 16 mil entrevistas realizadas em outubro de 2025, incluindo pessoas que compraram ou não livros no último ano.
Entre os que não compraram livros em 2025, cerca de 35 milhões de pessoas (28%) disseram ter sido desmotivadas pela falta de livraria ou loja por perto. Para 35% dos não compradores, os livros são caros.
Dentro desse grupo, 16,3% afirmaram que não compraram por terem baixado livros digitais gratuitos, e 16,1% relataram acesso a PDF gratuito. A coordenadora de Pesquisas Econômicas e Setoriais da Nielsen BookData, Mariana Bueno, observou que grande parte desses casos está relacionada à pirataria.
Quem compra livros no Brasil: gênero, recorte e faixa etária
De acordo com a pesquisa, as mulheres representam 61% do total de consumidores de livros. No recorte de raça, classe e gênero, o levantamento indica que mulheres negras da classe C formam o maior grupo consumidor, com 15% do total.
O maior crescimento, porém, foi registrado entre os mais jovens: na faixa de 18 a 34 anos, houve aumento de 3,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Para Sevani Matos, as redes sociais têm funcionado como porta de entrada importante para novos leitores, com criadores de conteúdo, recomendações online e comunidades virtuais ampliando o alcance da literatura.
O peso dos livros de colorir, da ficção e das compras pelas redes
Mariana Bueno apontou que os livros de colorir tiveram participação relevante no avanço: em 2025, 7,1% da população adulta — cerca de 11 milhões de pessoas — comprou ao menos um exemplar. Isso equivale a 40% do total de consumidores de livros.
Ela acrescentou que dados do varejo indicam o papel decisivo de títulos de ficção, especialmente os Young Adult, voltados a um público mais jovem e conectado.
Segundo o levantamento, 56% dos consumidores costumam comprar por meio das redes sociais. As mulheres entre 25 e 54 anos representam 76% das consumidoras e 26% do total de consumidores que compram por essas plataformas.
Impresso ainda lidera, e livrarias seguem estratégicas
Na última compra, 80% dos consumidores adquiriram um livro impresso, enquanto 20% optaram pela versão digital. A pesquisa também mostra que 70% dizem gostar de acompanhar lançamentos, principalmente por sites de compras (34%), indicação de pessoas próximas (30%), livrarias (24%) e criadores de conteúdo (22%).
As livrarias seguem tendo papel relevante na experiência de compra: para 53% dos consumidores, são espaços para relaxar e explorar sem pressa; e 46% associam esses locais à conexão com cultura e conhecimento. Na última compra de livro impresso, 53% compraram online e 47% presencialmente.
Ao comentar o resultado, Sevani Matos concluiu que o livro vai além de um item de consumo, destacando a importância de fortalecer livrarias, bibliotecas e políticas de acesso para sustentar a alta registrada.