Ex-funcionário arma emboscada contra ex-chefe após ser demitido em SP

Câmera registrou agressão e tentativa de disparos com falha na arma; júri desclassificou tentativa de homicídio e fixou pena de seis meses em regime aberto

27/03/2026 às 11:52 por Redação Plox

O g1 teve acesso a imagens de uma câmera de monitoramento que registraram a tentativa de homicídio contra um supervisor de uma empresa em Cubatão (SP). O ataque aconteceu um dia depois de a vítima ter demitido o soldador Ricardo da Silva, apontado como participante do crime.

A ocorrência foi em 9 de agosto de 2024. Segundo o que consta no processo, Ricardo foi reconhecido por testemunhas como o motorista do carro que aguardava o atirador — ainda não identificado — do outro lado da rua.


Ricardo da Silva foi condenado por participar da tentativa de homicídio em Cubatão, SP

Ricardo da Silva foi condenado por participar da tentativa de homicídio em Cubatão, SP

Foto: Reprodução/TV Tribuna


Imagens mostram abordagem e ameaças ao supervisor

No vídeo, um suspeito encapuzado desce de um veículo e caminha em direção ao carro onde estava o supervisor. Ele abre a porta, faz ameaças de morte e dá duas coronhadas no rosto da vítima, que reage com um chute.

Na sequência, o agressor volta correndo para o carro e tenta disparar mais duas vezes, mas a arma não funciona. De acordo com a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Ricardo baixou o vidro do veículo após o suspeito entrar e gritou:

Vai, mata. Atira Denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP)

O motorista acelerou quando percebeu que havia sido reconhecido. Durante a fuga, Ricardo se envolveu em um acidente de trânsito e acabou preso em flagrante.

Júri desclassifica tentativa de homicídio e define pena

Ricardo permaneceu preso nos últimos dois anos e foi denunciado pelo MP-SP por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe (vingança) e por recurso que dificultou a defesa da vítima (emboscada/traição).

O julgamento ocorreu na quinta-feira (26), no Fórum de Cubatão. Em nota, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) informou que quatro testemunhas foram ouvidas e o réu foi interrogado.

Os jurados entenderam que não se tratava de crime doloso contra a vida, desclassificando a conduta, e o réu Ricardo da Silva foi condenado à pena de seis meses de detenção pelo crime de lesão corporal leve Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP)

Ao g1, o advogado João Carlos de Jesus Nogueira, responsável pela defesa, afirmou que o regime será inicialmente aberto e que, por isso, o alvará de soltura foi expedido.


Carro dirigido pelo acusado foi apreendido em Cubatão, SP

Carro dirigido pelo acusado foi apreendido em Cubatão, SP

Foto: Divulgação/Polícia Civil


Entenda o que motivou a demissão e como a polícia chegou ao suspeito

De acordo com o boletim de ocorrência, o supervisor foi orientado a demitir Ricardo porque ele não respeitava a hierarquia e isso prejudicava o andamento do trabalho. Ainda segundo o registro, o contrato na refinaria estava perto do fim.

Um dia após o desligamento, o supervisor foi surpreendido por um homem armado quando saía do alojamento na Rua João Damaso, no bairro Parque Fernando Jorge. A vítima não foi baleada, mas sofreu golpes de coronhada.

O supervisor procurou atendimento no Hospital Ana Costa, em Santos (SP), e depois registrou o caso no 1º Distrito Policial (DP) de Cubatão.

A Polícia Civil foi ao local do ataque para buscar câmeras e, durante a apuração, soube de um acidente atendido pela Polícia Militar (PM) no cruzamento entre as ruas Bahia e Ceará.

O veículo envolvido na colisão era parecido com o usado na ação. Com isso, os investigadores solicitaram que o motorista fosse apresentado na delegacia, onde ele foi reconhecido como Ricardo. A vítima e testemunhas afirmaram que ele dirigia o carro que facilitou a fuga do atirador.

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